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Grieco Rodrigo Bossardi
Doutorado em Administração - Professor Universitário - Contador
 
 
As crises econômicas que mudaram o rumo da economia mundial - 06/05/2016
 
O fim do Século XX e início do Século XXI tiveram suas trajetórias marcadas por crises econômicas que abrangeram diversos países em escala mundial. Esta afirmação, não significa que a proporção do impacto foi a mesma para todos os atingidos, mas aí pode-se perguntar: o que ocorreu para que essas crises tivessem origem? Para que se chegue a uma conclusão, necessita-se observar semelhanças e distinções entre nove momentos instáveis financeiramente falando, os quais podem ser considerados os mais importantes, e compõem o período de 1929, 1973, 1979, 1982, 1987, 1997, 1998, 2001, 2008 e 2015.

Período de 1929
A Grande Depressão
Como é conhecida, a crise de 29, ou Grande Depressão, foi evidenciada pela superprodução de produtos dos segmentos agrícola e industrial, tendo como consequência a queda da Bolsa de Nova York, que desencadeou vários desdobramentos a nível mundial.
Durante a Primeira Guerra, os Estados Unidos eram exportadores de muitos produtos, mas conforme os países europeus foram se recompondo após o conflito, as exportações americanas começaram a diminuir, forçando uma maior estocagem.
O Brasil foi atingindo por esta crise. Devido ao seu grande volume de exportação de café, teve o valor de sua principal exportação consideravelmente reduzido durante a década de 1930, momento que o País era governado por Getúlio Vargas. A economia brasileira entrou em recessão e o Estado passou a intervir com mais profundidade na economia, objetivando incentivar a indústria.

Período de 1973 e 1979
A Crise do Petróleo
Não semelhante a crise de 29, a de 1973 e 1979 não se originam em fatores econômicos, mas sim no cenário político. Foram fatores externos que acabaram por provocar efeitos econômicos em escala global. No primeiro choque do petróleo, em 1973, o que culminou com a crise foi a Guerra do Yom Kippur, entre os árabes e judeus, disputando territórios palestinos. Logo, os países árabes produtores de petróleo boicotaram todos aqueles que estivessem ao lado dos israelenses. Em período inferior a um ano, o preço do barril de petróleo aumentou de US$2,50 para US$11,50, o que impactou os países industrializados a partir de 1974, gerando inflação e instabilidade.

Período dos Anos 1980
As Dívidas Elevadas
Logo em 1987, depara-se com a “Segunda-feira Negra”, em Nova York. Neste momento a bolsa Down Jones atingiu índices muito abaixo dos normais, de certa forma semelhantes aos de 29, fazendo com que vários investidores optassem por vender suas ações, alegando a suspeita de que as informações sobre o mercado econômico não eram legítimas. Não havendo certeza, a ideia foi disseminada e todos seguiram o mesmo caminho, o que criou um comportamento de manada, interrompido em 19 de outubro. Nesta ocasião, a Bolsa americana cai em 508 pontos, representando uma perda de valor de 22,6%, o que afetou principalmente as bolsas europeias e asiáticas.
A justificativa para as demais crises dos anos 80, foi o excesso de intervenção do Estado em países latino-americanos e asiáticos. O Brasil, em detrimento à ditadura militar (1964-1985), absorveu empréstimos de grande monta, ficando exposto à elevação dos juros internacionais e ao crescimento muito rápido de seu endividamento.

Período dos Anos 1997, 1998, 1999 - Consequências da crise da década anterior
Especificamente a crise dos anos 1980 perdurou até os anos 1990 em alguns países. Dentre os principais impactados verifica-se: Coréia do Sul, Rússia, México e Brasil. A teoria econômica que sustenta essas crises é a do autor Hyman Minsky, o qual indica as crises como sendo um elemento cíclico do sistema capitalista, onde as mesmas são geradas a todo momento em épocas de grande otimismo por parte dos investidores. Assim, quando há crescimento econômico, aconteceria um certo relaxamento na avaliação de risco, gerando decisões de investimento e de concessão de crédito menos prudentes. Em 1997, houveram investimentos excessivos nas bolsas asiáticas e setor imobiliário destes países, o que culminou em uma fuga repentina para investimentos em outros segmentos de mercados, gerando grande instabilidade. O abandono de capitais dos mercados asiáticos fez com que o FMI, cria-se um plano de medidas para salvar as economias destes países, tais como Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas e Coréia do Sul.

Período de 2001 - 11 de setembro
Esta crise, também teve como característica, fatores externos, mais precisamente o ataque terrorista às Torres Gêmeas, em Nova York, ao Pentágono, em Washington, o que contribuiu para gerar instabilidade e queda nas bolsas de valores pelo mundo.
Nesta ocasião, outro fenômeno assolava o mundo: a popularidade da internet, com a violenta queda dos índices da Nasdaq, bolsas de empresas de tecnologia de informação, resultado da observação pelos investidores de que os investimentos que haviam sendo realizados neste segmento eram demasiados. A tentativa dos investidores protegerem o seu capital, ocasionou uma saída deste mercado de ações e consequentemente queda do seu valor.

Período de 2008
A Crise dos Suprimes
Esta crise teve inicio nos Estados Unidos, em 2008, e acabou como as demais, em efeito cascata expandindo-se pelo globo. A origem ocorreu no setor imobiliário, com a grande valorização dos imóveis e dos títulos hipotecários. Como a economia se auto relaciona, a crise de desvalorização destes títulos, espalhados pelos mercados financeiros de todo o mundo, em muito pouco tempo gerou instabilidade e paralisia, abrangendo os mais variados setores, e ainda, outros países, haja vista os Estados Unidos serem a maior e mais influente economia do mundo.
Indubitavelmente, o que levou esta crise ao patamar que alcançou, foi o excesso de otimismo nos mercados financeiros americanos, o que causou muita especulação.
Tendo muitos bancos falidos, a insegurança gerou a paralização do crédito para todos os setores, o que desaqueceu a economia, e os problemas aumentaram, espalhando-se para os demais setores da economia. Observe-se a quebra do banco Lehman Brothers, com mais de 150 ano, criou um efeito devastador, levando a crise para outras instituições financeiras.
Desde 29 não se via uma mudança de tamanha proporção no sistema de regulamentação financeira nos Estados Unidos. Para alguns autores, não existe forma de sair de uma crise sem que haja influência do Estado. Não é a toa que o governo americano buscou salvar as empresas financeiras à beira da falência.

A crise econômica brasileira
A população brasileira já está exausta de ouvir os termos “arrumar a casa”, “pedaladas fiscais”, “cortar e equilibrar gastos públicos”, advindos do governo federal, estadual e parlamentares.
Pouco se sabe sobreo real destino dos "gastos públicos" levando-se a não ao pensamento de que trata-se de redução de investimentos no bem-estar social, à retração de direitos coletivos, trabalhistas. Objetivam convencer a população e adeptos do governo, classes trabalhadoras, populares e médias. Aumento de taxas e impostos, os quais atingem diretamente os mais pobres.
Tais governantes fizeram exatamente o contrário, ou nada daquilo que foi pauta de seus discursos para se elegerem, dando início a medidas restritivas e demonstrando um cenário negativo à população.
Uma das variáveis relevantes para entender-se a atual crise econômica brasileira costuma ser esquecida. Parafraseando um famoso político brasileiro, de forma imparcial, falta abordar a "causa das causas": as perdas internacionais, a condição dependente do Brasil na cena mundial. Nada mais do que a participação subordinada do país na divisão internacional do trabalho.
Após o rápido crescimento do consumo mundial de produtos primários ("commodities"), principalmente da China, a economia brasileira estabilizou-se, para os padrões do capitalismo, com as gestões do governo atual e anterior, conseguindo equalizar os diferentes interesses de classe, utilizando a distribuição desigual, mas efetiva, dos fatores para o aquecimento econômico.
Fato é que, nos últimos anos, o consumo internacional diminuiu: em particular, a China reduziu suas compras em quase 40%, entre janeiro de 2014 e 2015.
Não há como reverter este cenário a curto prazo, pois há tempos as teorias de alguns economistas, versam sobre a prioridade concedida à produção de bens primários, e que esta tem como consequência para uma sociedade em posição inferior na divisão internacional do trabalho, em preços e vendas, dependente do consumo internacional.
Torna-se muito evidente a utilização de um modelo de antigo de exportações, que unindo-se ao volume de importações, a balança comercial do País reflete cada vez mais o déficit destas operações, considerando-se que ainda que em torno de 50% do volume exportado, dizem respeito a soja, açúcar, café petróleo bruto e outros.
Como não há mudanças neste sentido, e a potencialização dos interesses políticos por manter os modelos existentes de gestão, a única maneira de reversão dá-se em torno da classe trabalhados e gestão tributária.
Logo, haveria que mudar-se o norte de gestão do País, com mudanças no sistema produtivo, incentivando-se bens elaborados e inovação tecnológica, utilizando o mercado interno. Faz-se necessário o equilíbrio das contas brasileiras e o desenvolvimento e domínio nacional do conhecimento e de novas tecnologias.
Não podemos ainda deixar de considerar a importância das políticas públicas, as quais envolvem a área social, educacional e econômica, que indubitavelmente bem planejadas e aplicadas, surtem efeito a curto, médio e longo prazo, pois deve-se pensar nas gerações presentes e vindouras, abrangendo de forma coletiva a nação brasileiro e deixando-se de lado os pensamentos individuais, promovendo opinião pública e mudanças que atendam a todos.
Sabe-se que não é e não será fácil, mas nada é impossível quando se almeja chegar ao que foi planejado.
 
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Aldoir Rodrigues Nepomuceno
Advogado e Jornalista


Fabiana Rankrape


Oscar Menna Barreto Grau
Médico Veterinário

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