COLUNISTAS
23/01/2026
A CORDA BAMBA
DO FUTSAL GAÚCHO EM 2026
O ano de 2026 mal começou e o futsal gaúcho já sente o peso de uma realidade dura, conhecida, mas que desta vez se apresenta de forma ainda mais explícita. A divulgação dos resultados do Pró-Esporte RS, principal política de fomento ao esporte no Estado, escancarou um cenário de escassez de recursos que coloca em risco a manutenção de alguns clubes. Mais de 700 projetos foram inscritos e pouco menos de 170 aprovados, considerando todas as modalidades. Para o futsal, a conta simplesmente não fecha: entre todos os clubes do Estado, apenas dez projetos foram contemplados.
DEPENDÊNCIA DO INCENTIVO E OS PRIMEIROS REFLEXOS
Infelizmente, há projetos que possuem grande dependência do incentivo fiscal, e isso acabou se tornando um transtorno estrutural. Sem a aprovação no Pró-Esporte, o reflexo já é visível na modalidade. Após o anúncio do Governo do Estado, na semana passada, equipes começaram a confirmar que não disputarão as competições em 2026.
A crise deste ano funciona como um ultimato. Ou o futsal gaúcho avança na profissionalização da gestão, diversificando receitas, fortalecendo marcas e buscando novas alternativas, ou seguirá refém de um sistema que, ano após ano, deixa mais clubes pelo caminho. Enquanto algumas equipes mais tradicionais tentam encontrar refúgios, outras simplesmente fecham as portas.
LAGOA ESPORTE CLUBE
REFAZ PLANEJAMENTO
PARA A TEMPORADA
Mesmo com um projeto sólido e consolidado, o Lagoa Esporte Clube também sentiu os efeitos do novo cenário. A direção confirmou, nos últimos dias, a necessidade de ajustes importantes no planejamento para a temporada, reflexo direto de uma realidade financeira bem diferente daquela projetada no segundo semestre do ano passado. Em nota oficial publicada nas redes sociais, o clube explicou que “decisões difíceis precisaram ser tomadas para garantir a continuidade e a saúde do projeto esportivo”.
A entidade informou que houve frustração relevante de receitas, especialmente pela não confirmação de recursos provenientes de uma emenda parlamentar federal e do Pró-Esporte RS. A perda representa cerca de 40% da arrecadação inicialmente prevista, impactando diretamente o orçamento elaborado ainda nos meses de setembro e outubro, período em que o Lagoa tradicionalmente estrutura sua temporada.
Mesmo diante de um cenário econômico nacional desfavorável, a expectativa da diretoria era ampliar a arrecadação e fortalecer os projetos de futsal e voleibol. Com a mudança brusca de perspectiva, o clube optou por uma postura mais conservadora, priorizando responsabilidade e segurança financeira, evitando comprometer a sustentabilidade no médio e longo prazo.
A nota também destacou a importância do apoio que mantém o Lagoa ativo. Atualmente, cerca de 75% da arrecadação vem diretamente dos torcedores e de mais de 90 empresas parceiras, enquanto aproximadamente 15% têm origem em convênios com o poder público municipal.
AJUSTES NO ELENCO E
PRESERVAÇÃO DO PROJETO
Os primeiros reflexos desse novo cenário já começaram a aparecer. O clube confirmou o desligamento de dois atletas: Luk, que esteve em Lagoa Vermelha na temporada passada, e Douglas Beiço, anunciado como novidade para este ano. A direção não descarta novos cortes nas próximas semanas, conforme o redesenho completo do orçamento.
O momento exige cautela e ajustes, mas o discurso interno é claro: preservar o projeto. A prioridade passa a ser manter o Lagoa Esporte Clube competitivo dentro de suas reais condições, evitando riscos financeiros que possam comprometer o futuro da entidade.
AVALIAÇÃO DE RETORNO
ÀS COMPETIÇÕES DA FGFS
Mesmo diante das dificuldades financeiras enfrentadas no início da temporada, a direção do Lagoa Futsal não descarta a possibilidade de voltar a disputar competições organizadas pela Federação Gaúcha de Futebol de Salão (FGFS). A alternativa em estudo é a participação na série Prata, caminho semelhante ao adotado pelo Passo Fundo Futsal na temporada passada.
Internamente, a avaliação é de que a série Prata poderia oferecer um contexto interessante, especialmente pela possibilidade de utilização da categoria sub-20. Esse cenário abriria espaço para a valorização de atletas formados nas categorias de base, permitindo rodagem, experiência competitiva e uma transição mais natural para o elenco adulto, algo considerado estratégico em um momento de contenção de gastos.
A eventual volta à FGFS, no entanto, não significaria ruptura com a Liga Gaúcha de Futsal. A direção afirma que, mesmo optando pela série Prata da federação, o Lagoa pretende manter a disputa da série A do Gauchão, promovido pela LGF, conciliando calendários dentro das possibilidades técnicas e financeiras.
Esse movimento evidencia, mais uma vez, a instabilidade estrutural do futsal gaúcho. A constante alternância entre entidades promotoras, muitas vezes motivada por questões financeiras, regulatórias ou políticas, segue atormentando os clubes e confundindo até o torcedor mais assíduo.
RODRIGO TICZ PROJETA
CALENDÁRIO ESPORTIVO CHEIO EM 2026
O Departamento de Esportes da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto já colocou 2026 no radar. Segundo o coordenador Rodrigo Ticz, o planejamento das atividades esportivas começou ainda neste início de ano, com a projeção de aproximadamente 15 eventos ao longo da temporada. A proposta é manter um calendário ativo, distribuído entre diferentes modalidades e espaços do município, fortalecendo tanto o esporte de rendimento quanto a participação comunitária.
O primeiro passo passa pelo futsal de base, com a intenção de iniciar, no final de fevereiro, um campeonato voltado às categorias de formação, incentivando o envolvimento de crianças e adolescentes. Para o mês de março, está prevista a realização de uma rústica, ampliando o leque de modalidades e alcançando um público ligado às corridas de rua e às atividades ao ar livre.
Outro ponto do planejamento envolve a praça do bairro Nunes. Assim que ocorrer a inauguração do espaço, a ideia é promover uma competição esportiva envolvendo futebol sete e modalidades de areia, aproveitando a nova estrutura. A iniciativa também carrega um simbolismo importante: levar o esporte para novos espaços e fortalecer a ocupação comunitária das áreas públicas.


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