COLUNISTAS
04/09/2026
2026 EM DISPUTA: O QUE A REGIÃO
EXIGE DE QUEM QUER SEU VOTO
Ao longo das entrevistas que realizei nos últimos dois meses com candidatos, prefeitos, dirigentes partidários e lideranças, algo ficou claro: a eleição de 2026 não será decidida em Lagoa Vermelha e no Nordeste gaúcho apenas por siglas, discursos nacionais ou alinhamentos ideológicos.
Tudo isso terá peso. Mas o eleitor do interior quer saber de algo mais simples: quem realmente conhece seus problemas e quem tem condições de ajudar a resolvê-los.
Depois de ouvir tantas lideranças, minha impressão é de que esta será uma eleição marcada por cobrança objetiva. Presença em campanha, fotografia e discurso já não bastam. A pergunta será: o que você fez - ou pretende fazer - por esta região?
REPRESENTAÇÃO
VOLTA AO CENTRO
Lagoa Vermelha e os municípios próximos querem representação.
Ronaldo Santini, Podemos, procura apresentar como credencial investimentos e ações destinados à região.
Guilherme Pasin, Progressistas, também constrói sua candidatura a partir da proximidade com os municípios e suas reivindicações.
Sandro do Covatti, Progressistas, recupera a histórica relação política de sua família com Lagoa Vermelha e apresenta compromissos envolvendo agricultura, saúde, infraestrutura e desenvolvimento.
Gilmar Sossella, PDT, quando esteve no Folha News, procurou mostrar resultados de sua passagem pelo Governo do Estado, falando em qualificação profissional, emprego, Sine, Senai e ligações asfálticas.
São trajetórias diferentes, mas convergem em um ponto: todos sabem que precisam demonstrar resultados. Quanto mais a campanha regional for discutida a partir das entregas e compromissos, melhor será a escolha do eleitor.
HOSPITAL SÃO PAULO
É A GRANDE PROVA
Se existe hoje um tema capaz de colocar praticamente todos os candidatos diante da mesma pergunta, ele se chama Hospital São Paulo. A situação da instituição ultrapassou a discussão administrativa e se transformou em tema político e eleitoral.
Luciano Zucco, PL, assumiu compromissos envolvendo a busca de alternativas para o hospital. Guilherme Pasin abordou a defasagem dos valores destinados às instituições hospitalares.
Rangel Vinícius Guedes, presidente do PSB lagoense, apresentou visão mais crítica, especialmente em relação à gestão, transparência, hemodiálise e outros serviços.
O prefeito de Ibiraiaras, Joel Isidoro Cristianetti, do PL, destacou o aporte financeiro feito por seu município e defendeu mobilização regional mais ampla. Eloir Morona, prefeito de Lagoa Vermelha pelo PP, sustenta que o Município possui limites financeiros e que uma solução definitiva dependerá também de maior participação estadual e regional.
Minha avaliação é simples: nenhum candidato relevante deveria sair de Lagoa Vermelha sem responder o que pretende fazer pelo Hospital São Paulo. A região quer saber qual é a solução.
OS PREFEITOS TAMBÉM
DÃO SEU RECADO
As entrevistas com prefeitos mostram outro aspecto importante: quando ouvimos quem administra municípios, surgem problemas muito concretos.
A prefeita de Caseiros, Joelice Canali, trouxe essa perspectiva. Abordou infraestrutura, desenvolvimento, saúde, reflexos das adversidades climáticas sobre a agricultura, dificuldades relacionadas à mão de obra e desafios para atrair investimentos. Também manifestou preocupação com mudanças na distribuição de receitas e seus efeitos para os pequenos municípios.
Joelice deixou clara sua posição política para 2026, no campo que apoia Luciano Zucco e Silvana Covatti. Mas deixou outro recado: apoio político não elimina reivindicação. Prefeitos podem ter lado, mas precisam cobrar resultados.
DOIS CAMPOS SE ORGANIZAM
Luciano Zucco aparece como um dos nomes capazes de mobilizar fortemente o eleitorado de direita e centrodireita na região. PL, PP e lideranças próximas encontram em sua candidatura um ponto de convergência.
Segurança, agronegócio, desenvolvimento econômico e infraestrutura fazem parte dessa construção. Joel Isidoro Cristianetti e Joelice Canali estão entre as lideranças que explicitam esse posicionamento.
Do outro lado, a candidatura de Juliana Brizola também produz movimento importante. Rangel Vinícius Guedes foi claro no Folha News: o PSB de Lagoa Vermelha apoia Juliana ao Governo do Estado, André Oliveira para deputado estadual e Beto Albuquerque para deputado federal.
Essa composição aproxima novamente PSB e PDT em um projeto estadual. Seria precipitado projetar 2028, mas 2026 poderá reconstruir diálogos entre grupos que estiveram em lados diferentes na última eleição municipal.
Gilmar Sossella busca a reeleição para a Assembleia Legislativa. Felippe Rieth, ex-prefeito de Capão Bonito do Sul e candidato a deputado federal pelo PDT, acrescenta outro componente: uma candidatura genuinamente regional tentando ocupar espaço no cenário estadual.
CAPÃO BONITO DO SUL
PASSOU A JOGAR
Capão Bonito do Sul deixou de ser apenas um município observado nas articulações regionais para se tornar produtor de lideranças.
A prefeita Marizete Rauta, MDB, tratou, em sua entrevista, de administração, agricultura, infraestrutura, desenvolvimento e processo eleitoral.
Gelson Corbolin, secretário municipal da Educação e liderança do PDT, também apresentou as posições políticas de seu grupo, inclusive em relação a Juliana Brizola e Felippe Rieth. Com Rieth na disputa federal, o município ganha presença no tabuleiro regional.
MDB QUER MOSTRAR QUE
CONTINUA NO JOGO
A entrevista com o ex-prefeito Paulo Moysés de Andrade foi uma das mais simbólicas desse processo. Sua mensagem foi essencialmente política: o MDB continua vivo. O partido já teve enorme protagonismo local e regional e hoje procura reorganizar espaço. Gabriel Souza aparece como referência estadual desse projeto.
Regionalmente, há uma candidatura que merece atenção especial: a vereadora de Capão Bonito do Sul Idianesa Godinho Gregolon, que disputa vaga na Assembleia Legislativa.
Sua candidatura tem identidade municipalista e dialoga com agricultura, infraestrutura, participação feminina e representação dos pequenos municípios.
Sua atuação nas mobilizações envolvendo a BR-470 reforça essa construção. Idianesa representa uma questão importante: até que ponto a região continuará distribuindo votos entre candidatos de outras bases e conseguirá construir representantes próprios?
ESTRADA CONTINUA
SENDO POLÍTICA
RS-126, BR-470, BR-285, ligações asfálticas e acessos municipais aparecem repetidamente nas entrevistas. No interior, estrada não é apenas asfalto. É desenvolvimento, saúde, agricultura, transporte, emprego e competitividade. Quem apresentar soluções concretas nessa área terá um argumento eleitoral poderoso.
2026 TAMBÉM VAI
FALAR SOBRE 2028
Os grupos políticos de Lagoa Vermelha observarão a votação de outubro com atenção. PP e PL vão medir sua força. PDT, PSB e PT observarão até onde conseguem reorganizar um campo político comum. O MDB saberá se possui terreno para retomar protagonismo. Cada candidatura estadual ou federal apoiada localmente servirá também como termômetro.
Por isso considero 2026 uma espécie de prévia política para 2028: teremos números concretos indicando forças, fragilidades e espaços disponíveis.
MINHA LEITURA
Depois de tantas entrevistas, minha principal conclusão é esta: a região tem uma pauta própria e deveria aproveitar a eleição para fazê-la valer.
Hospital São Paulo, infraestrutura, agricultura, geração de empregos, saúde, desenvolvimento, segurança, situação financeira dos pequenos municípios e representação regional precisam estar acima da simples fotografia eleitoral.
Também ficou evidente que os problemas não terminam na divisa de cada município. Quando Joelice Canali fala das dificuldades de Caseiros, Joel Isidoro Cristianetti aborda o Hospital São Paulo a partir de Ibiraiaras ou lideranças de Capão Bonito do Sul apresentam suas reivindicações, existe um denominador comum: muitos desafios são regionais e exigem soluções igualmente regionais.
O candidato que vem até aqui pedir voto precisa sair daqui levando compromissos. E é justamente nesse ponto que vejo uma responsabilidade especial do jornalismo regional.
Nosso papel não é escolher pelo eleitor. É perguntar, confrontar, registrar e guardar aquilo que foi dito. Porque campanha passa. Eleição termina. Mandatos começam. Mas a palavra dada permanece. E talvez a melhor contribuição que possamos oferecer ao eleitor seja exatamente essa: deixar documentado quem prometeu, o que prometeu e, depois, cobrar quem efetivamente cumpriu.


Radar ON-LINE: