COLUNISTAS
30/01/2026
BONOTTO E O JOGO DE 2026
Em entrevista concedida à coluna, o presidente do Progressistas de Lagoa Vermelha, ex-prefeito Gustavo Bonotto, fez uma ampla análise do momento vivido pelo partido, das decisões estratégicas para as eleições de 2026, do cenário político estadual, regional e local, além de avaliar a atual Administração Municipal. Com discurso ponderado e institucional, Bonotto defendeu a tomada de posição antecipada do PP, destacou a importância da unidade partidária e reafirmou seu compromisso com Lagoa Vermelha e com a construção coletiva da política.
PROCESSO INTERNO E DECISÃO HISTÓRICA DO PROGRESSISTAS
Segundo Gustavo Bonotto, o Progressistas viveu, nos últimos meses, um período intenso de debates internos, culminando na reunião do diretório estadual realizada em 20 de janeiro. O encontro teve como objetivo ouvir as lideranças municipais e estaduais e definir rumos claros para o partido no processo eleitoral de 2026.
Bonotto participou da reunião como representante de Lagoa Vermelha, ao lado do ex-vereador Gabriel Vieira, também integrante do diretório estadual. Na ocasião, foram apresentados três questionamentos centrais: a possibilidade de candidatura própria do partido ao governo do Estado, o posicionamento diante das cartas de proposição de coligação encaminhadas pelo MDB e pelo PL, e a definição sobre a permanência ou saída do PP do governo Eduardo Leite.
A decisão foi expressiva. Aproximadamente dois terços dos membros votantes optaram pela indicação de Covatti Filho como principal liderança do partido para conduzir a pré-candidatura ao governo do Estado ou as tratativas de coligação. Também ficou deliberado o avanço das conversas com o Partido Liberal e o encaminhamento da saída do PP do governo estadual.
UNIDADE PARTIDÁRIA E LIDERANÇA POLÍTICA
Para Bonotto, o resultado não representa divisão, mas sim um movimento natural de um partido democrático que decide tomar posição. Ele reconhece que divergências sempre existirão, mas enfatiza que a ampla maioria demonstrou uma vontade clara de protagonismo político.
Na avaliação do ex-prefeito, a condução do processo pelo presidente estadual Covatti Filho foi marcada por coragem e liderança. Congregar opiniões diferentes nunca é simples, mas tomar uma decisão antecipada, alinhada à base do partido, demonstra maturidade política.
COLIGAÇÕES E LEITURA DO CENÁRIO ELEITORAL
Sobre as cartas recebidas do MDB e do PL, Bonotto explicou que ambas continham a mesma proposta: o partido que encabeçar a chapa majoritária ao governo do Estado abriria espaço para que o outro indicasse o vice-governador e uma das vagas ao Senado.
Embora a definição final do candidato ao governo ainda dependa de leitura de cenário e contexto político, Bonotto admite que, neste momento, há uma percepção de preferência popular pelo deputado Zucco como liderança do projeto. Ainda assim, ressalta que o processo permanece aberto e que eventuais mudanças poderão ocorrer, inclusive em função de alinhamentos nacionais.
POSICIONAMENTO EM RELAÇÃO AO GOVERNO EDUARDO LEITE
Questionado sobre a saída do PP do governo Eduardo Leite, Bonotto afirmou que ainda não há uma data definida, mas que o movimento ocorrerá no tempo adequado. Ele lembrou que o Progressistas teve participação relevante na construção do atual governo estadual, com destaque para as secretarias de Desenvolvimento Econômico e Desenvolvimento Rural, ambas avaliadas positivamente.
Para o dirigente, a coerência entre aquilo que o partido delibera internamente e sua atuação pública será fundamental nesse processo, ainda que existam opiniões divergentes dentro da sigla.
AVALIAÇÃO DO PROGRESSISTAS NO CENÁRIO REGIONAL
Bonotto destacou o crescimento do PP nas eleições municipais de 2024, especialmente na região da AMUNOR, onde o partido alcançou o maior número de prefeitos das últimas três eleições. Segundo ele, as administrações progressistas têm demonstrado bom desempenho e aprovação popular.
O desafio agora, conforme avalia, é fortalecer ainda mais a representação regional e ampliar a participação do partido na construção de soluções junto às diferentes esferas de governo.
AVALIAÇÃO DO GOVERNO ELOIR MORONA E ALESSANDRO MULITERNO
Ao analisar o primeiro ano da gestão do prefeito Eloir Morona e do vice Alessandro Muliterno, Bonotto foi enfático ao classificar o governo como ótimo. Segundo ele, a administração conseguiu equilibrar a continuidade de projetos bem-sucedidos com correções e avanços em áreas que demandavam melhorias.
O ex-prefeito destacou obras estruturantes como a rua Benjamin Constant, a Cancha Coberta do CTG Alexandre Pato, a Valmor Bonotto, além de investimentos em saúde, educação e infraestrutura. Também citou projetos de médio e longo prazo, como a Rua Coberta, a revitalização de espaços públicos e ações que posicionam Lagoa Vermelha de forma estratégica para o futuro.
RELAÇÃO INTERNA NO PARTIDO E EPISÓDIOS PONTUAIS
Sobre o episódio envolvendo a vereadora Charise Bresolin e cobranças públicas feitas ao deputado federal Covatti Filho, Bonotto tratou o tema com naturalidade. Para ele, divergências e cobranças fazem parte da vida partidária e política, especialmente em um ambiente democrático.
Embora reconheça que uma comunicação mais próxima poderia evitar exposições públicas, avaliou que o episódio foi superado com maturidade e entendimento, não gerando maiores consequências internas.
BANCADA DO PROGRESSISTAS NA CÂMARA DE VEREADORES
Bonotto avaliou de forma positiva a atuação da bancada progressista no Legislativo, destacando o equilíbrio entre experiência e renovação. Segundo ele, o grupo representa bem a diversidade do eleitorado e tem contribuído de forma efetiva para o debate e para o apoio às ações do Executivo, respeitando a natureza independente do Legislativo.
OPOSIÇÃO E PAPEL FISCALIZADOR
Ao falar sobre a oposição, Bonotto fez uma distinção clara entre crítica construtiva e oposição meramente reativa. Para ele, apontar problemas sem apresentar soluções não contribui para o avanço da cidade.
Ainda assim, reconhece que esse comportamento faz parte do jogo político e que cabe à população avaliar quais posturas efetivamente colaboram para o desenvolvimento do município.
PROJETOS ESTRUTURANTES
E VALORIZAÇÃO DOS AVANÇOS
Bonotto elogiou a retomada da Expo Lagoa, classificando o evento como um momento de celebração da comunidade e valorização das potencialidades locais. Também destacou a importância da Rua Coberta e da Cancha Coberta do CTG Alexandre Pato como espaços estratégicos para eventos, integração social e fortalecimento cultural.
LAGOA VERMELHA, IDENTIDADE E PERTENCIMENTO
Em um dos momentos mais pessoais da entrevista, Bonotto reafirmou sua profunda ligação com Lagoa Vermelha. Disse ser apaixonado pela cidade e defendeu que o desenvolvimento não é responsabilidade apenas do poder público, mas de cada cidadão.
Segundo ele, os governos são reflexo daquilo que a sociedade está disposta a construir coletivamente.
SOBRE O PP EM 2026: UMA LEITURA DE BONOTTO
Ao tratar do futuro do Progressistas em 2026, Gustavo Bonotto deixa claro que o partido optou por abandonar a postura de espera para assumir posição política. A decisão antecipada, segundo sua leitura, busca evitar o isolamento e garantir protagonismo no processo eleitoral. Bonotto defende que o PP compreendeu seus limites e potencialidades, entendendo que tamanho partidário não é, por si só, garantia de vitória. A aposta na coligação revela pragmatismo e leitura de cenário, priorizando a vontade do eleitor em detrimento da vaidade partidária. Ao reconhecer lideranças externas como possíveis cabeças de chapa, o Progressistas sinaliza maturidade política. O discurso também indica uma tentativa de reposicionamento ideológico mais claro. Em 2026, o PP não quer apenas participar, quer influenciar.
FUTURO POLÍTICO
Questionado sobre uma possível candidatura futura, Bonotto afirmou que, neste momento, não tem essa pretensão. Destacou que sua contribuição política foi intensa ao longo de quase uma década e que agora pretende dedicar-se à família, à atuação como extensionista rural da Emater e a projetos pessoais.
Na mensagem final, agradeceu o espaço concedido pela imprensa, reafirmou a importância do Progressistas como partido plural e desejou um excelente 2026 à comunidade lagoense, reforçando a ideia de que o crescimento da cidade depende do esforço coletivo.
O SILÊNCIO ESTRATÉGICO DE BONOTTO
Ao afirmar, de forma clara, que não pretende disputar cargos eletivos no curto prazo, Gustavo Bonotto transmite uma mensagem que vai além da literalidade da resposta. Em política, o “não agora” quase nunca significa um encerramento definitivo, mas sim uma leitura de tempo, contexto e utilidade.
Bonotto encerrou dois mandatos como prefeito e hoje ocupa uma posição estratégica: a de presidente do Progressistas em Lagoa Vermelha. Trata-se de um posto de influência silenciosa, porém decisiva, que permite articulação, formação de quadros e condução de rumos sem o desgaste natural do mandato eletivo. Ao optar por permanecer neste espaço, ele sinaliza maturidade política e compreensão do momento.
Há, também, um elemento geracional implícito. Ao não se colocar como protagonista eleitoral, Bonotto abre espaço para novas lideranças do partido, ao mesmo tempo em que mantém ascendência política sobre elas. É o movimento clássico de quem troca o palco pelo bastidor qualificado, sem abdicar do poder de decisão.
ALINHAMENTO
Outro ponto relevante é o alinhamento entre discurso e trajetória. Bonotto sempre defendeu a política como instrumento de contribuição, não de permanência. Ao retomar sua atuação como extensionista rural da Emater e priorizar a vida pessoal, ele reforça uma imagem de coerência - ativo raro num ambiente frequentemente marcado por contradições.
Isso não significa afastamento da política. Pelo contrário. Sua fala indica que ele seguirá sendo peça-chave na organização partidária, na mediação de conflitos internos e na construção de projetos coletivos, especialmente no ciclo que antecede 2026. A ausência de candidatura, neste momento, pode ampliar sua capacidade de influência, justamente por não disputar espaço com quem está na linha de frente eleitoral.
O futuro político de Bonotto, portanto, parece menos ligado à ocupação de cargos e mais à consolidação de um papel de referência. Se e quando decidir retornar ao processo eleitoral, o fará em condições diferentes: com capital político preservado, sem desgaste recente e com a credencial de quem soube sair do centro do palco no momento adequado.
Na política, saber entrar é importante. Saber sair, mais ainda. Bonotto demonstra compreender ambos os movimentos - e isso, por si só, já o mantém no jogo.


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