COLUNISTAS
A diligência 31/01/2025
Foi o primeiro coche, rústico, primeiras conduções da Campanha do Rio Grande. Varava as distâncias desertas da Província, conduzindo os viajantes destemidos, que a isso se aventuravam em épocas distantes.
Atrelados a duas, três parelhas de cavalos fogosos, coube-lhes abrir os primeiros caminhos de antanho. As primeiras diligências foram conduzidas pelo gaúcho que montava um dos cavalos puxadores.
Logo surgiram outras trazendo boléias, onde o condutor - que era o boleeiro ou o maioral - vinha abrigado sob um toldo.
Pra vencer os caminhos, vadear arroios, livrar-se dos peludos ou nos Passos quase intransponíveis, as Diligências valiam-se de um outro cavaleiro. Era identificado pelo nome de "Quarta", pois quarteava a carruagem, presa por um sovéu ou laço trançado que ligava o cabeçalho dianteiro ao cinchador da montaria.
O cavalo cinchador era um animal já afeito às práticas do quarteador. Deveria ser bom puxador. Foi a carreta o veículo primitivo, pesado, de tração a bois .
Logo vieram as carretilhas. Evoluíram para Diligências. E estas anteciparam aos coches, carros americanos e Vitórias.
Marcavam sua itinerância, conduzidas pelo maioral, que era vaqueano e sabia orientar-se em viagens de três ou quatro dias, em meio ao deserto pampeano.
A tração não era somente feita por cavalos, pois as mulas deram grande contribuição às Diigências.
A fim de suportar as grandes marchas, haviam lugares certos para muda dos cavalos, de distância em distância.
O mudador se fazia em lugares previstos, determinados pela resistência dos equinos.
Dava-se preferência a um Posto, um Bolicho ou mesmo certas Estâncias, localizadas no trajeto, onde também se faziam os pousos.
Os platinos deram a estes lugares o nome de Postas, cujo regionalismo não foi tão usado na Província de São Pedro.
Nos locais das mudas, as Diligências já eram esperadas por peões, com novos cavalos puxadores, recém-pegados, que substituíam aos animais que chegavam cansados.
Sem estradas transitáveis, a Diligência se atirava ao azar das aventuras, conduzida pela coragem do maioral e a força dos cavalos Crioulos.
Os maiorais deveriam conhecer muito bem os arroios que davam vau ou onde onde se poderia varar a bolapé.
Essas primeiras viaturas se celebrizavam como veículos coletivos, varando as imensas distâncias, entre coxilhas e canhadas, já denunciado um elo prenunciador de progresso.
O imperador Dom Pedro II, para chegar à Vila de Uruguaiana, então conquistada pelos paraguaios, a fim de comandar a Retomada, forçou uma viagem de 16 dias, desde Cachoeira até as margens do Rio Uruguai.
A verve romanesca do gaúcho batizava as Diligências com variados e expressivos nomes "A volanta", "A fronteirista", "A Vaquiana", "A Volantina", etc.
Os modernos veículos automotores conservam uma reminiscência dos velhos costumes, reproduzindo dísticos e nomes de batismo. Fonte: Museu Estaleiro Martimiano Benites.
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