COLUNISTAS
O Brasil e os brasileiros 20/12/2024
Li uma reportagem onde mostrava uma ação desenvolvida pelo povo da América do Norte. Ou melhor, a referida ação tem por patrocinadores a classe média americana, cuja reclamação é que os políticos elegem-se com dinheiro doado por grandes empresas e, exatamente por este motivo, quando empossados e exercendo suas funções, legislam ou governam tendo por foco os interesses daqueles doadores de campanha.
Mobilizada, então, a classe média passou a arrecadar fundos para a finalidade específica de patrocinar campanhas eleitorais de pessoas comprometidas com os interesses da classe média.
Transportando esta situação para o nosso Brasil, podemos entender que aqui é muito mais grave, pois a grande maioria dos nossos políticos também são patrocinados pelas grandes empresas e, portanto, tem suas ações voltadas para os interesses dos seus doadores e o complicador é que lá nos Estados Unidos a classe média está ativa e mobilizada na luta pelos seus direitos e a nossa segue alienada, sem lutar.
Desta forma está consagrada aqui na nossa pátria uma forma perversa de governar, deixo muito claro que esta afirmativa atinge todos que governaram, independendo do partido político.
O escritor Laurentino Gomes, em suas obras, aborda com muita pesquisa e propriedade a história do Brasil e já vendeu mais de 2 milhões de exemplares e foi laureado com o prêmio Jabuti em 2008.
Entrevistado pelo jornal Zero Hora, respondeu a seguinte pergunta: Como explicar a identidade do brasileiro com base no nosso passado? “Especialmente nessas três datas com as quais trabalho em meus livros, 1808, 1822 e 1889, tenho observado muitas das características do Brasil de hoje, como se fosse o nosso DNA. Quando a corte portuguesa chegou ao país em 1808, encontrou um oceano de pobreza, analfabetismo, escravidão, concentração de riquezas, rivalidades locais e corrupção. Os portugueses receberam a incumbência de ocupar um território 91 vezes maior que a pequena metrópole portuguesa e o fizeram distribuindo grandes quantidades de terra para quem se dispunha a vir para cá, mantendo a população na ignorância e importando mão de obra escrava, gente aventureira, exploradores de matérias-primas e escravos, esta é a base constitutiva do Brasil colônia. Herdamos uma concentração centralizada e autoritária do Estado, uma pequena elite tutela todo o resto e uma geleia geral social instável e perigosa”.
Certamente existem exceções, mas a verdade é que existe um número significativo de brasileiros, senão a maioria, que não participa de sindicatos, comunidades de bairro, partidos políticos, reuniões de pais na escola... Não participa nem da assembleia de condomínio onde mora, mas espera muito do Estado. É essa perspectiva de esperar tudo de um pai, um soberano que irá nos prover tudo, isso se dá porque no passado o brasileiro não foi chamado nem autorizado a participar da construção das instituições e da própria identidade nacional. É comum estar em uma mesa de bar e ouvir um brasileiro dizer que em Brasília todo mundo é corrupto, que tem que fechar o Congresso e chamar um ditador. Mas em suas relações privadas, a mesma pessoa fura fila, joga lixo na rua, anda pelo acostamento, procura corromper o agente público sempre que é da sua conveniência, sonega impostos e acredita que o importante é sempre levar vantagem em tudo, mesmo que cause prejuízo aos outros.
O Brasil somente será um país de primeiro mundo quando nós, brasileiros, tivermos educação de boa qualidade, quando criarmos amor verdadeiro à pátria e desenvolvermos o senso de viver em coletividade.
Publicado em 25/07/2014