COLUNISTAS
Churrasco II - 21/02/2025
Na edição do nosso jornal Folha do Nordeste do dia 29 de março do corrente ano, iniciamos a história do churrasco na área denominada “Bacaria de los Pinhales”, da qual toda nossa região fazia parte. Repetindo, esta área geográfica tinha por limites os rios hoje denominados Pelotas, Rio das Antas e os Aparados da Serra.
Bem alimentados tanto no inverno como no verão, o rebanho bovino aumentou em grande escala, segundo referência na Enciclopédia Riograndense, este número chegou a um milhão de cabeças.
Naquela época os produtos de maior valor comercial eram o couro e o sebo de origem animal. O primeiro era usado para o fabrico de chapéus, calçados, vestimentas e arreames para o transporte de pessoas e produtos, inicialmente no lombo de equinos e mais tarde em carretas com tração também animal.
O couro e o sebo acima citados eram especialmente exportados para Europa, onde industrializados e novamente comercializados rendiam frutos para a economia.
A carne era muito pouco aproveitada, somente alguns pedaços para o churrasco do dia, e o resto da carcaça ficava para corvos e outros carnívoros.
A mudança ocorreu principalmente com o início das tropeadas, ou seja, com a implantação de lavouras de café em São Paulo e a exploração de minérios em Belo Horizonte, fazia-se necessário alimentar os escravos que eram em grande número, e a única força de trabalho, pois não existiam máquinas motorizadas.
Foi então que as tropeadas ganharam força, esta atividade econômica teve grande repercussão no sul do Brasil durante a primeira metade do século XVIII, com a formação de tropas com o gado “teatino”, que eram recolhidos principalmente na Colônia do Sacramento, na banda dos Charruas e na Bacaria dos Los Pinhales, para serem levados até Sorocaba, no Estado de São Paulo, e dali alguns seguiam em direção de Minas Gerais.
Esta intensa exploração e comércio pecuário, proporcionou a abertura de estradas, muitas vilas, povoados e cidades surgiram ao longo desses caminhos, e constituíram o povoamento, a fixação do homem no campo, e paralelamente comércio de uma grande variedade de utensílios usados na época.
Desta forma nossa região foi sendo povoada, formaram-se propriedades rurais, cujo principal foco era sem dúvidas a criação de animais domésticos para a produção de carne.
Observado que economicamente o transporte do gado vivo até os centros de consumo era difícil e caro, teve início a instalação de charqueados.
Como na época não existia o sistema de refrigeração, os animais eram abatidos charqueadas e submetidos a salga para sua conservação, quando então era denominado charque.
A produção do charque dependia de várias etapas, primeiro o abate do animal, a retirada do couro e das vísceras, e a separação das partes com músculo (carne), e a espera pelo resfriamento natural.
Seguia-se então com a retirada total da carne dos ossos e após era charqueada, ou seja, com facas afiadas era transformada nas chamadas “mantas de carne”, o que significava que em toda sua extensão tinha a mesma espessura, o que facilitava a ação do sal para sua conservação.
Segue na próxima edição.