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Coexistir - 14/03/2014
 
Percebendo a importância da natureza faz-me pensar como somos irresponsáveis. Eu não sou reacionária, elitista, socialista, coisa alguma. Nem feminista sou. Apesar de não fazer vista grossa aos assuntos recorrentes no que tange o universo feminino em sua essência, e, na defesa dos abusos a ele... O que penso agora, é quão irresponsáveis somos. Quanto a nós mesmos, e quando a natureza que nos cerca. Eu ainda crio gado, como carne vermelha, branca. Estou longe de ser vegana, vegetariana e tenho assumido mesmo meus erros nesse crescimento em que me encontro.
Mas não sou radical. Tenho muito a aprender. Me esforço. Confesso que torço nariz às pessoas que vivem postando proteção aos animais nas redes sociais e tem feito coisas horríveis ao próprio ser humano.
Tenho me isolado na paz da minha casa. Das minhas casas, a de dentro e as de fora. Tenho conseguido perceber ainda muito mais o que temos feito uns aos outros. E não é pouco. Pode ser engraçado pensar assim, mas sinto como se minha casa fosse um organismo vivo, que precisa de cuidados de tempos em tempos. É claro, toda casa requer manutenção, mas estou falando de um tipo específico de reparos, que é dado pelo próprio morador.
Fico tranquila, pois tenho me exercitado na arte, de não apenas “existir”. Coexistir é uma relação difícil. Requer retroceder, para que outros possam avançar e mostrar seus pontos de vista.
Nossa casa é nossa terceira pele, e reflete um pouco a maneira como nos relacionamos com o mundo. Pensá- la como uma bioconstrução e cuidar dela com as próprias mãos é algo que tem a qualidade de imprimir carinho e dedicação que nem a mais eficiente empresa de construção conseguiria reproduzir. Refazemos caminhos, procuramos ajuda psicológica, afastamos o “empurrar com a barriga” e assumimos posturas.
Nem que saiam lascas.
Como nossa casa, temos paredes com imperfeições, não viemos com manual de instruções e doar e receber, é a aceitação das coisas imperfeitas. Já paredes herméticas, impermeáveis, lisinhas, absolutamente iguais, revelam uma vontade de segurança que flerta com um desejo de distanciamento… E somos assim. Erguemos muros a nossa volta quando nos convém. Coexistir é habitar nossa imperfeição assumindo quem somos para nós e o mundo. Nossas casas caem, as paredes são derrubadas pelo tempo... E não devemos ter receio de ver trincas, rachaduras, pedaços com tinta descascada. São marcas do tempo, assim como nossas rugas, manchas e outros sinais de uma vida vivida em interação com tudo aquilo que está à nossa volta. E saber que eu mesma posso, a qualquer momento, dar uma repaginada na casa, é algo formidável.
Minha geração veio de outra geração, em que era de bom tom não falar, não derrubar muros, não ousar, deixar quieto... E nós derrubamos todos os muros possíveis. Minha geração fez isso e não teve estrutura para segurar muita coisa. Somos de uma geração que veio daquela que se “matou de tanto trabalhar”, herdamos o conforto, e o sedentarismo. Herdamos manias, e fomos confrontados pela intensa criatividade do ser que transformou tudo em botões “IN” e “ OFF , não fomos preparados para essa avalanche de conhecimento ao qual fomos brindados.
Nossos filhos e netos mostram desenvoltura ao se mesclar com toda essa tecnologia.
Enquanto minha geração repara muros com terapias, a nova esbalda-se em conhecer novas fronteiras. Reparo muros internos aprendendo que existir é uma coisa de nossos pais, e coexistir é responsabilidade nossa e legado aos nossos filhos...
Torna-se difícil coexistir querendo ser mais saudável, com todo esse consumismo nos consumindo. Ligando a TV e vendo todos os apelos para a saúde e, por debaixo dos panos para a falta dela- essas cobranças nos devorando!
Sei que meus filhos e meu genro serão ótimos pais... mas como lidar com a turma do “Lepo Lepo”? Meus netos serão educados, com certeza... mas desenvolverão a habilidade que a vó deles não teve em aprender a precocemente dizer “não” ao que é invasivo.
E cheguei à conclusão que nem no meio do mato, nos isolando, no meio do deserto nós podemos apenas “ existir”. Temos que interagir, deixar de resistir, nos focar, tomar posições... aprender a nos restaurar, nos posicionar para então, sobreviver. Pense nisso com carinho!
Um beijo na palma da mão!
 
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Luciano Andrade


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