COLUNISTAS
O óbvio 31/01/2025
O Brasil está se tornando o país do óbvio que não acontece. A imprensa como um todo, os políticos em discurso e o povo em geral apontam os erros, enfim, o caminho que deveria ser tomado.
As soluções que dependem dos governos são demoradas, caras e muitas vezes quando acontecem pelo tempo decorrido perdem a eficácia.
A nossa Constituição para começar, foi elaborada no ano de 1988, e grande parte dos seus artigos permanecem ainda sem regulamentação, é prolixa, procura ser abrangente, mas é pouco objetiva.
A educação todos nós sabemos é base da grandeza de qualquer povo. Pois nós brasileiros sofremos na carne o descaso com a educação. Os professores que são os responsáveis pela tarefa de educar o povo, recebem salários baixos, incompatíveis com a importância e a responsabilidade do cargo. Fato que obriga os mestres a enfrentar extensos e cansativos turnos, quando grande número deles ainda se dedica a outros afazeres na ânsia de suplementar salário. Trabalham como garçons, vendedores de bijuterias ou dedicam-se a afazeres domésticos.
O ensino público oficial via de regra enfrenta grandes problemas, trabalhadores em educação desmotivados, verbas escassas, falta de material didático, prédios normalmente mal conservados.
Completando o quadro negativo, o governo institui cotas para algumas etnias em cursos superiores como grande solução, quando o certo seria garantir séries iniciais gratuitas, efetivas e que realmente preparasse os alunos sem a necessidade de cursinhos ou cotas para o ingresso na universidade, bem como a criação de cursos técnicos de nível médio nas mais variadas áreas de produção no que nosso país é carente.
Corrupção, dizem alguns que está impregnada, que faz parte da história da nossa nação e por este motivo de difícil controle. Não acredito. Acredito sim que a corrupção existe pela certeza na impunidade. Vejamos um exemplo não acontecido no Brasil, mas na China.
O ex-chefe da administração estatal de alimentos e remédios, Zheng Xiaoyu, cujo cargo é equivalente ao de ministro de estado, foi condenado à morte e executado pelo fato de ter recebido 850 mil dólares de suborno de empresas farmacêuticas para aprovar remédios de qualidade duvidosa. Claro que não concordo com a punição, pois sou contra a pena de morte, mas é óbvio que a corrupção não pode passar em “brancas nuvens” e deve ser coibido com leis severas que garantam cadeia para os responsáveis pelos crimes do “colarinho branco” e a reposição dos bens roubados ou desviados, principalmente se a vítima for o erário público.
Outra obviedade nasceu aqui no nosso estado e também está agonizando e pode morrer, o chamado “Pacto pelo Rio Grande”. Sua gestação aconteceu na Assembléia Legislativa e exatamente ali sofre o seu maior golpe. Os deputados facinados com o aumento autoconcedido pelos seus colegas federais, seguiram o exemplo. Sem considerar as más condições financeiras do estado, a penúria vivida pelos “primos pobres” do funcionalismo também autoconcederam-se um substancial aumento. Como não poderia deixar de ser, o que é óbvio, solicitaram ao executivo suplementação orçamentária.
Explicando-se, ou tentando explicar o ato, aconteceu de tudo, alguns afirmaram que deputado bem pago é deputado que não se corrompe, outro que a tudo superou afirmou, “eu tenho votos, me elegi com os votos do povo, quem quiser ganhar bem, faça como eu, conquiste votos, candidate-se e eleja-se”. Realmente é óbvio, grande parte dos políticos consideram a população como “marionetes” ou um bando de “bobos”.