COLUNISTAS
07/08/2026
“NUNCA FUI FUNCIONÁRIA
FANTASMA”, AFIRMA ROSELAINE
A denúncia envolvendo um suposto caso de “funcionária fantasma” na Prefeitura de Lagoa Vermelha ganhou novo capítulo na quarta-feira (5), quando a diretora da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Capão Bonito do Sul, Roselaine de Lima Cordeiro (MDB), decidiu se manifestar.
Em entrevista ao Folha News, apresentou sua versão, explicou a cedência entre os dois municípios e afirmou jamais ter agido de má-fé. Roselaine respondeu aos questionamentos surgidos após a denúncia apresentada por vereadores da oposição de Lagoa Vermelha. Confirmou que recebeu remuneração dos dois municípios durante determinado período, mas sustentou que comunicou imediatamente o setor de Recursos Humanos de Lagoa Vermelha. Conforme relatou, recebeu orientação para continuar recebendo normalmente e, por isso, acreditava que o procedimento estava regular.
“FOI UM CHOQUE RECEBER A INTIMAÇÃO”
Roselaine afirmou ter sido surpreendida pela notificação encaminhada pelo Ministério Público. Segundo ela, jamais imaginava ser alvo de uma apuração dessa natureza, pois entendia que a cedência havia ocorrido dentro da legalidade. “Eu fiquei muito surpresa quando recebi a intimação. Nós tínhamos um convênio entre Lagoa Vermelha e Capão Bonito do Sul, tudo documentado. Quando chegou o pedido do Ministério Público, perguntando por que eu estaria recebendo dos dois municípios, realmente foi um choque”, afirmou.
Ela explicou que decidiu conceder a entrevista para prestar esclarecimentos públicos, especialmente à comunidade de Capão Bonito do Sul, onde trabalha atualmente.
“NÃO SOU FUNCIONÁRIA FANTASMA”
Roselaine rebateu diretamente a acusação. Segundo a diretora do CRAS, seu trabalho sempre foi presencial e conhecido pela comunidade. Ela lembrou que ingressou na Prefeitura de Lagoa Vermelha por concurso público em 2005 e possui mais de vinte anos de atuação no serviço público. “Eu continuo trabalhando em Capão Bonito. Vim aqui dizer que eu não sou uma funcionária fantasma. Eu realmente existo. Tenho uma longa trajetória no serviço público e sempre desempenhei minhas funções da melhor maneira possível”, declarou. Para Roselaine, a expressão atingiu sua carreira e sua imagem perante a sociedade.
COMO SURGIU O CONVITE
PARA CAPÃO BONITO DO SUL
Roselaine contou que sua ida para Capão Bonito do Sul ocorreu após convite da prefeita Marizete Rauta. Inicialmente, pretendia solicitar licença sem interesse junto à Prefeitura de Lagoa Vermelha. Durante os encaminhamentos, porém, surgiu a possibilidade de cedência funcional entre os municípios, alternativa apresentada pelos setores administrativos de Lagoa Vermelha. “Eu aceitei o convite da prefeita Marizete. Minha ideia inicial era pedir licença sem interesse, mas me orientaram que poderia ser feita uma cedência. Para mim, não havia problema, desde que tudo estivesse dentro da legalidade”, explicou.
O DOCUMENTO PROTOCOLADO
ANTES DO CONVÊNIO
Um dos principais argumentos apresentados por Roselaine foi a existência de requerimento protocolado antes da assinatura do convênio. Segundo ela, em 10 de janeiro de 2025, formalizou pedido para que a cedência não gerasse ônus financeiro à Prefeitura de Lagoa Vermelha. Sua intenção era receber exclusivamente de Capão Bonito do Sul.
“Eu protocolei esse pedido antes do convênio. Solicitei que minha cedência fosse sem gerar ônus para Lagoa Vermelha. Minha intenção era receber apenas de Capão Bonito do Sul”, explicou.
Roselaine afirmou que pretende tornar o documento público para demonstrar transparência. Ressaltou ainda que não participou da elaboração do convênio nem atuava nos setores Jurídico ou de Recursos Humanos. “Eu sou apenas funcionária. Não faço parte do RH nem do Jurídico. Se houve algum erro na elaboração do convênio, não fui eu quem o cometeu”, afirmou.
O CONTATO COM O RH
DE LAGOA VERMELHA
Roselaine relatou que, ao perceber o primeiro pagamento da Prefeitura de Lagoa Vermelha após a cedência, entrou em contato com o setor de Recursos Humanos.
Segundo ela, informou que também recebia remuneração de Capão Bonito do Sul e foi orientada de que continuaria percebendo normalmente os vencimentos.
“Quando caiu o dinheiro na minha conta, liguei para o RH de Lagoa Vermelha. Expliquei toda a situação e fui informada de que eu continuaria recebendo normalmente, que aquele era o procedimento correto”, afirmou. Diante dessa orientação, disse não ter imaginado qualquer irregularidade.
“NUNCA ESCONDI NADA”
Roselaine destacou que nunca tentou ocultar os valores recebidos. Segundo ela, todos os rendimentos foram declarados em seu Imposto de Renda. “Eu recebi e não nego que recebi. Inclusive declarei tudo no meu Imposto de Renda. Se eu estivesse agindo de má-fé, jamais teria declarado esses valores”, afirmou. Ela disse que pretende disponibilizar a documentação para consulta pública.
“O ERRO NÃO FOI MEU”
Questionada sobre a responsabilidade pela situação, Roselaine afirmou acreditar que o problema ocorreu na estrutura administrativa da Prefeitura de Lagoa Vermelha, especialmente nos setores responsáveis pela folha de pagamento. Ela não responsabilizou diretamente o prefeito Eloir Morona nem o secretário municipal da Educação, Carlos Henrique Bombassaro Júnior. “Eu não culpo o prefeito Morona. Também não culpo o secretário Carlos Bombassaro. O prefeito não consegue acompanhar tudo sozinho. Para isso existem equipes e departamentos responsáveis. Acredito que o erro aconteceu dentro do RH ou no setor responsável pela folha de pagamento”, afirmou. Roselaine voltou a enfatizar que comunicou a situação logo após perceber o primeiro pagamento.
“Se eu liguei, comuniquei e me disseram que estava tudo correto, então esse erro não foi meu. Eu apenas segui a orientação que recebi”, declarou.
APOIO DA PREFEITA MARIZETE
Roselaine contou que recebeu apoio da prefeita Marizete Rauta após a repercussão da denúncia. Segundo ela, a situação provocou forte abalo pessoal.
“Quando recebi aquela intimação, me tirou o chão. Foi uma verdadeira cacetada para mim. Nunca imaginei passar por uma situação dessas”, relatou.
Após conversar com a prefeita, recebeu a garantia de que seu trabalho continua sendo reconhecido. “A prefeita foi muito transparente comigo. Disse que eu realizo um bom trabalho em Capão Bonito do Sul e que continuarei exercendo minhas funções normalmente”, afirmou.
Roselaine também esclareceu que dirige toda a pasta da Assistência Social, não atuando exclusivamente em Barretos.
“Sou diretora de toda a pasta da Assistência Social. Trabalho junto ao CRAS, coordenando diversas ações sociais desenvolvidas no município inteiro”, explicou.
“ACREDITO QUE EXISTE
PERSEGUIÇÃO POLÍTICA”
Questionada sobre a motivação da denúncia, Roselaine afirmou acreditar na existência de interesses políticos. Ela lembrou que disputou sua primeira eleição municipal pelo MDB, conquistou 104 votos e tornou-se primeira suplente. Posteriormente, foi convidada pela prefeita Marizete Rauta para integrar a Administração. “Acredito que sim. Existem interesses políticos. Eu disputei a eleição, fiz 104 votos, fui a primeira suplente do MDB e depois fui convidada para integrar a administração. Tudo isso acaba gerando interesses”, declarou.
Roselaine ressaltou, porém, que sempre separou sua atuação política do trabalho técnico desenvolvido na Assistência Social.
ESCLARECIMENTOS
AO MINISTÉRIO PÚBLICO
Roselaine confirmou que respondeu integralmente aos questionamentos do Ministério Público e encaminhou os documentos solicitados. “Eu respondi tudo ao Ministério Público. Toda a documentação que enviei será colocada à disposição da população. Não tenho absolutamente nada para esconder”, afirmou. Ela declarou confiar no trabalho dos órgãos de fiscalização. “Agora cabe ao Ministério Público verificar quem realmente possui responsabilidade nesse caso. Eu continuo acreditando que fui vítima de um erro administrativo”, declarou.
“EM CAPÃO BONITO ESTÁ TUDO CERTO”
Ao comentar sua situação funcional, Roselaine destacou que não existe qualquer irregularidade em Capão Bonito do Sul. Segundo ela, sua frequência é registrada normalmente e suas atividades são acompanhadas pela Administração Municipal.
COMUNIDADE MANIFESTOU APOIO
Após o surgimento da denúncia, Roselaine recebeu mensagens e ligações de moradores preocupados com uma possível saída da Administração. Ela acredita que parte das informações que circularam foi alimentada por interesses políticos.
“Recebi muitas mensagens e ligações. Havia pessoas dizendo que eu seria afastada. Acho que existia interesse de algumas pessoas em me retirar da Administração”, afirmou.
DECISÃO DE PERMANECER
EM CAPÃO BONITO DO SUL
Questionada sobre o futuro profissional, Roselaine afirmou que pretende permanecer em Capão Bonito do Sul. Caso a Prefeitura de Lagoa Vermelha decida romper a cedência, disse que poderá abrir mão do cargo efetivo para continuar trabalhando no município vizinho.
“Se o prefeito de Lagoa Vermelha optar por romper o convênio, eu fico em Capão Bonito do Sul. Se for necessário, peço exoneração do meu cargo efetivo. Meu compromisso hoje é com o trabalho que venho desenvolvendo aqui”, declarou.
“TRABALHO 24 HORAS POR DIA”
Ao defender sua atuação, Roselaine afirmou que sempre manteve dedicação integral ao serviço público. “Eu trabalho 24 horas por dia. Comigo não existe horário. Sempre que alguém precisa, estou pronta para ajudar, orientar e atender. Nunca precisei receber nada em troca por isso”, afirmou.
“TALVEZ EU TENHA ABERTO A PORTA
PARA DESCOBRIR OUTROS CASOS”
Ao final da entrevista, Roselaine voltou a sustentar que comunicou o RH logo após receber o primeiro pagamento de Lagoa Vermelha. Ela acredita que o mesmo procedimento possa ter ocorrido com outros servidores cedidos. “Acredito que o RH de Lagoa Vermelha deve revisar todos os casos de servidores cedidos. Talvez eu tenha sido apenas a porta de entrada para descobrir uma situação que possa envolver outras pessoas”, afirmou.
“NUNCA FUI FUNCIONÁRIA FANTASMA”
Ao encerrar a entrevista ao Folha News, Roselaine voltou a negar a acusação que motivou a repercussão. Reafirmou que sempre exerceu suas funções, nunca tentou esconder informações e continuará colaborando com as apurações. Para ela, o episódio poderá esclarecer os fatos e permitir a correção de eventuais falhas administrativas. Enquanto isso, garante que seguirá trabalhando normalmente na direção da Assistência Social de Capão Bonito do Sul, função que exerce desde janeiro de 2025.


Radar ON-LINE: