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Cláudio Júnior Damin
Cientista Político
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Os políticos com medo - 03/06/2016
 
A operação Lava Jato tem acossado a classe política brasileira. Por muito tempo a corrupção grassou impune neste país, quadro que parece estar em mudança desde que foram deflagradas as primeiras operações da Lava Jato no ano de 2014. O juiz Sérgio Moro, atacado pela esquerda, tem ajudado a passar este país a limpo, condenando corruptos e corruptores. E o Supremo Tribunal Federal tem aberto investigações sobre supostos atos de corrupção cometidos por políticos que exercem mandato e, portanto, possuem o chamado foro privilegiado.
Dentro desse contexto, chama a atenção os áudios gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, um membro dos governos Lula e Dilma. Machado, que é do PMDB, fez acordo de delação premiada, tendo gravado conversas com vários correligionários de alto gabarito. Em função dessas gravações, aliás, dois ministros do governo do presidente Michel Temer pediram exoneração. Os áudios divulgados revelam o medo do aprofundamento das investigações da Lava Jato.
Setores importantes da classe política brasileira hoje estão com medo da Lava Jato. E o que as gravações de Sérgio Machado revelam são tentativas de controlar a investigação a partir de diversas ferramentas. Todas elas, no entanto, acabaram não sendo bem sucedidas.
Uma primeira é a eventual mudança na legislação sobre a delação premiada. Uma das saídas para controlar a Lava Jato seria precisamente a proibição de que presos possam fazer acordo de delação e contar tudo o que sabem em troca de redução ou até mesmo anulação de pena. As investigações da Lava Jato, vale destacar, apenas chegaram onde chegaram com as delações de empreiteiros, doleiros e políticos. Modificar a legislação para limitar a delação seria o mesmo que ferir de morte investigações futuras sobre corrupção.
As gravações também indicam que aqueles que desejam melar a Lava Jato pensaram em se aproximar com o relator do processo no Supremo Tribunal Federal. Nos áudios é clara a tentativa de acessar o relator e pressioná-lo em determinada direção. Os interlocutores, no entanto, asseveram a dificuldade desta abertura. O ministro Teori Zavaski, no entanto, não dá qualquer abertura para pressões políticas.
Um terceiro elemento identificado nas gravações é a tentativa de controle da mídia. Um dos diálogos faz referência a um encontro entre diretores da TV Globo e emissário de políticos cujo objetivo era solicitar a diminuição da exposição da operação Lava Jato nos noticiários da emissora. Esta exposição estaria prejudicando não apenas os acusados em particular, mas também a classe política em geral. Nessas mesmas gravações é informado que essa pressão não surtiu efeitos, pois os dirigentes da emissora disseram não aceitar qualquer tipo de pressão para brecar o noticiário sobre as investigações de corrupção.
Além disso, nos áudios de Sérgio Machado é possível identificar projeções sobre um acordão envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário. Este acordão iria parar a Lava Jato e esquecer a corrupção cometida no passado recente. Os interlocutores falam inclusive em uma assembleia constituinte a fim de reformar o sistema político. Trata-se de algo delirante, pois um acordão de tal tipo jamais poderia ser estruturado em função da própria vigilância que a sociedade civil faz em relação à Lava Jato.
Estou cada vez mais convicto de que ninguém irá parar as investigações da operação Lava Jato. Ela ainda não cumpriu todo o seu papel, e o grande tubarão ainda precisa ser preso pelo juiz Sérgio Moro. A Lava Jato é um desses acontecimentos judiciais capazes de colocar os políticos contra a parede. Seu legado será pedagógico. A partir dela, esperamos que os políticos corruptos diminuam neste país.
 
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