Colunistas
 
 
Ronaldo Santini
Deputado Estadual
ronaldo.santini@al.rs.gov.br
 
 
28/03/2014
 
Saúde
Dedico a coluna de hoje a uma reflexão sobre a situação dos pequenos hospitais do Rio Grande do Sul. Os dirigentes destes hospitais, que possuem menos de 50 leitos, e os prefeitos dos respectivos municípios, ainda acumulam dúvidas a respeito da nova política de incentivos do governo estadual e distribuição do orçamento de 2014.

Grupos 1 e 2
Em tese, até agora, todos eram hospitais gerais, com exceção de alguns que já trabalhavam suas especialidades. No entanto, a Secretaria Estadual da Saúde implantou uma resolução que separa as casas de saúde do Estado em dois grupos: o grupo 1, composto pelos hospitais gerais, ou seja, hospitais de grande porte com atendimento regional e estadual, onde há maior volume de serviços; e o grupo 2, que integra os pequenos hospitais, os quais deverão limitar os trabalhos do bloco cirúrgico apenas para procedimentos ambulatoriais e priorizando o atendimento clínico.

Opção
A opção pelo grupo 2 representa grande vantagem financeira para os pequenos hospitais. Isso pode superar os R$ 600 mil anuais, o que dá para manter as contas em dia e administrar investimentos estruturais e adquirir equipamentos. Ficar no grupo 1, realmente só é vantagem para os hospitais de grande demanda de serviços, que precisam manter profissionais em turno integral e em plantão, devido ao alto fluxo de pacientes.

Dilema
Todavia é preciso analisar cada caso de forma individual. Um pequeno hospital, com atendimento microrregional e localizada há mais de 100 quilômetros de distância de grandes centros de saúde torna-se fundamental para a população destas cidades. Desativar os serviços de média complexidade significa transferir as cesarianas e as cirurgias de apêndice, por exemplo, para os hospitais maiores, conforme encaminhamentos da Central de Regulação do Estado, submetendo estes pacientes ao desconforto e aos riscos das viagens. Dessa forma estamos gerando mais um stress para os pacientes e para a municipalidade, que precisará transportar estas pessoas e dar-lhes a atenção adequada. Por ser o presidente da Frente Parlamentar das Casas e Hospitais Filantrópicos do RS fui procurado por prefeitos e diretores hospitalares que trouxeram a seguinte reflexão: “Lutamos tanto contra a ambulância-terapia e agora o governo está incentivando esta prática”.

Desgaste
Reduzir os procedimentos do bloco cirúrgico do hospital, em muitos municípios está gerando um grande transtorno político. Os prefeitos e secretários municipais de saúde estão tendo que explicar para a população os motivos pelos quais deverão adotar esta medida, sob risco de fechamento total das atividades do hospital da cidade, devido às precárias condições financeiras. Com certeza, os municípios deverão relutar muito até aceitarem esta proposta que é uma tendência futura, pois as prefeituras não conseguirão bancar as despesas dos hospitais que optarem em continuar no modelo geral (grupo 1), com os poucos investimentos do Estado (cerca de R$ 100 mil por ano) e do Ministério da Saúde.

São Paulo
O Hospital São Paulo de Lagoa Vermelha deverá ficar no grupo 1, por seu porte estrutural e pela demanda de atendimentos, incluindo pacientes de Capão Bonito do Sul, Ibiraiaras, Caseiros e demais localidades. Porém esta amplitude deverá aumentar ainda mais, caso alguns hospitais da região venham a aderir ao grupo 2, transferindo seus procedimentos de média complexidade para nosso hospital.

Bom final de semana e contem conosco!
 
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