Colunistas
 
 
Mariluci Melo Ferreira
 
 
Quando uma campanha de vacinação virou caso de polícia - 01/04/2016
 
Atualmente é comum o lançamento de campanhas nacionais de prevenção de doenças. A população brasileira já está habituada ao calendário das vacinações, e os meios de comunicação são os principais aliados dessas campanhas. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que uma grande campanha de vacinação não teve a adesão das famílias e uma parcela dos políticos. Nos referimos ao Brasil do início do século XX, quando o médico brasileiro Oswaldo Cruz coordenou no Rio de Janeiro, então capital federal, a campanha de combate à febre amarela.
Oswaldo Gonçalves Cruz formou-se médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1892. Realizou estágio no Instituto Pasteur, na França. Retornando ao Brasil em 1899 organizou um laboratório que preparava vacinas contra a peste bubônica doença que atingia a população portuária. Depois dirigiu o Instituto Soroterápico em Manguinhos, mais tarde denominado Instituto Oswaldo Cruz. Em 1903, Rodrigues Alves era o presidente da República. A cidade do Rio de Janeiro, crescia desordenadamente. Sem planejamento, as favelas e cortiços predominavam na paisagem. A rede de esgoto e a coleta de lixo praticamente não existiam. Nesse cenário, doenças como a febre amarela, peste bubônica e a varíola proliferavam. Oswaldo Cruz foi nomeado por Rodrigues Alves para o cargo de diretor-geral da Saúde Pública com a tarefa prioritária de combater a febre amarela, que só no ano de 1902 registrou quase mil casos somente no Rio de Janeiro. Rodrigues Alves implementou projetos de urbanização e saneamento no centro do Rio. Cortiços foram demolidos e seus moradores foram deslocados para as periferias. Funcionários do serviço sanitário e policiais formaram as “Brigadas Mata-Mosquitos”. Focos de mosquito foram combatidos, doentes foram isolados e implantou-se a vacinação obrigatória em toda a população carioca.
A campanha sofreu ferrenha oposição de políticos positivistas e de vários jornais. Revoltada, a população promoveu protestos destruindo bondes, prédios, trens, lojas e bases policiais. A Escola Militar aderiu às manifestações. Foi a chamada Revolta da Vacina. Na imagem, charge da época.
 
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Fabiana Rankrape


Juliana Chilanti Tonial
Advogada especialista em Direito Civil. Mestrada em Direito Ambiental - UCS


Frei Marcelo de Carvalho

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