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Ainda sobre os 400 anos... - 19/06/2026
Cotyguazú: hospital, asilo e albergue para as índias guarani
O cotyguazú desempenhava diversas funções que se complementavam. Na maioria das vezes, servia como hospital, asilo e albergue para as mulheres indígenas, revelando a importância desse organismo dentro da organização social guarani.
Entre suas atribuições estavam prestar assistência às mulheres idosas e doentes; acolher mulheres solteiras e também mulheres casadas sem filhos durante a ausência de seus maridos, que se encontravam em guerras, tropeadas ou em longas jornadas para a coleta de erva-mate, distante da sede da redução, evitando, assim, possíveis casos de infidelidade. O local também tinha a função de promover a reeducação de mulheres que tivessem cometido algum delito ou daquelas consideradas, à época, “de vida ligeira”. Em uma carta dirigida ao padre Calatayud, no ano de 1747, o padre Cardiel descreve a função do cotyguazú em relação às mulheres:
“Entram nessa casa todas as viúvas de má fama, e as de boa fama que quiserem, sem obrigá-las, e o mesmo às que têm seus maridos ausentes, ou por terem fugido ou em alguma viagem longa em prol do povo, sem tampouco obrigar a estas, senão em caso de terem cometido algum delito contra a castidade.”
No cotyguazú, as mulheres consideradas “de má fama” - isto é, aquelas que haviam cometido algum delito ou que, segundo os costumes da época, representavam ameaça à boa convivência por uma possível prática de infidelidade - permaneciam em um aposento separado das viúvas, das idosas sem assistência familiar, das doentes e das crianças. Sob esse aspecto, o cotyguazú podia ser entendido, em um primeiro momento, como uma casa de correção ou mesmo um presídio; já em outro, configurava-se como uma importante instituição de assistência social.


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