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Oscar Menna Barreto Grau
Médico Veterinário
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Hoje quem pode mais, chora menos - 10/06/2016
 
Na última edição do nosso jornal “Folha do Nordeste”, escrevi um artigo cujo título foi “Brasil dos privilégios”. Prometi voltar abordando o mesmo assunto, pois realmente os privilégios para determinadas categorias em detrimento do resto, que é maioria, sem dúvida é o grande responsável pelas diferenças sociais que assolam a nossa pátria.
Todos nós sabemos que este pedaço de chão que é nosso, foi descoberto no ano 1500, por acaso, e já na chegada dos descobridores, grife-se que junto não existiam “anjos” e a totalidade era formada por aventureiros, que percorriam o mundo da época à procura de riqueza e glória e logo dando asas aos seus intentos, iniciaram distribuindo objetos sem valor, mas coloridos, com a intenção de lograr e explorar os habitantes aqui encontrados e também apelidados de índios, pois erradamente julgaram ter aportado na Índia.
Assim a história mostra que a descoberta e o nosso início como país civilizado já aconteceu de uma maneira totalmente errada, mas repleta de grandes esperanças.
O difícil é que nós continuamos somente com a esperança, pois aquele país com imensas áreas agricultáveis, capaz de produzir alimentos para sustentar o mundo, água potável em abundância, florestas naturais, clima para todos os gostos, do tórrido ao ameno, chegando ao frio do Sul, minérios dos mais variados.
Ficando então no ar a seguinte pergunta: o que está faltando para este país deslanchar?
O povo não é o culpado, pois somos formados por uma miscelânea de raças, somos fortes, bons e trabalhadores.
Acredito com todas as minhas convicções que falta somente trocarmos literalmente nossa forma de pensar e agir, deixando de lado aquela herança que recebemos, onde o que importa é levar vantagem em tudo, aumentando a cada dia a desigualdade social e silenciando para poucos as boas oportunidades.
Esta concepção errada de administrar a vida pensando somente nos meus e esquecendo dos teus está arraigada e prejudicialmente fazendo parte ativa da grande maioria dos governos montados e responsáveis por gerir os destinos do Brasil.
A maioria esmagadora do povo brasileiro pede em alto e bom som saúde, educação, segurança, comida no prato, podemos afirmar sem medo de estar cometendo in justiças que em todos os itens acima elencados, existem falhas e carências graves atormentando os dias de um número significativo da população.
Na nossa Constituição está escrito “todos são iguais perante a lei” e certamente este preceito não está sendo respeitado principalmente pelos poderes constituídos, onde a desigualdade é gritante e todos os dias são criados privilégios para determinadas categorias funcionais, tais como foro privilegiado, maiores subsídios, penduricalhos como auxílios moradia, creche, assistência médica especial, etc., etc. Tudo isto se faz responsável pelas desigualdades, gera despesas intermináveis, decretando o aumento abusivo do chamado “custo Brasil” e fazendo com que os governos não cumpram com as suas responsabilidades.
Esta situação crítica a nível de país, como não pode deixar de ser, atinge o Rio Grande do Sul nas mesmas proporções, Estado quebrado financeiramente sem condições de cumprir suas obrigações, mas também sem criatividade para achar soluções viáveis para vencer a crise e fazer com que todos sejam realmente iguais perante a lei.
Se o Rio Grande do Sul está em crise econômica e não é possível apontar os culpados pela situação, ficam no ar as seguintes perguntas: Os componentes dos poderes Judiciário e Legislativo não são funcionários públicos? Por que somente os funcionários do Poder Executivo recebem salários com atraso e parcelados? Enquanto os componentes do Judiciário e Legislativo recebem aumentos salariais e em dia, bem como direitos criados em lei, os do Executivo quando são credores do Estado, estas dívidas são transformadas em precatórios e na maioria das vezes morre antes de receber esse direito?
Muito mais pode e deve ser dito, mas os gritos de socorro acabam abafados pela tal criminosa e ardilosa “independência dos poderes”, a qual somente existe para manter privilégios e desobedecer a Constituição que diz “todos são iguais perante a lei”.
O Brasil somente conseguirá ser um país de primeiro mundo, onde todos vivam com igualdade, quando conseguirmos vencer e determinar o fim do preceito ‘quem pode mais, chora menos”.
 
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