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24/07/26

Conselho Municipal de Saúde cobra participação no debate e defende transparência na gestão do Hospital São Paulo 

A presidente do Conselho Municipal de Saúde de Lagoa Vermelha, assistente social Denise Ferreira Oliveira, afirmou que o colegiado ainda não recebeu comunicação oficial sobre as recentes mudanças envolvendo o Hospital São Paulo. 
A manifestação ocorreu durante entrevista concedida ao jornal Folha do Nordeste. Entre os assuntos abordados estiveram a chegada da nova superintendência, as reuniões realizadas com prefeitos, vereadores e representantes da imprensa, a situação financeira da instituição, a possibilidade de participação da comunidade na gestão hospitalar e os principais desafios atualmente enfrentados pela saúde pública municipal.
 
Conselho não foi chamado para as reuniões
 
Denise explicou que o Conselho Municipal de Saúde vem acompanhando as informações divulgadas pela imprensa e os debates realizados na comunidade, mas não foi convidado a participar das reuniões promovidas pela nova direção do Hospital São Paulo. Segundo ela, a ausência de uma comunicação formal impede que o colegiado apresente, neste momento, uma posição oficial sobre as mudanças administrativas e sobre o futuro da instituição.
“Enquanto conselho, oficialmente não fomos notificados de nenhuma dessas mudanças. Por isso, fica difícil dizer qual é o posicionamento do colegiado”, explicou. A presidente informou que o assunto deverá ser incluído na próxima plenária do conselho. A reunião servirá para que os integrantes conheçam melhor a situação, analisem as informações disponíveis e discutam de que forma o órgão poderá contribuir.
 
Hospital possui 
representação no colegiado
 
O Hospital São Paulo possui assento titular e suplente no Conselho Municipal de Saúde. Por essa razão, Denise espera que os representantes da instituição apresentem oficialmente as mudanças, as dificuldades financeiras e as perspectivas para os próximos meses. Para ela, a participação do hospital nas reuniões pode ampliar o diálogo e permitir que o conselho cumpra sua função de acompanhar, fiscalizar e colaborar com as políticas públicas de saúde. “Nós aguardamos que o representante do hospital venha nos trazer essas demandas. A partir disso, poderemos formalizar uma opinião e, principalmente, contribuir para a busca de soluções”, afirmou.
 
Déficit de R$ 400 mil causou preocupação
 
Durante a entrevista, Denise Oliveira também comentou o déficit operacional mensal de aproximadamente R$ 400 mil apresentado pela nova direção do Hospital São Paulo. Segundo ela, o valor surpreendeu o conselho e a própria comunidade, especialmente por representar montante próximo ao que o Município repassa mensalmente à instituição hospitalar.
Denise reconheceu que os custos da saúde cresceram significativamente nos últimos anos e que a defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde influencia diretamente a situação financeira dos hospitais. Mesmo diante dessas justificativas, ela considera o déficit extremamente preocupante e defende que as informações sejam apresentadas de maneira detalhada e transparente. “São valores muito altos. Sabemos que os insumos aumentaram e que a tabela do SUS está defasada há muitos anos, mas não imaginávamos que o déficit chegasse a esse patamar”, declarou.
 
Comunidade pode ajudar, 
mas precisa de organização
 
Questionada sobre a possibilidade de a comunidade assumir a administração do Hospital São Paulo, Denise avaliou que qualquer iniciativa nesse sentido exigiria planejamento, organização e a participação conjunta da sociedade civil e do Poder Público. Atualmente, a instituição está vinculada juridicamente à Fundação Araucária. Por esse motivo, na avaliação da presidente, a comunidade pode colaborar, mas uma eventual mudança na forma de administração dependeria da criação de uma estrutura formal e de uma estratégia claramente definida.
“Depende da formação de uma comissão, de organização e da participação da sociedade civil e do Poder Público. A comunidade pode auxiliar, mas precisa saber qual é o objetivo e quais caminhos serão adotados”, observou.
“É o nosso hospital”
 
Denise destacou que o Hospital São Paulo é a principal referência imediata da população de Lagoa Vermelha em situações de urgência e emergência. Mesmo quando pacientes precisam ser encaminhados a centros maiores, como Passo Fundo, o primeiro atendimento normalmente ocorre na própria cidade. Por essa razão, ela entende que a comunidade precisa desenvolver um sentimento de pertencimento e participar do esforço para fortalecer a instituição. “É o nosso hospital de Lagoa Vermelha. Quando surge uma emergência, a primeira porta em que vamos bater é a do nosso hospital. Se o hospital estiver bem, toda a comunidade estará bem”, ressaltou.
 
Aproximação precisa ser ampliada
 
A presidente relatou que, em comparação com gestões anteriores, o Hospital São Paulo passou a participar mais ativamente das reuniões do Conselho Municipal de Saúde. Essa aproximação, segundo ela, já trouxe resultados positivos em algumas áreas, especialmente no atendimento de pacientes da saúde mental. Denise atua profissionalmente no Centro de Atenção Psicossocial e explicou que o diálogo entre o CAPS e o hospital tem permitido organizar melhor o tratamento e o atendimento de determinadas demandas.
Para a presidente, a tendência deve ser de ampliar essa integração, aproximando o hospital, a Secretaria Municipal da Saúde, o conselho e os demais serviços da rede pública.
 
Conselho fiscaliza e delibera sobre a saúde
 
Durante a entrevista, Denise também explicou o papel desempenhado pelo Conselho Municipal de Saúde. O órgão é responsável por acompanhar, fiscalizar e deliberar sobre políticas, programas, investimentos e ações desenvolvidas na área da saúde. Questões relacionadas à compra de medicamentos, realização de exames, aplicação de recursos e organização dos serviços passam pela análise dos conselheiros. “O conselho é a forma que a comunidade possui para participar da gestão da saúde. Nós analisamos as demandas, aprovamos aquilo que está correto e questionamos o que precisa ser revisto”, explicou. As reuniões são realizadas na Secretaria Municipal da Saúde, às 16h, e são abertas à participação da população. Não há necessidade de inscrição prévia.
 
União dos bairros deverá 
ampliar representatividade
 
Uma das mudanças que está sendo encaminhada pelo conselho é a inclusão da União das Associações de Bairros entre as entidades representadas no colegiado. Denise defende essa participação desde sua passagem anterior pela presidência. Segundo ela, as lideranças comunitárias mantêm contato direto com os moradores e conhecem as principais dificuldades enfrentadas nos bairros. A presença da entidade poderá facilitar o encaminhamento das demandas da população à gestão municipal e fortalecer o controle social sobre as políticas públicas.
Falta de profissionais preocupa
 
Além da situação do Hospital São Paulo, a presidente apontou a falta de profissionais como um dos principais desafios enfrentados pela saúde municipal.
A maior preocupação, neste momento, está relacionada à área da psicologia, que possui elevada demanda e filas prolongadas de espera. Segundo Denise, existem relatos de pacientes aguardando atendimento psicológico há mais de um ano. 
A expectativa é de que a convocação de profissionais aprovados no último concurso público contribua para reduzir gradativamente essas filas. “A demanda da psicologia é muito grande. Temos pessoas aguardando há bastante tempo, mas existe uma perspectiva positiva com a contratação de novos profissionais”, afirmou.
 
Exames e consultas 
especializadas dependem do estado
 
Outro problema destacado por Denise é a demora na realização de exames especializados e consultas com médicos especialistas. Ela explicou que muitos desses atendimentos são de responsabilidade do Governo do Estado, o que limita a capacidade de solução direta por parte do Município. Na avaliação da presidente, a quantidade de vagas disponibilizadas ainda é insuficiente diante da demanda existente em Lagoa Vermelha.
“O Município consegue atender a atenção básica, mas, quando o paciente precisa avançar para a média ou alta complexidade, surgem os entraves relacionados às vagas para exames e especialistas”, explicou. 
Denise reconheceu os investimentos municipais na rede básica, incluindo a construção de uma nova unidade de saúde, mas reforçou que a continuidade dos tratamentos depende de maior participação estadual.
 
Expectativa é por uma gestão transparente
 
Ao concluir a entrevista, a presidente do Conselho Municipal de Saúde afirmou que espera transparência por parte da nova administração do Hospital São Paulo. Ela também defendeu que a comunidade seja chamada a participar das discussões e tenha acesso às informações relacionadas à situação financeira, aos serviços prestados e aos projetos futuros da instituição. 
“A nossa expectativa é de uma gestão transparente, que permita ao conselho e à comunidade colaborar. Queremos ver o hospital funcionando regularmente, crescendo e, principalmente, saudável financeiramente”, concluiu Denise Oliveira.

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