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O que a eliminação para a Noruega diz sobre o Brasil atual - 10/07/2026

Tabus e ilusões
 do passado
A derrota nas oitavas de final da Copa do Mundo não foi um acidente; foi o resultado previsível de um tabu histórico que insistimos em ignorar. O Brasil nunca venceu a Noruega no futebol masculino, como mencionado inúmeras vezes pela mídia. Ainda assim, entramos em campo com a soberba de quem se ancora em glórias antigas.
Mas este ponto não é sobre esporte ou futebol.
Essa postura reflete perfeitamente a nossa realidade. O país vive uma sensação de crescimento maquiado por pacotes econômicos em ano eleitoral, enquanto os problemas reais continuam sem solução. Confiamos que o tamanho do Brasil resolverá tudo, ignorando os avisos de que o mundo ao redor mudou, se planejou muito melhor e com muito mais antecedência.
 
Desorganização 
versus disciplina
Em campo, o time de Carlo Ancelotti entregou o meio-campo. Foi desorganizado e dependente de lampejos individuais, enquanto a Noruega mostrou a força da disciplina coletiva e da eficiência de Erling Haaland.
Na economia e na política nacional, o cenário é rigorosamente o mesmo. Enfrentamos falta de disciplina fiscal, com as contas públicas operando no vermelho; aumento da inflação, impulsionada por fatores climáticos e tensões globais; além da incerteza e da polarização, que travam os investimentos de longo prazo.
Assistimos a um governo focado em medidas imediatistas de estímulo ao consumo, enquanto a inflação ameaça ultrapassar o teto da meta e os juros continuam sufocantes, na casa dos 14%.
É a tática de chutar a bola para a frente, esperando que o gol aconteça por milagre ou que a goleira se desloque justamente para o lado em que a bola está seguindo.
 
O pênalti desperdiçado 
e o desconto tarde demais
O pênalti perdido por Bruno Guimarães, no primeiro tempo, foi o símbolo das nossas oportunidades desperdiçadas. Tivemos a chance de mudar o rumo das coisas, mas falhamos por nervosismo e falta de foco.
Quando Neymar diminuiu o placar nos acréscimos, a reação foi melancólica, mas já era tarde. Não havia mais tempo, nem fôlego, tampouco qualidade para uma reversão.
O brasileiro comum sente esse atraso na pele todos os dias. As reformas estruturais de que o país precisa - como o corte de privilégios e o controle efetivo dos gastos públicos - são sempre adiadas ou realizadas pela metade. Quando o poder público tenta reagir, o cidadão já está pagando a conta da inflação elevada no supermercado, no vestuário, no transporte e, enfim, em todo o seu orçamento.
O "gol de desconto" da política não melhora a vida de ninguém.
 
A lição do gramado
 para o Planalto
A Noruega, com sua economia estável e planejamento social exemplar, nos deu uma aula de futebol, assim como também dá uma aula de gestão. O Brasil amplia o maior jejum de títulos mundiais de sua história - que agora chegará, no mínimo, a 28 anos - porque se recusa a olhar para o espelho.
Precisamos parar de culpar o juiz ou o azar, seja no futebol da Seleção, seja nos gabinetes de Brasília. O país só voltará a vencer quando trocar o improviso pelo planejamento, o populismo pela responsabilidade e a soberba pelo trabalho duro.
Caso contrário, continuaremos assistindo ao mundo avançar enquanto colecionamos desculpas e oportunidades perdidas. E, ainda, desperdiçaremos tempo ironizando situações que impactam diretamente todas as áreas da nação brasileira.
 
Paralisia de 2026: o país 
sem projeto de Estado
A disputa presidencial deste ano divide o país de tal forma que as atenções estão completamente fragmentadas. Não há debate sobre o amanhã; há apenas a guerra pelo poder de hoje.
Essa divisão criou uma paralisia institucional na qual projetos de Estado foram extintos ou substituídos por promessas de curto prazo. O planejamento de longo prazo foi engavetado, pois os diversos grupos políticos evitam aprovar medidas impopulares, receosos de conceder vitórias aos adversários às vésperas da eleição. A governabilidade continua sendo um balcão de negócios, com o Palácio do Planalto refém das pressões políticas para manter uma base aliada sustentada até o pleito de outubro.
Enquanto os candidatos trocam ataques e alimentam uma permanente guerra de narrativas digitais, a realidade cobra seu preço: inflação, juros elevados e a perda do poder de compra do dinheiro ao longo do tempo.
É a velha tática de jogar para todos os lados, esperando que o país se salve por milagre, enquanto os políticos garantem seus mandatos.
O Brasil só voltará a vencer quando trocar a obsessão pelo próximo ciclo eleitoral por um verdadeiro projeto de país. Enquanto a eleição de 2026 for tratada como o fim do mundo, e não como o início de um planejamento consistente para o futuro, o eleitor continuará assistindo ao restante do planeta avançar, enquanto nós colecionamos desculpas, dívidas e oportunidades perdidas.

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