COLUNISTAS
24/07/2026
MUITAS VOZES, UM MESMO OBJETIVO
Ao longo dos últimos dias, ouvimos diferentes personagens diretamente envolvidos na maior discussão sobre a saúde pública de Lagoa Vermelha dos últimos anos. Presidente da Câmara, procurador jurídico do Município, presidente de partido político, presidente do Conselho Municipal de Saúde e direção do Hospital apresentaram suas posições sobre um tema que ultrapassa qualquer divergência partidária. Embora cada entrevistado tenha abordado o assunto sob perspectivas distintas, um ponto em comum apareceu em praticamente todas as manifestações: o Hospital São Paulo precisa ser preservado.
A CÂMARA ASSUME O
PAPEL DE FISCALIZAÇÃO
O presidente do Legislativo, Luiz Carlos Kramer, deixou claro que a Câmara seguirá o rito previsto no Regimento Interno para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Sua postura foi de separar a função institucional do debate político, lembrando que, uma vez preenchidos os requisitos legais, cabe à Presidência encaminhar os procedimentos para que a comissão seja formada. Mais do que uma posição pessoal, trata-se do cumprimento de uma atribuição institucional do Poder Legislativo.
O EXECUTIVO DEFENDE
AS PROVIDÊNCIAS ADOTADAS
Pela Administração Municipal, o procurador Carlos Magno Dondé de Oliveira destacou que o Executivo tomou providências imediatas ao instaurar sindicância administrativa e revogar a cedência do servidor envolvido. Também chamou atenção ao defender que a investigação administrativa já estava em andamento antes mesmo da instalação da CPI, deixando claro que uma apuração não exclui a outra.
É uma demonstração de que os diferentes mecanismos de controle podem atuar paralelamente, cada um dentro de suas competências.
O POSICIONAMENTO POLÍTICO DO PL
Na esfera partidária, Alvicio José Teles explicou que a adesão do Partido Liberal ao pedido de CPI ocorreu após o surgimento de novos fatos e documentos. Sua entrevista mostrou que a decisão não foi apresentada como uma ruptura política, mas como uma resposta ao aumento das dúvidas existentes na comunidade.
Ao defender que a investigação seja conduzida com transparência e responsabilidade, o dirigente também procurou afastar qualquer interpretação de julgamento antecipado.
O CONSELHO DE SAÚDE
PEDE PARTICIPAÇÃO
Talvez uma das manifestações mais significativas tenha sido a da presidente do Conselho Municipal de Saúde, Denise Oliveira. Ao afirmar que o conselho ainda não foi oficialmente comunicado sobre as mudanças no hospital, ela trouxe um aspecto pouco debatido até então: a necessidade de ampliar a participação dos órgãos de controle social nas discussões. Sua fala reforça que a gestão da saúde não se resume aos Poderes Executivo e Legislativo. O Conselho Municipal de Saúde possui atribuições legais de fiscalização, deliberação e acompanhamento das políticas públicas, razão pela qual sua participação tende a enriquecer o debate.
O DIAGNÓSTICO MAIS PREOCUPANTE
Entre todas as entrevistas realizadas, um dado permaneceu presente em praticamente todas as análises: o déficit financeiro apresentado pela nova direção do Hospital São Paulo.
Independentemente das discussões políticas, o problema estrutural da instituição permanece. A defasagem da tabela SUS, o aumento dos custos hospitalares e a dificuldade de equilíbrio financeiro não são problemas exclusivos de Lagoa Vermelha, mas ganharam uma dimensão concreta quando os números passaram a ser apresentados de forma pública. Talvez este seja, de fato, o maior desafio.
TRANSPARÊNCIA É O CAMINHO
Outro aspecto que apareceu de forma recorrente foi a defesa da transparência. Seja na atuação da Câmara, na sindicância administrativa, na futura CPI, na participação do Conselho Municipal de Saúde ou na apresentação do diagnóstico financeiro pela nova direção, todas as manifestações convergem para a necessidade de esclarecer os fatos. Uma comunidade bem informada compreende melhor os problemas e participa de maneira mais responsável da construção das soluções.
O HOSPITAL NÃO PODE SER O PERDEDOR
Em meio às investigações, aos posicionamentos políticos e às discussões jurídicas, existe um risco que precisa ser evitado: transformar o Hospital São Paulo em vítima do próprio debate. A instituição continua atendendo pacientes diariamente. Pessoas continuam chegando à emergência, realizando consultas, procedimentos e internações. Enquanto as investigações seguem seu curso, a assistência à população não pode sofrer retrocessos.
A MAIOR RESPONSABILIDADE
Talvez a principal conclusão de toda essa sequência de entrevistas seja justamente esta: as instituições estão fazendo aquilo que delas se espera.
O Legislativo fiscaliza.
O Executivo apura administrativamente.
O Conselho de Saúde reivindica participação.
Os partidos políticos apresentam seus posicionamentos.
A direção do hospital expõe a realidade financeira.
Agora, o maior desafio será transformar esse conjunto de ações em soluções concretas. Porque, ao final de qualquer investigação, a comunidade continuará esperando pelo mesmo resultado: um Hospital São Paulo financeiramente equilibrado, transparente, fortalecido e preparado para continuar cumprindo sua missão de cuidar da saúde de Lagoa Vermelha e de toda a região.
FOGO AMIGO DENTRO
DA BASE GOVERNISTA
À medida que as eleições de 2026 se aproximam, torna-se inevitável perceber uma disputa que começa a ganhar forma nos bastidores da política de Lagoa Vermelha. De um lado está Ronaldo Santini, deputado estadual pelo Podemos e pré-candidato à reeleição. Do outro, Sandro do Covatti, nome do Progressistas que se prepara para disputar pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa.
O componente que torna essa concorrência particularmente delicada é o fato de PP e Podemos dividirem o comando da administração municipal. O prefeito Eloir Morona pertence ao Progressistas, enquanto o vice-prefeito Alessandro Muliterno integra o Podemos. São partidos aliados no governo municipal, mas que terão interesses próprios e potencialmente conflitantes na eleição estadual.
A EXPECTATIVA DE SANTINI
Santini já declarou, em diferentes oportunidades à nossa reportagem, que espera contar com o apoio das lideranças da atual administração. Seu argumento está fundamentado nos serviços prestados ao município, na destinação de recursos e na relação política mantida com Lagoa Vermelha e com o governo de Eloir Morona. Essa expectativa, contudo, encontra uma barreira partidária evidente. Sandro do Covatti é pré-candidato do partido do próprio prefeito. Politicamente, seria muito difícil imaginar que o Progressistas de Lagoa Vermelha deixasse de apoiar oficialmente seu candidato para aderir integralmente ao projeto eleitoral de Santini.
O DILEMA DA BASE ALIADA
É importante fazer uma distinção: quando se fala em apoio da administração, a referência deve ser ao posicionamento político do prefeito, do vice, dos vereadores e das lideranças da base, jamais ao uso da estrutura pública. A Prefeitura, enquanto instituição, deve permanecer distante das campanhas eleitorais. No campo político, porém, a situação é complexa. Santini considera possuir credenciais para reivindicar o apoio das lideranças municipais. Sandro do Covatti, por sua vez, terá o argumento partidário e a expectativa natural de receber o respaldo do PP local, especialmente por ser o partido do prefeito.
Está formado, portanto, um cenário de “fogo amigo”. Não necessariamente uma ruptura entre PP e Podemos, mas uma disputa dentro da própria casa. Uma aliança construída para governar o município não significa, obrigatoriamente, unidade em todas as eleições seguintes.
O TESTE DA ALIANÇA
O certo é que as lideranças acabem dividindo seus apoios: o PP acompanhando Sandro do Covatti e o Podemos trabalhando pela reeleição de Ronaldo Santini. Isso preservaria formalmente a aliança administrativa, mas deixaria cada partido responsável por defender seu próprio projeto eleitoral.
O desafio será impedir que essa concorrência transborde para o funcionamento do governo municipal. Até aqui, trata-se de uma disputa por espaço, apoio e protagonismo. Entretanto, quanto mais próximo estiver o período eleitoral, maior será a pressão para que prefeito, vice, vereadores e demais lideranças revelem de maneira clara em qual palanque estarão.
FILIAÇÕES TAMBÉM MOVEM O TABULEIRO
PODEMOS GANHA DUAS EX-VEREADORAS
A disputa entre Progressistas e Podemos não ocorre somente em torno das pré-candidaturas a deputado estadual. Ela também aparece na busca por novas filiações e no fortalecimento das estruturas partidárias locais. A ex-vereadora Marina Bussolotto, que construiu sua trajetória política dentro do PP, deixou a sigla para ingressar no Podemos. Nas redes sociais do partido, ela já aparece ao lado do presidente municipal da legenda, Rafael Borges, demonstrando sua integração ao novo grupo político. Mais recentemente, a ex-vereadora Ruth Bussolotto também deixou o Progressistas para se filiar ao Podemos. Mãe e filha exerceram mandatos de vereadora pelo PP e agora passam a integrar justamente o partido de Ronaldo Santini e Alessandro Muliterno.
MAIS DO QUE SIMPLES FILIAÇÕES
Não se trata apenas da troca de legenda de duas filiadas. O Podemos incorpora duas lideranças femininas conhecidas, com experiência eleitoral, atuação comunitária e uma história construída na política lagoense. Em sentido contrário, o Progressistas perde dois nomes que durante anos estiveram associados à sigla.
Toda mudança partidária envolve decisões pessoais e políticas que devem ser respeitadas. Entretanto, a leitura dos bastidores é inevitável. As filiações fortalecem o Podemos no município e ampliam o grupo ligado ao projeto político de Ronaldo Santini e de Rafael Borges.
É uma espécie de fogo amigo também na formação das nominatas e na disputa por lideranças. PP e Podemos continuam aliados na administração, mas competem por filiados, espaços e influência sobre o mesmo eleitorado.
A CAMPANHA APENAS COMEÇOU
Por enquanto, a aliança municipal permanece preservada. Contudo, as movimentações demonstram que a eleição de 2026 colocará à prova a capacidade dos dois partidos de separar a parceria administrativa da concorrência eleitoral. A grande questão não é mais saber se haverá disputa entre Santini e Sandro dentro da base governista. Essa disputa já está estabelecida. O que ainda precisa ser observado é até onde ela avançará e quais reflexos poderá produzir na política e na administração de Lagoa Vermelha.


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