COLUNISTAS
23/01/2026
MDB, cenário estadual e o
peso das decisões fora do interior
Ao abordar o cenário político do Rio Grande do Sul para o jornal Folha do Nordeste, o prefeito em exercício de Ibiraiaras, Jhones Vuelma, o Sapinho, fez uma leitura que vai além da conjuntura imediata e toca em um ponto sensível da política gaúcha: o reposicionamento do MDB fora do comando direto do Palácio Piratini e os reflexos disso no interior do Estado.
Entre a perda de
protagonismo e a herança
da reorganização fiscal
Sapinho reconhece, sem rodeios, que o MDB perdeu influência ao deixar de liderar o governo estadual. Não nega o desgaste político que isso provoca, especialmente em municípios menores, onde a presença do partido historicamente sempre esteve associada à capacidade de articulação e acesso a programas e investimentos. Ainda assim, faz questão de situar o momento atual como parte de um processo mais amplo, iniciado ainda no governo Sartori, quando o Estado enfrentava grave crise fiscal e sequer conseguia pagar salários em dia.
Na avaliação do prefeito em exercício, aquele período marcou o início de um ciclo de reorganização das contas públicas, cujos efeitos passaram a ser sentidos mais recentemente, com a abertura de programas estaduais em áreas como agricultura, infraestrutura, cultura e esporte. Para Sapinho, o atual ambiente de investimentos é resultado direto de decisões duras tomadas no passado, ainda que politicamente impopulares à época.
O emedebista também aponta uma realidade que muitas vezes incomoda lideranças do interior: as decisões estratégicas do partido não se definem apenas nas bases municipais. Elas passam por debates amplos, que envolvem grandes centros, colégios eleitorais robustos e interesses regionais distintos. Nesse contexto, segundo ele, nem sempre o nome que o interior gostaria de ver como protagonista acaba sendo o escolhido para liderar projetos majoritários.
Sapinho admite que, pessoalmente, nem sempre concorda com as coligações firmadas em nível estadual, mas afirma que a experiência no Executivo o levou a compreender melhor a lógica dessas decisões. Para ele, muitas alianças não são construídas apenas por afinidade partidária, mas por viabilidade política e capacidade de governabilidade. Em suas palavras, nem sempre o projeto “da casa” é o único capaz de entregar resultados concretos para o Estado.
Gabriel Souza e a leitura
de um nome em construção
Ao ser provocado sobre o cenário eleitoral e sobre a possibilidade de o atual vice-governador Gabriel Souza vir a disputar o governo do Estado, Sapinho demonstrou respeito e cautela na análise. Lembrou que Gabriel, por ocupar a vice-governadoria, naturalmente se credencia como um nome colocado, mas ponderou que qualquer projeto majoritário precisa ser avaliado com base em preparo, experiência administrativa e capacidade de diálogo.
Para Sapinho, Gabriel Souza reúne atributos relevantes: conhecimento da máquina pública, trajetória como deputado e vivência administrativa. Destacou ainda a relação pessoal de amizade e confiança, o que, segundo ele, não elimina a necessidade de analisar propostas e projetos com responsabilidade. Na sua leitura, o Rio Grande do Sul estará bem servido independentemente de quem venha a assumir o comando do Estado, desde que o projeto apresentado dialogue com a realidade gaúcha.
O prefeito em exercício também contextualizou que o próximo ciclo de governo será desafiador, marcado pelos reflexos das catástrofes climáticas, pelas dificuldades enfrentadas pelo produtor rural e pelas incertezas trazidas pela reforma tributária. Dentro desse cenário, entende que o Estado seguirá demandando investimentos robustos e capacidade de articulação política, especialmente a partir de 2026 e nos anos seguintes.
O MDB entre as
bases municipais e
o desafio de reconexão
Ao falar do futuro do MDB, Sapinho demonstra confiança na força das bases municipais. Destaca que o partido segue sendo grande, estruturado e fortemente enraizado no interior, onde mantém lideranças ativas, prefeitos, vices, vereadores e uma militância orgânica. Na sua leitura, é justamente esse capital político que pode permitir ao MDB recuperar protagonismo, desde que haja diálogo interno e reconexão entre a cúpula estadual e as lideranças regionais.
Outro ponto relevante da análise de Sapinho é a postura do MDB frente ao cenário eleitoral que se desenha no Estado. Ele observa que, com múltiplas vias colocadas, o debate tende a ser mais fragmentado, mas entende que isso não enfraquece necessariamente o partido. Ao contrário, na visão dele, o momento exige maturidade política, capacidade de leitura de cenário e disposição para construir pontes - inclusive com antigos adversários - se isso representar um projeto consistente para o Rio Grande do Sul.
Por fim, Sapinho faz uma distinção clara entre divergência política e ruptura institucional. Para ele, o MDB pode ser adversário em determinadas disputas, mas não pode se afastar da responsabilidade de contribuir com a governabilidade e com projetos que beneficiem a população. A política, segundo sua visão, não deve ser guiada apenas por paixões partidárias, mas por decisões que tragam estabilidade, investimentos e respostas concretas às demandas da sociedade gaúcha.
A fala de Sapinho revela um MDB que vive um momento de transição: menos protagonista no centro do poder, mas ainda muito presente nas bases; menos impositivo, porém mais desafiado a dialogar. Um partido que, se quiser retomar espaço no cenário estadual, precisará ouvir mais o interior - e, ao mesmo tempo, entender que o jogo político hoje exige alianças mais amplas, pragmatismo e leitura estratégica do tempo presente.
Presidente veta
emendas parlamentares
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o repasse de R$ 400 milhões em emendas parlamentares. O montante já estava fora das regras legais. Além disso, o chefe do Executivo deve promover o remanejamento e o bloqueio de cerca de R$ 11 bilhões no orçamento, mantendo a execução dentro do limite de R$ 50 bilhões estabelecido em lei.
O objetivo do governo é recompor recursos destinados a políticas sociais que foram reduzidos durante a tramitação orçamentária no Congresso Nacional, como o Auxílio Gás e o Pé-de-Meia.
O embasamento para o veto está na lei sancionada em novembro do ano passado, que definiu novas regras para a execução de emendas parlamentares na Lei Orçamentária Anual. A norma foi elaborada após questionamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), que cobrou maior transparência e rastreabilidade na destinação desses recursos.
Para debater
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