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Oscar Menna Barreto Grau
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Justiça social - 24/06/2016
 
Sempre acreditei que a democracia foi, é e será a forma ideal para a convivência em paz e com justiça social.
Toda minha admiração pela democracia justifica-se pela sua definição: Democracia é a forma de governo em que a soberania deriva do povo e é exercida por ele, por meio de representantes eleitos pelo voto popular.
A grande verdade é que infelizmente nós, os brasileiros, estamos muito distantes do ideal democrático almejado.
Após a ditadura militar, embevecidos pela esperança de dias melhores, pela liberdade desviada, esquecemos, ou nunca soubemos, exigir da política como meio de chegar a justiça social.
Desta forma temos permitido sem reclamar, que aqui nesta pátria fosse instalada uma casta com gratas mas raras exceções de políticos que pensam no bem do povo e uma maioria esmagadora que cria regras em causa própria, em benefício próprio e o ato de governar tem transformando-se em um consórcio de interesses difusos para outros fins e nunca para o bem estar de todos.
Assim nossa democracia totalmente deformada, desfigurada, tem servido para criar privilégios para poucos em detrimento do todo, abrindo os braços para a criação de um capitalismo de compadres, feito à base de conluios, cartéis, licitações arranjadas, favores comprados, corrupção infiltrada em quase a totalidade dos segmentos.
Hoje neste nosso Brasil mandam aqueles que apoderaram-se do Estado, de uma forma democrática duvidosa porque suportada por muito dinheiro desviado e pela ignorância de muitos. Instalados nos três Poderes da República, defendem privilégios próprios como se fossem santidades que deveriam ser reconhecidas por súditos desprovidos de qualquer direito que não o do reconhecimento do princípio democrático que os escolheu. Tudo de acordo com a nossa Constituição, repleta de direitos, privilégios e impagáveis e os responsáveis pela bancarrota que nos encontramos.
Procurar culpados pela situação caótica em que nos encontramos não garante que os velhos erros não voltem a aparecer, o que se deve entender é onde e por que erramos, afinal em uma democracia, nós é que mandatamos “quem está no poder”.
A falta de participação, o voto desqualificado também tem sido um fator preponderante para que todos nós, povo, vivêssemos este momento de crise, de desesperança.
O desembargador Sérgio Gischkow escreveu no Correio do Povo do dia 16 de maio do corrente ano o artigo “Desigualdade e Corrupção”, pela clareza e perfeição passo a reproduzir partes: “a corrupção é um mal que sempre existiu no Brasil, mas é a desigualdade, tanto no aspecto social como no econômico, o maior mal deste país e quiçá do mundo. Enquanto forem imensamente grandes as diferenças entre os ricos e os pobres entre os poderosos e os humildes, não haverá justiça social e por conseguinte não teremos paz”.
Nossa democracia está doente, totalmente tomada de vícios que em nada ajudam para a plenitude da sonhada justiça social. Nossa Constituição e a grande maioria das leis são criadas, cujo foco não é o bem estar da população e a justiça social, mas simplesmente visam a manutenção de privilégios para determinadas categorias.
O maior exemplo deste aleijão encontra-se no serviço público brasileiro, onde algumas categorias funcionais recebem os maiores salários e gozam de outros tantos privilégios que engordam suas contas bancárias, em contra partida as classes responsáveis pela educação, segurança, saúde e alimento no prato, são os que tem as piores remunerações e condições precárias para o exercício profissional, acarretando como é lógico um péssimo e carente atendimento nas áreas mais sensíveis e exigidas pela verdadeira justiça social.
 
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