COLUNISTAS

26/06/2026

O TABULEIRO POLÍTICO DA CÂMARA EM LAGOA VERMELHA
A atual legislatura da Câmara de Vereadores de Lagoa Vermelha apresenta um cenário político interessante: nenhum partido, isoladamente, domina totalmente o debate público. O PP aparece como a maior força institucional, com nomes de peso e presença direta na base do governo municipal. O PL vem buscando ocupar espaço com atuação mais afirmativa. O Podemos tenta se posicionar como força de fiscalização, especialmente em pautas sensíveis como saúde. PT e PDT, mesmo com bancadas menores, têm conseguido marcar presença em debates importantes e em articulações conjuntas.
Nas eleições de 2024, o PP elegeu nomes expressivos como Josmar Veloso, Charise Bresolin, Dr. Kramer e Geni Merib; o PL chegou com Maninho, Cleon Piva e Viego Santos; o PDT com Ariovaldo Charuto e Ranyeri Bozza; o Podemos com Clacir Bonatto; e o PT com Paula Castilhos.
 
O PESO DA RESPONSABILIDADE PARA O PP
O PP, por estar ligado ao comando do Executivo, carrega naturalmente o peso da responsabilidade administrativa. É o partido que mais precisa equilibrar defesa do governo, respostas à comunidade e preservação de capital político para os próximos anos. Dr. Kramer, por exemplo, tem aparecido em pautas ligadas à saúde, defendendo dados, números e a necessidade de compreender os limites financeiros do município. O desafio do PP será não parecer apenas governo, mas também demonstrar capacidade de escuta e resposta.
 
O ESPAÇO QUE O PL BUSCA CONSOLIDAR
O PL, por sua vez, tenta construir protagonismo próprio. A bancada liberal tem espaço para crescer politicamente se conseguir transformar presença em discurso, discurso em pauta e pauta em resultado. O partido parece buscar um caminho de afirmação, sem necessariamente ficar preso à lógica tradicional de situação ou oposição. Esse é o ponto central: o PL precisa mostrar se será apenas uma bancada de apoio em alguns temas ou se pretende ser uma força política com projeto próprio para Lagoa Vermelha.
 
PODEMOS E A CONSTRUÇÃO DE UMA IMAGEM FISCALIZADORA
O Podemos tem em Clacir Bonatto um dos nomes mais ativos da legislatura. A aprovação do parcelamento do ITBI, pauta de autoria do vereador, mostrou capacidade de apresentar propostas concretas. Na questão do Hospital São Paulo, o partido viveu um movimento interessante: ao mesmo tempo em que participou do debate sobre CPI, também apareceu a posição de cautela, defendendo que o Ministério Público poderia ser o caminho mais adequado para uma investigação ampla. Essa postura pode ser lida como tentativa de fugir do desgaste político e buscar uma imagem mais técnica.
 
O PAPEL DO PT NO DEBATE PÚBLICO
O PT, com Paula Castilhos, mantém uma atuação de oposição programática, especialmente em temas sociais, saúde pública e políticas de atendimento à população. Mesmo com bancada pequena, o partido consegue ocupar espaço quando o debate envolve SUS, recursos públicos e responsabilidades do município, Estado e União. O desafio do PT é ampliar presença sem ficar restrito apenas ao papel de crítica.
 
PDT E A BUSCA POR PROTAGONISMO
O PDT tem uma tradição política importante no município e aparece com nomes como Ariovaldo Charuto e Ranyeri Bozza. A bancada tem potencial para ser uma ponte entre diferentes campos, especialmente quando o debate exige articulação. Em pautas como saúde, educação e serviços públicos, o PDT pode crescer se conseguir assumir uma postura mais propositiva e menos reativa.
 
A SAÚDE COMO PRINCIPAL TESTE POLÍTICO
O tema que mais testou os partidos entre 2025 e 2026 foi, sem dúvida, a saúde. A crise envolvendo o Hospital São Paulo, o debate sobre CPI, a busca pelo Ministério Público, os repasses públicos e a preocupação com a continuidade dos serviços colocaram todas as bancadas diante de uma cobrança maior da população. Nesse ponto, as diferenças partidárias ficaram mais visíveis, mas também houve momentos de convergência entre PP, PL, Podemos, PT e PDT em torno da necessidade de investigação, fiscalização ou busca de soluções.
 
UMA CÂMARA PLURAL E EM MOVIMENTO
O cenário mostra uma Câmara mais fragmentada, porém politicamente viva. O PP precisa sustentar o governo. O PL quer crescer. O Podemos tenta se consolidar como fiscalizador. O PT busca marcar posição social e política. O PDT procura manter espaço e influência. Para a comunidade, o que importa é que essa disputa não fique apenas no campo partidário, mas resulte em soluções práticas.
 
O QUE ESTÁ EM JOGO PARA OS PRÓXIMOS ANOS
Em Lagoa Vermelha, 2025 e 2026 deixam uma lição clara: a próxima força política a crescer não será necessariamente a que falar mais alto, mas a que conseguir apresentar respostas mais consistentes para saúde, desenvolvimento, infraestrutura, geração de empregos e qualidade dos serviços públicos.
 
URGEMED DÁ UM NOVO PASSO NA SAÚDE REGIONAL
Uma boa notícia para Lagoa Vermelha e toda a região vem do setor da saúde privada. A Urgemed anunciou a ampliação de sua estrutura operacional e, em breve, passará a contar com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Móvel, além de ampliar sua frota de ambulâncias de suporte básico.
O anúncio, feito pelo proprietário Gustavo Dutra, representa um avanço importante para o atendimento de urgência e emergência. A chegada de uma UTI Móvel reduz o tempo de resposta em situações críticas e fortalece a capacidade de remoção de pacientes de alta complexidade, especialmente em uma região onde o deslocamento para centros maiores faz parte da rotina.
Mais do que ampliar veículos, a iniciativa demonstra um movimento de profissionalização e investimento em uma área cada vez mais essencial. O transporte adequado de pacientes graves pode significar a diferença entre a vida e a morte, principalmente em ocorrências nas rodovias e nos municípios vizinhos.
Lagoa Vermelha consolida, aos poucos, sua posição como polo regional de serviços. Investimentos privados na área da saúde complementam a estrutura pública e contribuem para ampliar a capacidade de atendimento, beneficiando não apenas os lagoenses, mas dezenas de municípios do entorno.
A expectativa agora é pela entrada em operação da nova UTI Móvel, um investimento que certamente elevará o nível dos serviços de atendimento pré-hospitalar e transporte especializado na região.
 
A BR-470 E A ESPERA QUE JÁ DURA DÉCADAS
Quando se fala em infraestrutura regional, poucas obras carregam tanta expectativa quanto a conclusão da BR-470 entre Barretos, em Capão Bonito do Sul, e André da Rocha. Diferentemente de outros trechos da rodovia, onde os investimentos recentes estiveram voltados à recuperação e modernização, a principal reivindicação do Nordeste gaúcho continua sendo a mesma há décadas: tirar do papel a pavimentação do trecho ainda não asfaltado.
A discussão não é nova. Porém, entre 2025 e 2026, o assunto voltou a ganhar força política e institucional. O que mudou é que a região passou a acompanhar avanços concretos relacionados aos estudos e projetos necessários para viabilizar a futura obra. 
 
UMA REIVINDICAÇÃO QUE VAI ALÉM DE LAGOA VERMELHA
Embora Lagoa Vermelha seja uma das principais interessadas, a conclusão da BR-470 beneficia toda uma região. O trecho permitiria uma ligação mais eficiente entre o Nordeste gaúcho, a Serra, o Vale do Taquari e outras regiões do Estado.
O impacto não seria apenas para motoristas. A pavimentação representa potencial de redução de custos logísticos, fortalecimento do turismo, valorização de propriedades, atração de investimentos e aumento da segurança viária. Trata-se de uma obra de desenvolvimento regional e não apenas de mobilidade. 
 
O QUE HOUVE DE CONCRETO EM 2025 E 2026
Ao contrário do que muitos imaginam, o projeto não está parado. Durante 2025 foram divulgadas informações sobre o andamento dos estudos técnicos e dos projetos relacionados ao trecho entre Barretos e André da Rocha. Lideranças regionais acompanharam reuniões em Brasília e junto ao DNIT buscando acelerar a elaboração da documentação necessária para viabilizar a futura pavimentação. Além disso, o DNIT incluiu a pavimentação do trecho de aproximadamente 50 quilômetros entre Barretos e André da Rocha entre as melhorias consideradas dentro dos estudos de viabilidade da BR-470. Esse é um passo importante, porque nenhuma grande obra federal avança sem estudos técnicos, ambientais e econômicos devidamente concluídos. 
 
O MAIOR DESAFIO NÃO É MAIS POLÍTICO
Durante muitos anos, a principal dificuldade era fazer com que Brasília reconhecesse a importância da obra. Hoje, a percepção é diferente.
Praticamente não existe contestação regional sobre a necessidade da pavimentação. Prefeitos, vereadores, lideranças empresariais e entidades representativas defendem a conclusão do trecho. O desafio atual passa a ser transformar consenso político em prioridade orçamentária. Em outras palavras: o projeto precisa disputar espaço com centenas de obras federais espalhadas pelo país.
 
A REGIÃO NÃO PODE PERDER O MOMENTO
Existe um fator que merece atenção. Nos últimos anos, o Governo Federal ampliou investimentos em infraestrutura logística e o Rio Grande do Sul recebeu recursos expressivos após os eventos climáticos que atingiram o Estado.
Esse cenário cria uma janela de oportunidade. Se houver mobilização regional permanente, articulação política e manutenção do tema na agenda pública, a BR-470 pode avançar para uma nova etapa. Se a pressão diminuir, o risco é que a obra volte a permanecer apenas nos estudos.
 
MAIS DO QUE ASFALTO, UMA QUESTÃO DE FUTURO
Talvez a maior reflexão seja esta: a pavimentação entre Barretos e André da Rocha não deve ser vista apenas como uma obra rodoviária.
Ela representa integração regional. Representa competitividade econômica. Representa oportunidades para municípios como Lagoa Vermelha, Capão Bonito do Sul, André da Rocha e Nova Prata.
A região conquistou algo importante nos últimos meses: o assunto voltou à pauta dos órgãos federais e dos representantes políticos. Agora, o próximo desafio é transformar projetos, estudos e promessas em máquinas trabalhando na estrada. Porque, para o Nordeste gaúcho, a BR-470 deixou de ser apenas uma reivindicação histórica. Ela se tornou uma necessidade estratégica para o futuro da região. 

Outras colunas deste Autor