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Tropilha de estimação - 07/03/2025
Em tempos idos, as grandes estâncias tinham, além dos costumeiros cavalos de serviço, uma tropilha de estimação, mantida em invernada separada.
A tropilha era formada por cavalos mansos, admitindo-se também baguais em plena fase de doma, ainda de rédea. Todos eram do mesmo pelo, sendo as pelagens mais comuns tordilho, gateado e mouro. O número de animais em uma tropilha variava muito, indo de 20 a 50 cavalos.
Naqueles tempos, só se encilhava cavalo, pois montar em uma égua era considerado um vexame para o gaúcho. Por esse motivo, as tropilhas não eram formadas com éguas. A tropilha era sempre apresentada bem tosada a cogotilho, sem franja e sem topete, deixando bastante pega-mão e a cola tocando os machinhos. A cola sempre permanecia atada quando em serviço.
Era bem ensinada de forma. Ou seja, ao estender um laço na mangueira ou no campo para a troca de cavalo, a tropilha se enfileirava de frente para o laço estirado, tocando-o com os encontros. Aos gritos de "Forma cavalo" ou "Frente cavalo", todos os animais ficavam firmes, deixando-se embuçalar facilmente.
Era comum que a tropilha fosse amadrinhada, reunida na invernada em torno de uma égua denominada "égua madrinha", que ninguém encilhava e que, geralmente, era xucra. A égua, que podia ser de qualquer pelo, trazia no pescoço um cincerro preso por uma tira de couro cru bem sovado. Como diziam os gaúchos, a égua madrinha era "do andar dos passarinhos". Não era domada de andar, mas era manuseada de baixo e costeada de laço para manter-se calma quando na forma. O retinir constante da campainha acostumava os cavalos a permanecerem juntos, atraídos pelo pequeno sino.
Havia estâncias que chegavam a ter duas tropilhas, naturalmente de pelagens diferentes. No geral, o patrão não permitia que sua tropilha fosse utilizada em tropeadas, pois não gostava que seus cavalos saíssem dos campos de sua propriedade. Também não permitia que fossem montados por estranhos, apenas por peões da estância ou por pessoas conhecidas e campeiras.
Uma semana antes de ser colocada em serviço, a tropilha era levada para a mangueira para aparar os cascos e retocar o toso. Os animais eram então adelgaçados com nados no açude. Exibir uma tropilha formada por cavalos bem domados, de boa rédea, sãos de lombo e em excelente estado era motivo de orgulho para o fazendeiro.
Os gaúchos experientes que montavam esses cavalos raramente rabonavam uma rês ao apartá-la do rodeio para o sinuelo, tampouco erravam um tiro de laço no campo. Uma estância grande podia ter até 50 cavalos mansos de uma única pelagem. E isso ainda no presente século.
Como exemplo, por volta de 1920, a Estância Santa Regina, no Rosário, de propriedade da Sra. Paulina Salles de Carvalho, tinha mais de 200 cavalos mansos. A manada, com éguas de cria e potrilhos, passava de 500 cabeças. Era uma estância de pouco mais de uma légua de sesmaria e possuía tropilhas de tordilhos, baios e lobunos. Texto retirado do livro Folclore do Rio Grande do Sul, de Dante de Laytano.
** CAXIAS DO SUL SERÁ O PALCO DA GERAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DA CHAMA CRIOULA DE 2025 - Realizou-se, no dia 17 de fevereiro, na cidade de Caxias do Sul, uma reunião de alinhamento para os preparativos do Acendimento da Chama Crioula de 2025, que ocorrerá nos dias 15 e 16 de agosto.
O Vice-Presidente de Cavalgadas do MTG, Sr. Márcio Martins D’Ávila, acompanhado da Vice-Presidente de Cultura do MTG, de membros da Coordenadoria da 25ª RT, da Comissão Executiva da Geração da Chama Crioula e do Prefeito Municipal Adiló Didomênico, realizou a vistoria técnica do Parque da Festa da Uva, local escolhido para ser a sede do evento. A visita possibilitou uma avaliação detalhada da estrutura disponível e a definição de pontos logísticos essenciais para a realização do evento.
Caxias do Sul te espera nos dias 15 e 16 de agosto de 2025!