COLUNISTAS
O lenço farroupilha 14/03/2025
No Rio Grande do Sul, o lenço de pescoço aparece como simbolismo político pela primeira vez na Revolução Farroupilha (1835-1845).
Num primeiro momento os Farroupilhas usavam um lenço vermelho de seda aberto, com duas pontas soltas às costas e atado de modo peculiar à frente, quase como uma cruz sobre o peito.
Segundo José Teixeira, do Rio Pardo, que lutou na revolução, os farrapos não desmanchavam o nó, uma vez feito, simplesmente tiravam o lenço atado, pela cabeça e depois era só recolocar.
Houve um momento em que o comando farroupilha, apesar da existência lenço colorado quis adotar para as suas forças um lenço oficial.
O grande impulsionador da ideia foi sem dúvida o major Bernardo Pires, do exército republicano, chefe de polícia durante a guerra.
Bernardo Pires era de Canguçu, liberal e maçom e conhecido por seu heroísmo, a ponto de ser reconhecido como o Mártir do Seival, devido a sua atuação naquela histórica batalha.
Bernardo Pires não era um homem instruído formalmente, mas era um excelente autodidata.
Artista plástico primitivista, insculpiu até borrachões de chifre, para canha e pintou o que deveria constar do lenço farroupilha, sobre uma ideia original do major Mariano de Mattos.
A descrição do lenço, as duas colunas do Hércules da mitologia grega significam que o poder e a sabedoria de Deus estão acima do julgamento dos homens; nos triângulos do quadrilátero as estrelas flamígeras de cinco pontas, com o vértice voltado para cima significando o retorno do homem material à morada do divino, fundamento da verdadeira religião (do latim religare); as espadas símbolos da justiça e da inflexibilidade no cumprimento da lei; os ramos de acácia, evocação do florescimento das ideias que devem encher de beleza a vida dos homens.
Da mesma forma que o caduceu de mercúrio (símbolo da medicina) os canais secretos do corpo humano que devem levar as energias até o Santo Graal “cérebro” para a transmutação do ser humano; no centro, um símbolo da coluna com suas 33 vértebras simbolizadas nos 33 graus do mestrado; a trombeta representa a divulgação dos ideais; nas periferias do lenço uma cronologia das batalhas farrapas; o anjo que toca a trombeta mostra de onde vêm esses ideais; as nove lanças representam cabalisticamente o número nove, a descida à nona esfera, o resgate dos valores necessários para o acesso ao Supremo Arquiteto do Universo; o número 3, o número místico das idades sagradas, está subliminarmente em todo o lenço e representa o Terceiro Logos, as três formas primarias da criação, a Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo (fonte da descrição, Léo Ribeiro).
O primeiro lenço foi mandado confeccionar nos Estados Unidos, por Bernardo Pires, em 10 de maio de 1842, através do comerciante uruguaio Marcial Rodriguez, porém quando chega a primeira remessa no porto de Rio Grande ela é queimada ainda nas caixas pelos imperiais, sobrando apenas alguns lenços que chegam nas mãos dos farrapos somente no dia 3 de dezembro de 1843, nos campos de Piratini.
Os farrapos mandam confeccionar mais uma vez o lenço, porém com algumas alterações, dessa vez, o segundo exemplar é confeccionado na Alemanha, mas só chegou depois do acordo de Paz.
Acabou sendo usado pelos farroupilhas, que continuaram republicanos mesmo durante o Império, numa forma de divulgar a republicana.
Sobre a influência do lenço na confecção da bandeira rio-grandense, "os arautos da República brasileira, seus corifeus e pregadores iniciais, pensando logicamente que a bandeira dos farrapos era retangular (na realidade, era quadrada) reconstituíram a bandeira com essa forma e costuraram no meio o lenço farroupilha”.
Os lenços farroupilhas, originais existentes encontrados no Rio Grande do Sul, estão distribuídos da seguinte maneira, lenço com orla azul e branca, CTG Mate Amargo, Rio Grande, lenço com orla vermelha, Biblioteca Municipal de Pelotas, lenço com orla vermelha, Museu Júlio de Castilhos, lenço com orla azul e branca, Museu Júlio de Castilhos, lenço com orla anil, Museu Júlio de Castilhos, lenço com orla azul e branca, Professora Véra Stedile Zattera, lenço Escola de Porto Alegre não identificada, e lenço que envolve o crânio do general Bento Gonçalves Mousoléu Bento Gonçalves, Rio Grande. Fonte de consulta: http://blogdoleoribeiro.blogspot.com/.../simbologia-do...; linhacampeira.com/tudo-sobre-o-lenco-farroupilha/ e o livro Pilchas do Gaúcho de Véra Stelide Zattera. Campereando a História Gaúcha.