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Grieco Rodrigo Bossardi
Doutorado em Administração - Professor Universitário - Contador
 
 
A sobra de energia no país e suas conquências - 25/03/2016
 
Para os consumidores e também para as distribuidoras de energia elétrica do Brasil, poderá haver uma divisão de prejuízos em torno de 3,3 bilhões de reais com sobras de energia em 2016. Tudo isso se deve a recessão e o aumento das tarifas desde 2015, o que reduziu o consumo e deixou as concessionárias sobrecontratadas.
Essa seria a perda se for considerada a projeção da Abradee, associação dos investidores em distribuição, a qual externou esta perspectiva de sobrecontratação de cerca de 3 mil megawatts em 2016.
Tal estimativa de perdas, foi elaborada pelo consultor e ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que alcançou o valor próximo ao calculado por outro especialista do setor de comercialização de energia, a pedido da Reuters.
As distribuidoras necessitam comprar em leilões com anos de antecedência a energia para atender ao crescimento de seus mercados, o que fez com que não obtivessem êxito, ou seja, não houve o consumo que projetaram devido ao recuo da demanda por energia em 2015 - o primeiro registrado no país desde 2009.
"Se o PIB neste ano se comportar como o Banco Central está prevendo, essa sobra de energia pode durar cinco anos... isso vai retomar muito devagar", afirmou o ex-diretor, que ocupou o cargo na Aneel entre 2005 e 2013.
As sobras de energia são vendidas no mercado spot, atualmente com preços em 31 reais por megawatt-hora, próximos do mínimo permitido pela regulação, devido à queda da demanda e às chuvas favoráveis nas áreas de hidrelétricas.
O preço no spot representa cerca de um quinto dos valores dos contratos.
A distribuidora está comprando a cerca de 165 reais (pelos contratos firmados anteriormente), se considerar que ela vá liquidar isso a um preço médio de 40 reais por megawatt-hora no ano, a perda é inevitável e de um volume exorbitante.
Prevê a legislação do setor elétrico, que sobrecontratações de até 105 por cento da demanda, podem ter eventual custo repassado para o consumidor, sendo que a partir desse número o prejuízo é da própria distribuidora.
A Abradee estima sobrecontratação de cerca de 107 por cento em 2016.
Assim, a maior proporção do custo com as sobras de energia, estimado em mais de 3 bilhões de reais este ano, recairia sobre o consumidor, que poderá ter valores repassados para sua conta no futuro dependendo de como evoluírem as negociações para reduzir o prejuízo.

O que se pode fazer
O ex-diretor da Aneel elogiou as medidas em estudo pelo órgão, para mitigar o excesso de contratação, por meio da negociação entre geradores e distribuidoras para adiar a entrada em operação de usinas.
Caso isso não seja feito, não resta dúvida que vai aumentar o custo para o consumidor, porque as obras terão continuidade e não haverá carga.
A Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) está focada na sobrecontratação das distribuidoras como uma oportunidade de comercializadoras comprarem energia para abastecer seus clientes em um mercado livre em franca expansão.
O presidente da Abraceel, comenta que entende que é uma forma correta de reorganizar o mercado elétrico, é uma solução muito melhor para os consumidores do que as distribuidoras ficarem com essa energia represada.
Afirma ainda, que o mercado livre no qual grandes consumidores negociam diretamente com geradores e comercializadoras, está com preços entre 120 e 130 reais por megawatt-hora para contratos de quatro anos, o que permitiria aos agentes desse segmento comprar as sobras das distribuidoras a preços mais atrativos que os praticados no mercado spot.

Retomada extensa
De acordo com o ex-diretor da Aneel, as mudanças de hábitos dos consumidores associada à forte elevação das tarifas em 2015 e atual crise econômica podem resultar na manutenção de um cenário de preços spot da energia "baixíssimos" em 2017 e 2018, devido às sobras de energia.
Isso remete ao racionamento pelo qual o Brasil passou em 2001 e 2002, por falta de capacidade de geração para atender a demanda, cenário no qual o consumo só retomou o patamar anterior, no ano de 2010, uma vez que as pessoas ganham novos hábitos de uso da energia.
Não obstante isso, expos uma perspectiva de que as tarifas reguladas continuem elevadas nos próximos anos, o que irá fazer com a demanda fique estagnada ou continue em queda.
 
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Luciano Andrade


Grieco Rodrigo Bossardi
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