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Cláudio Júnior Damin
Cientista Político
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O gorila primeiro? - 17/06/2016
 
Semanas atrás, em um zoológico na cidade de Cincinatti, nos Estados Unidos, uma criança de quatro anos caiu na jaula dos gorilas. De pronto, o gorila alfa aproximou-se do menino. Os visitantes do local, dentre eles os pais do garotinho, foram ao descontrole com gritos, barulhos e muita movimentação. O menino parecia alarmado, insinuou um choro, mas foi repreendido pelos pais que lhe disseram para manter a calma e não se mexer. O guri obedeceu, conforme mostra um vídeo disponível na internet.
Enquanto a mãe ligava para a polícia informando que seu filho havia escorregado na jaula do gorila, Harambe, de 181 quilos, o analisava criteriosamente. Ao que parece, não sabia o que era “aquilo” que caíra em seu habitat, em seu território. Com uma das mãos ele segurava a criança, tocava em suas roupas até que, em um golpe, ele derruba o garotinho no lago e o arrasta para outra ponta do poço em que vive.
A partir daí o desespero invade os presentes, pois as próximas decisões do gorila eram imprevisíveis. A dúvida era mesmo a de saber se o gorila de 17 anos iria matar a criança. O menino ficou sob a tutela do gorila por longos e aterrorizantes dez minutos.
Um dos membros da equipe de segurança do zoológico, diante daquela situação, matou a tiros o gorila Harambe. Ou, em outros termos, poderíamos mesmo dizer que ele salvou a vida do guri de quatro anos. O gorila morreu e o menino viveu para contar o episódio, sofreu algumas lesões em função da queda na jaula, porém está bem. E aí que se inicia a fase mais surreal da história.
Algumas pessoas e membros de ONGs - supostamente defensoras de animais - criticaram duramente a decisão de abater o gorila. Para eles, a utilização da força foi desproporcional e tranquilizantes deveriam ter sido utilizados ao invés de armas de fogo. Não importa se os tranquilizantes demorariam a fazer efeito, o que poderia dar margem a uma reação de Harambe no sentido de esmagar o crânio da criança. Nada disso conta para essas pessoas - o que deveria ter sido feita era a preservação do gorila em extinção. Perderam o sentido das coisas, sem dúvida.
Milhares de pessoas assinaram uma petição pública criticando a polícia e o zoológico por matar o animal, além de pedir que os pais sejam responsabilizados. E outras milhares curtiram uma página nas redes sociais intitulada “Justiça para Harambe”. Um dos apoiadores escreveu: “Se achamos que é aceitável matar um gorila que não fez nada errado, não acho que a cidade deveria ter gorilas”. Eu concordo com a responsabilização dos pais, mas não com o juízo que fazem sobre a morte do animal.
Entre a vida de um animal e de uma criança indefesa acossada pelos instintos deste mesmo animal, penso que devemos ficar com a criança sem pestanejar. Conforme declarou o presidente do zoológico: “Eles fizeram uma dura escolha e fizeram a escolha certa, porque salvaram a vida do menino”. Ora, tal decisão baseia-se no desejo que temos de preservar nossa própria espécie. E, no caso do menino, ele corria sim sério risco que sua vida fosse perdida por um animal selvagem, dominado por instintos e territorialista. Harambe morreu, mas o menino viveu.
O episódio, no entanto, revela a radicalização da defesa que muita gente faz dos animais. Sim, os animais têm direitos, não devem ser vítima de violência e os criminosos devem ser responsabilizados. Mas a questão não é essa. O problema é outro, pois muita gente achou errada a morte do gorila. Ora, se o gorila fosse deixado sem contenção, talvez a criança não estivesse viva. E perderíamos um de nossa espécie - pais perderiam um filho e avôs um neto. Uma vida seria desperdiçada. Muita gente, no entanto, queria pagar para ver. Ainda bem que alguém agiu e abateu o animal.
 
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Juliana Chilanti Tonial
Advogada especialista em Direito Civil. Mestrada em Direito Ambiental - UCS


Mariluci Melo Ferreira


Luciano Andrade

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