COLUNISTAS
05/06/2026
SINAL DE ALERTA
Partido Progressista estadual, promoveu a chamada pesquisa interna. E teria sido bem abrangente, ou seja, em nível federal, estadual e municipal. Teve como objetivo “tirar a temperatura” sobre o momento atual. Foi possível rastrear que não é bom o momento da Administração Municipal de Lagoa Vermelha. O índice de desaprovação se apresentou maior em relação ao de aprovação. Foi um dado que chamou a atenção. O índice de desaprovação causou certa perplexidade.
PROBLEMA ANTIGO
É assim que se apresenta o Hospital São Paulo de Lagoa Vermelha. São recorrentes os problemas. Mais recentemente se tornaram mais acentuados. A entrevista que realizamos com o diretor da região Norte do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Rodrigo da Luz, escancarou uma realidade altamente preocupante. Assustadora, dá para se dizer. Estão faltando coisas básicas para o atendimento. Foi de deixar o cabelo em pé. São sérias as deficiências estruturais e operacionais.
CIDADE POLO
- A gente escutou relatos e aí fomos conferir. Teve uma reunião sobre a questão da assistência e prestação de serviço à população de Lagoa Vermelha. A gente sabe que Lagoa Vermelha é uma cidade muito importante da região, é uma cidade polo. Recebe outras cidades. E a situação que a gente teve preocupou muito. Inicialmente a preocupação é pelo seguinte: pela falta de remuneração e pagamento dos profissionais de saúde. Não é só pelo recebimento. Daqui a pouco, a gente vai começar a ter falta de profissionais para atendimento - disse inicialmente Marcelo Rodrigo da Luz.
PRECARIZAÇÃO
Prosseguiu Marcelo da Luz.
- Os profissionais que prestam atendimento ali também nos relataram algumas situações que a gente constatou em visita ao hospital, quanto à precariedade em que está. A gente teve uma reunião com as lideranças de Lagoa Vermelha para confirmar todas as informações. A situação da precarização do hospital nos deu uma grande preocupação, porque isso interfere diretamente na saúde da população. A gente cobra muito do atendimento dos médicos, mas nada como o médico que está no dia a dia aí em Lagoa Vermelha para saber das dificuldades que eles estão passando para o atendimento ao público.
TRISTE REALIDADE
Dr. Marcelo expôs a dura realidade do Hospital São Paulo.
- Para se ter uma ideia, há falta de equipamentos. Há equipamentos que não funcionam. Na parte de cirurgia, há falta de auxílio médico. Em uma cirurgia de urgência, o médico tem que entrar numa cirurgia complicada, sozinho, sem ter o auxílio de outro médico. Isso nos preocupou demais. Insuficiência de instrumentação cirúrgica, precarização de equipamentos e até problema de higienização. Deficiência de insumos indispensáveis. A gente teve uma reunião com os médicos, a preocupação deles é com as condições para o atendimento. É triste a realidade. Da forma que eles fazem, com o material que existe, dá para chamá-los de heróis. Não tem como realizar um bom atendimento ou salvar uma vida se não tiver condição mínima. A gente tem que tomar uma posição, não tem mais o que segure essa situação na cidade.
O BÁSICO
Dr. Marcelo detalha o quadro caótico.
- Tem um aparelho de pressão, um esfigmomanômetro, um estetoscópio para serem usados entre três ou quatro especialistas e ainda a enfermagem. Coisas mínimas que estão faltando e que fazem grande diferença.
- Na questão de insumos, o que que basicamente está faltando, Dr. Marcelo? - indagamos.
- A questão ali mais é de material mesmo. Não cabe mais ao Conselho Regional de Medicina fazer a fiscalização quanto a falta de material para insumo. A gente não fez essa fiscalização. A gente viu mais a adequação e as condições de trabalho que estão acontecendo do hospital - comentou.
Insumos hospitalares são todos os produtos, materiais de consumo e medicamentos utilizados para atendimento, diagnóstico e tratamento de pacientes. Eles garantem a segurança e a higiene nos procedimentos médicos. E aí há relatos de que familiares de pacientes tem que comprar medicamentos. E que há falta, às vezes, até de lençol para troca.
ATRASO SALARIAL
- Qual é o atraso que se verifica na questão do pagamento aos profissionais médicos? - perguntamos.
- Esses atrasos são recorrentes. Já vêm de anos anteriores, mas ultimamente o que a gente viu é um atraso de pelo menos quatro a cinco meses - respondeu Marcelo.
UM BASTA
Dr. Marcelo se mostrou pragmático.
- Segunda-feira, a gente estará enviando uma comunicação extrajudicial, com todos esses apontamentos do que foi visto, da questão de equipamentos, das urgências, do que estamos apontando de preocupação e de risco à população. Já estamos agendando um retorno à Lagoa Vermelha. Acredito que seja no dia 11 para saber quais são as providências reais. Porque de promessa, está todo mundo cansado em Lagoa Vermelha. Não são só os médicos, não são só os profissionais de saúde, mas a própria população está cansada de enrolação durante todo esse período da Fundação Araucária.
MEDIDAS NECESSÁRIAS
- A gente quer alguma coisa concreta dessa reunião que vai haver com a Fundação Araucária. Dali a gente já tem uma reunião com os prefeitos, tanto com o de Lagoa Vermelha, quanto das cidades de Caseiros, Ibiraiaras e Capão Bonito do Sul. A partir disso, serão tomadas as medidas necessárias. Ministério Público, Conselho Regional de Medicina, o que for preciso para garantir a saúde da população - sentenciou Marcelo da Luz.
RISCOS
- Uma vez não sendo tomadas as devidas providências, no que poderia resultar todo esse cenário? - questionamos.
- Olha, no pior possível, e o que eu fico mais preocupado é com o possível embargo ou o fechamento de serviços essenciais para Lagoa Vermelha. Não tendo profissionais para atender, por exemplo, na área da obstetrícia. 80% do bloco cirúrgico hoje do Hospital São Paulo é da ginecologia e obstetrícia. Penso que a Lagoa Vermelha é muito maior e poderia ter muito mais procedimentos, mas é uma questão bastante sensível. Os profissionais estão bem desanimados não tendo as condições, principalmente de trabalho, não tendo a condição de atender a população como tem que ser atendida. Colocando a população em risco, eu penso que a tendência, se não for tomada uma conduta - e temo muito - é o fechamento de alguns setores do hospital, como foi feito agora com o serviço de endoscopia e colonoscopia. Aí imagina, mandar pacientes de ambulância para outros municípios, não tendo serviço na cidade. Uma paciente em trabalho de parto, um baleado, esfaqueado, alguém com risco de vida - respondeu Marcelo da Luz.
SEM RAZÃO DE SER
Município de Lagoa Vermelha colocou um funcionário para atuar junto ao Hospital São Paulo. O que se imaginava é que seria na parte administrativa, principalmente no que tange aos recursos que entram e que saem. Sim, porque sempre houve cobranças quanto a uma maior transparência nesse sentido. Pelo que o prefeito Morona informou, esse funcionário não tem acesso aos números do hospital. Receita, despesa etc. Sua atuação seria operacional.
Neste caso, não haveria necessidade dessa cedência.


Radar ON-LINE: