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Equinos da raça crioula 21/03/2025

A evolução dos equinos desde sua forma selvagem, até sua domesticação constitui uma história fascinante.
Restos fósseis provam que durante o período terciário, que começou aproximadamente há 58 milhões de anos, membros da espécie equina habitaram as planícies da América do Norte.
No entanto quando Colón descobriu este território, lá já não haviam mais equinos. Existem várias
teorias que explicam o fenômeno do desaparecimento.
Dentre elas que poderia ter acontecido uma epidemia exterminadora. Porém antes deste acontecimento, alguns animais migraram para a Ásia e Europa, através de uma ligação da terra que ligava ao hoje Alaska e a Sibéria.
Hoje esta ligação não existe mais, é onde localiza-se o estreito de Bering. Estes imigrantes formaram uma robusta estirpe selvagem na Europa da qual descende a família equina de hoje, e também pertencem a esta mesma linhagem os asnos e as zebras da África.
O cavalo foi o último dos animais de granja domesticado, primeiro foram os bovinos, ovinos, caprinos, asnos, camelos. A domesticação dos cavalos segundo consta, aconteceu lá pelo ano de 3000 a.C. na Ásia Central.
 
RAÇA CRIOULA
A “Raça Crioula” é uma das mais rústicas criadas no Brasil. Foram 400 anos de seleção natural, soltos a campo pelos “Pampas” do Uruguai, da Argentina e do Rio Grande do Sul.
Foi de cem anos para cá, que primeiro na Argentina, depois no Uruguai, Paraguai e Rio Grande do Sul, pecuaristas iniciaram o processo de seleção. Don Emílio Solanet, argentino, impressionado com a agilidade e resistência dos cavalos dos índios Thuelches, comprou manadas de éguas. Estes animais eram descendentes diretos dos cavalos “andaluz” trazidos pelos espanhóis.
A raça crioula, que hoje conhecemos é produto de uma longa evolução e adaptação natural do cavalo Ibero aos pampas da América do Sul.
A origem remota foram os animais trazidos por Don Pedro de Mendonza, um dos conquistadores espanhóis, e os usou para conquistar a região do Rio da Prata. O mesmo mais tarde ao ser derrotado pelos índios, foi obrigado a deixar livres inúmeros animais os quais reproduziram livremente, formando grandes rebanhos.
Espalharam-se em direção ao Chaco argentino, à Cordilheira dos Andes à Patagônia e ao próprio Rio Grande do Sul. 
No Rio Grande do Sul, o início da formação da raça, teve a participação direta dos Padres da Ordem de Jesus. Os Jesuítas capturavam os cavalos selvagens e os usavam na formação das reduções, no continente do Rio Grande de São Pedro.
Em 1546 outro colonizador, Don Álvaro Nunes Cabeça de Vaca, chega no hoje Santa Catarina, com destino ao Paraguai, trazendo 46 animais. Destes, apenas 20 chegaram ao seu destino. Mas mesmo assim contribuíram para a formação da raça. No século XIX os animais capturados e domesticados, começaram a receber cruzamentos com outras raças.
Foi o argentino Emilio Solanet o pioneiro da recuperação do cavalo crioulo autêntico. Solanet viajou por várias regiões, principalmente pela Patagônia, buscando exemplares que conseguiram sobreviver em sua forma selvagem.
Trazidos estes animais, Solanet passou a selecionar baseado na morfologia e funcionalidade. Solanet fundou com estes animais a Cabanha El Cardal, um dos esteios da Raça Crioula. Recentemente o crioulo espalhou-se por outras regiões do país. Em São Paulo, no ano de 1983, nasceu núcleo da raça Crioula. Homenageando Emílio Mattos, esta entidade reúne criadores de várias regiões, e hoje é uma das maiores representações da raça fora do Rio Grande do Sul.
A Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Crioulo neste ano de 2017 completa, oitenta e cinco anos de existência. O cavalo crioulo é um animal de porte médio, com altura entre 1.40m e 1,50m para os machos e 1,38m e 1,48m para as fêmeas, todos bem musculados.
 
Artigo publicado em  28.07.2017

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