COLUNISTAS
A situação do PDT 10/01/2025
A notícia da desfiliação de um dos principais intelectuais e estrategistas do PDT lagoense é representativa da situação do partido após a terceira derrota consecutiva nas eleições municipais.
Trata-se de uma agremiação em crise e em franco declínio promovido, em boa razão, pelo erro capital de 2016 quando escolheu-se um candidato a prefeito preferido pelo partido e rejeitado pelo eleitorado, preterindo o candidato aprovado pela população, porém com apoio minoritário dentro do partido. Eu fui oposição do PDT por 16 anos e se esse erro não tivesse ocorrido, talvez ainda hoje seríamos governados pelos trabalhistas. Mas são, claro, as contingências da história!
Quando não há expectativa de poder, ou a possibilidade de distribuição de cargos e outros benefícios, tudo fica mais difícil. Aqueles que não possuem um elo suficientemente ideológico com o partido geralmente são os primeiros a se afastarem ou, em muitos casos, a mudarem de lado. É da natureza própria daquilo que o professor Francisco Ferraz um dia classificou como a “tara do adesismo”, muito corrente no Brasil.
O PDT hoje está, eu diria, tão fraco quando o PP estava em maio de 2016: sem qualquer expectativa de poder, sem cargos a distribuir, com poucos correligionários e muitos derrotados por antecedência. Mas, naquela quase década atrás uma parte extremamente minoritária do partido, e da qual eu me incluía, semeou a ideia e trabalhou por uma nova candidatura, a do agora ex-prefeito Gustavo Bonotto. A eleição foi vencida com estratégia e o partido até agora exerce o poder municipal. A ideia de renovação prevaleceu e em boa medida continua a povoar o imaginário social com o novo prefeito Eloir Morona, que nunca foi um político tradicional.
Se o PDT realmente tiver o interesse de ser competitivo na próxima eleição municipal, precisa renovar-se. Precisaria reinventar-se para agregar novas lideranças da sociedade. Quando alguma janela de oportunidade eleitoral se abrir, ele precisaria já ter algum nome a apresentar à comunidade. Mas é difícil pensar fora da bolha e a cada eleição perdida cresce na alma dos homens o sentimento da vingança, turvando o olhar para as oportunidades que se apresentam. Sem um desejo de renovação, inclusive do ponto de vista ideológico, o PDT lagoense continuará sendo o freguês eleitoral preferido do PP.