COLUNISTAS
Americanismo brasileiro 13/12/2024
Amigos, estamos a escrever a penúltima coluna do ano, sempre com a dificuldade de encontrar matéria para este espaço. Lembro-me do grande jurista Saulo Ramos, que certa vez disse que, nestes dias do terceiro milênio, podemos levar no bolso nossa vida digital: internet, e-mail, TV, fotos, filmes e até telefone. O homem moderno é obrigado a ter olhos dilatados.
Mesmo assim, diante dessa evolução, não é fácil adaptar um tema que agrade ao leitor. Até porque quem escreve precisa, em primeiro lugar, ter muito cuidado para não ferir sensibilidades. Nesse sentido, hoje faço referência à invasão gramatical americana, tão utilizada por aqui e agravada nos últimos dias com a chamada Black Friday. Foi demais.
Congratulo-me com leitores do Correio do Povo, como Hermes Buffon, Virgínia Frietz, Ana Findantsief, Charlie Schvants e tantos outros, que demonstraram seu descontentamento com a homogeneização cultural brasileira - tão rica e variada - que vem, paulatinamente, sendo absorvida pela americana.
É verdade que damos muito valor a palavras e expressões americanas, ao ponto de esquecermos que quem está desaparecendo é a nossa cultura, os nossos costumes. Segundo a opinião dessas pessoas, nossa memória cultural vai se apagando e um novo estilo de vida vai sendo imposto.
Esses reclames são justos, mas de nada adiantam, porque, infelizmente, o americanismo está presente em quase todas as atividades da vida nacional. Destaca-se nos nomes de grifes, propagandas veiculadas na mídia, salões de beleza e até em nomes de pessoas, ruas, avenidas, espaços públicos e muito mais.
Muitas dessas expressões já estão incorporadas ao dia a dia. Toda hora você ouve e vê palavras como show, marketing, impeachment, Black Friday, outdoor... Se são boas ou ruins, o tempo dirá. Mas é fato que a globalização segue esse rumo de domínio.
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E TEM MAIS - Na medida em que a educação e o ensino não conseguem cobrir toda a população brasileira, grande parte dela ataca a gramática, que é a disciplina que estuda a língua, principalmente palavras e expressões denominadas léxicas. Palavras e frases ficam pela metade, principalmente quando as pessoas têm dificuldade de compreender ou elaborar textos. É o chamado analfabetismo funcional.
Muitas pessoas andam preocupadas com essas mudanças na gramática, entre elas o Dr. Elvio Casassola, que faz um alerta para o novo costume dos jovens, que aderiram à moda de se comunicar pelo WhatsApp, abreviando palavras. Exemplos: “bom findi”, “hoje tem aula de matema”, “bjos”, “vc” e assim por diante. Felizmente, autoridades gaúchas em educação estão preocupadas e já discutem o tema nas escolas.
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VEJO - Lagoa Vermelha bem alinhada e crescendo, com destaque para a construção civil, que deslanchou em ritmo acelerado. Mas tem coisas acontecendo que não consigo entender. É vício antigo, que vem de outras administrações. É o surgimento de edificações fora da “bitola” em regiões centrais ou próximas ao centro. Não sei se é o Plano Diretor que permite ou é ausência de fiscalização. Não dá para falar em turismo nessas condições.
Por fim, o abraço da semana vai para os amigos Martha e Miguel Accorsi, e Maiandra e Fernando B. Ribeiro. É gente que lê a Folha.