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Puxirão - 28/02/2025

Os indígenas, primeiros habitantes de nossas terras, eram devotos da execução de tarefas coletivas. 
Os guaranis, nas Missões, formaram uma verdadeira República. Na convivência solidária e natural dos indígenas era tradicional o puxirão.
Puxirão, potyrõ, potyron, pichurum, pixirum, pixurum ou mochirão, para os guaranis. Muxirão, muxira, mutirão, mutirum, moquirão, motirão, putirum e moitirão, são palavras usuais dos tupis.
O puxirão, como os guaranis usavam nos Sete Povos das Missões, consistia na ajuda mútua de amigos e vizinhos para a realização de uma tarefa. Tradicionalmente era seguido de uma grande festa no terreiro ou rancho do beneficiado pelo serviço coletivo.
As expressões que começam com "M", como mutirão, já têm a influência do Latim. Encontramos pessoas, nas Missões, atualmente, que pronunciam "puxirum". Registra a presença de muitos trabalhadores, na realização de um mesmo serviço e para benefício de um só.
O padre Constantino Tasteren acredita que a palavra puxirão venha do tupi, significando reunião para o trabalho coletivo, e, após, muita festa. A maioria dos escritores afirmam ser um termo guarani.
O certo é que tanto os guaranis, como os tupis utilizavam expressões que falavam de trabalhos coletivos, visando possibilitar os pequenos agricultores, sem recursos, realiza rem suas roças.
Esse sistema de intercâmbio de esforços, registrava grandes vantagens nas capinas e colheitas, pela emergência da execução.
O puxirão era um trabalho solidário e gratuito, que os trabalhadores usavam para preparar as roças, plantações, capinas e colheitas. Cada puxirão beneficiava um.
Hoje está sendo tentado pelo governo o desenvolvimento do trabalho solidário e coletivo, pelo chamado "Projeto Mutirão".  Visa a construção rápida de casas populares.
Os puxirões foram bastante comuns, antes da agricultura mecanizada, mesmo após a destruição dos guaranis.
Diziam as camponesas: "Era lindo ver os homens reunidos para o trabalho, culminando com festas muito bonitas".
Puxirão, uma ideia natural de trabalho solidário. Fonte: Cesar Tomazzini

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