COLUNISTAS

06/02/2026

POLÍTICA NÃO SE FAZ APENAS 
COM RECORTES DIGITAIS
Durante o ato de entrega da pavimentação da rua Valmor Bonotto, nesta semana, na Área Indústrial I, uma manifestação do deputado Ronaldo Santini, Podemos, chamou atenção não apenas pelo tom, mas pelo conteúdo político que carrega. Ao afirmar que “política de recorte de vídeo programado para público digital não traz melhorias para a cidade”, Santini tocou em um ponto sensível - e cada vez mais presente - no debate político atual.
Não se trata de uma crítica isolada ou circunstancial. Em outras oportunidades, inclusive em entrevista concedida ao Folha News, Santini já havia alertado para o risco de uma política voltada exclusivamente ao engajamento virtual, desconectada da entrega concreta de resultados. O discurso volta à tona em um momento oportuno, quando a política local começa a projetar os cenários de 2026 e, consequentemente, de 2028. A fala não nega a importância das redes sociais - ferramenta hoje indispensável -, mas questiona o seu uso como fim em si mesmo. O alerta é claro: governar e fazer política exige mais do que vídeos bem editados, frases de efeito e narrativas pensadas para viralizar. Exige presença, persistência, enfrentamento de obstáculos e, sobretudo, resultados mensuráveis para a comunidade.
 
VELOCIDADE ARTIFICIAL
Ao relembrar uma luta que levou mais de uma década para se concretizar, Santini reforça um contraste evidente entre o tempo real das obras públicas e a velocidade artificial das redes sociais. Obras não se entregam em “stories”. Projetos não se resolvem em “reels”. Transformações reais exigem continuidade administrativa, articulação política e capacidade de resistir às críticas fáceis - muitas vezes feitas por quem torce para que nada dê certo. Esse tipo de posicionamento também dialoga com o eleitor que começa a demonstrar cansaço de uma política excessivamente performática. A sociedade, aos poucos, passa a diferenciar quem comunica de quem realiza. E esse será, sem dúvida, um dos filtros mais importantes nas próximas disputas eleitorais.
No fim, a mensagem é direta: política serve para produzir resultados. O resto é ruído.
 
ELEIÇÕES DE 2026 JÁ PROJETAM 
CENÁRIOS PARA 2028 EM LAGOA VERMELHA
Embora ainda faltem três anos para a próxima disputa municipal, a política tem uma característica que os observadores mais atentos conhecem bem: ela nunca começa no ano da eleição. Em Lagoa Vermelha, o pleito de 2026 já se desenha como decisivo para a reorganização das forças políticas que irão disputar o Executivo em 2028.
Neste espaço, já foi mencionado que as eleições de 2026 terão papel estratégico no futuro do município. Isso porque o atual grupo no poder, liderado pelo Partido Progressista, já se encontra em sua terceira gestão consecutiva no comando da Prefeitura - duas sob Gustavo Bonotto e, agora, a primeira com Eloir Morona. A história recente mostra que, a partir desse estágio, começam a surgir desgastes naturais, questionamentos internos e, sobretudo, novos arranjos políticos.
Ainda é cedo para afirmar qualquer movimento concreto, mas nos bastidores já se cogita a possibilidade de que, dependendo do resultado eleitoral de 2026, o PP possa reavaliar sua posição e, eventualmente, abrir mão da cabeça de chapa em 2028. Não seria um movimento isolado, mas consequência direta do cenário estadual e federal que se desenhará no próximo pleito.
Um dos pontos que mais chama a atenção nas projeções internas do próprio PP envolve o futuro político de Ronaldo Santini, Podemos. Caso o deputado não conquiste a reeleição em 2026 - ou, em um cenário alternativo, opte por disputar a Prefeitura de Lagoa Vermelha em 2028 por outro partido - o quadro político local tende a mudar de forma significativa. Esse cenário ganha ainda mais relevância quando se observa que o vice-prefeito Alessandro Muliterno, filiado ao Podemos, integra hoje a base governista e participa diretamente da condução administrativa do município. A aliança entre PP e Podemos tem sido um dos pilares da atual gestão, somada ainda ao apoio do PL, União Brasil e PSD, formando uma base ampla e politicamente sólida.
 
AVALIAÇÃO DA POPULAÇÃO
No entanto, há quem avalie que o desgaste acumulado de uma quarta tentativa consecutiva do PP à frente do Executivo poderia representar um obstáculo real nas urnas. Tudo, evidentemente, passará pela avaliação da população sobre o desempenho da Administração Municipal - que, para muitos, tem sido positiva e equilibrada. Ainda assim, a política é dinâmica, e os sinais emitidos em 2026 terão peso direto na definição das chapas de 2028. Para quem acompanha os bastidores, o jogo já começou - ainda que oficialmente ninguém queira admitir.
 
O PAPEL DE ELOIR MORONA E AS 
VARIÁVEIS QUE PODEM REDEFINIR 2028
Ao projetar os cenários que começam a se desenhar a partir das eleições de 2026, é inevitável considerar, também, a posição do prefeito Eloir Morona no tabuleiro político de Lagoa Vermelha. Como chefe do Executivo e principal liderança do Partido Progressista no município, Morona possui o direito natural de buscar a reeleição em 2028, amparado pelo trabalho que vem desenvolvendo à frente da Administração Municipal.
Esse fator, por si só, tem peso suficiente para alterar avaliações preliminares feitas nos bastidores, inclusive aquela que aponta a possibilidade de o PP abrir mão da cabeça de chapa em um quarto mandato consecutivo. A política, afinal, não é estática, e o desempenho do governo tende a ser decisivo na definição dos rumos partidários. Caso a gestão mantenha índices positivos de avaliação junto à comunidade, Morona pode, sim, reunir as condições políticas necessárias para sustentar uma nova candidatura majoritária do PP, reconfigurando alianças e neutralizando, ao menos em parte, o discurso do desgaste natural do poder.
 
COMPOSIÇÃO MAIS AMPLA
Por outro lado, também não pode ser descartada a hipótese de uma composição mais ampla, especialmente com o Podemos, partido que integra hoje a base do governo municipal. Nesse contexto, surgem especulações - ainda no campo das projeções - sobre possíveis arranjos para 2028, que poderiam envolver nomes como Ronaldo Santini, em uma eventual disputa local, ou até mesmo o atual vice-prefeito Alessandro Muliterno.
São hipóteses que circulam nos bastidores, alimentadas por análises políticas e pela leitura antecipada do cenário, mas que ainda dependem de inúmeros fatores: o resultado das urnas em 2026, o desempenho da gestão municipal, o ambiente estadual e, sobretudo, a vontade do eleitor.
Por ora, o que se pode afirmar é que o jogo segue em aberto. E, como a história recente demonstra, muitas definições sobre 2028 começarão, de fato, a ganhar contornos a partir do próximo pleito. Até lá, as peças seguem em movimento.
 
O PAPEL DA OPOSIÇÃO E A
 NECESSIDADE DE REESTRUTURAÇÃO
Outro ponto que não pode ser ignorado quando se projetam os cenários para 2028 em Lagoa Vermelha é o papel da oposição. Queira ou não, trata-se de um campo que precisará passar por um processo de reorganização e fortalecimento se quiser disputar, de forma mais competitiva, o próximo pleito municipal. Hoje, a correlação de forças no Legislativo é clara. A Câmara de Vereadores de Lagoa Vermelha conta com 11 cadeiras, das quais apenas três pertencem à oposição. Essa representação se dá por meio do Partido dos Trabalhadores, com uma cadeira, e do Partido Democrático Trabalhista, que ocupa duas vagas.
Esse número reduzido de parlamentares impõe limites à atuação oposicionista, tanto no campo legislativo quanto na construção de um projeto político mais robusto para o Executivo. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de renovação de discursos, lideranças e estratégias, sob pena de a oposição seguir periférica no debate municipal.
 
REORGANIZAÇÃO DE FORÇAS
É evidente que muito ainda dependerá do desenrolar dos fatos em 2026. As eleições gerais costumam reorganizar forças, redefinir protagonismos e, muitas vezes, reposicionar partidos no cenário local. Ainda assim, como se sabe, os bastidores da política trabalham sempre com antecedência, projetando lá na frente os reflexos que poderão influenciar diretamente a disputa municipal de 2028.
Nesse contexto, o tempo joga a favor de quem consegue ler o cenário com antecedência. Para a oposição, o desafio está posto: sair da condição reativa, ampliar sua presença política e construir, desde já, alternativas que dialoguem com o sentimento da comunidade. O relógio segue correndo - e a política, como sempre, não espera.
 
O FATO FELIPPE RIETH E A MOVIMENTAÇÃO 
DO PDT NO HORIZONTE DE 2028
Ainda no contexto das eleições de 2026 e de seus possíveis reflexos em 2028, há um movimento que vem sendo observado com atenção por diversos analistas políticos - inclusive por setores do Partido Progressista de Lagoa Vermelha, atualmente no comando do município.
Trata-se do desempenho eleitoral do ex-prefeito de Capão Bonito do Sul, Felippe Júnior Rieth, que recentemente passou a integrar o Partido Democrático Trabalhista em Lagoa Vermelha. Conforme já divulgado, Felippe deverá disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026, formando uma dobradinha regional com o deputado Gilmar Sossella, que deverá concorrer à Assembleia Legislativa do Estado.
 
VOTAÇÃO EXPRESSIVA
Nos bastidores, a avaliação é de que Felippe Rieth tende a alcançar uma votação expressiva, fruto do trabalho desenvolvido enquanto gestor municipal, da projeção regional construída ao longo dos últimos anos e da inserção política que passa a consolidar também em Lagoa Vermelha. A expectativa de bom desempenho não se restringe apenas ao eleitorado do PDT, mas alcança setores mais amplos da comunidade, que acompanham sua trajetória administrativa. Caso esse cenário se confirme em 2026, cresce a leitura de que Felipe Rieth se credenciaria, de forma natural, como um nome forte do PDT para a disputa do Executivo municipal em 2028. Trata-se de uma construção política clássica: votação expressiva em eleição proporcional como trampolim para uma candidatura majoritária no ciclo seguinte.
Ainda é cedo para qualquer definição, mas essa conjuntura já é considerada por muitos como uma peça relevante no tabuleiro político local. Em um ambiente onde alianças, lideranças e projetos estão em constante rearranjo, o desempenho de Felippe Rieth em 2026 pode se transformar em mais um elemento decisivo na equação que definirá a sucessão municipal de 2028.
Mais uma variável em jogo. E, como se vê, o tabuleiro segue longe de estar completo.
 
RENOVAÇÃO NO LEGISLATIVO ENTRA NO RADAR 
E PODE IMPACTAR AS CHAPAS DE 2028
Outra avaliação recorrente, colhida junto a lideranças políticas de diferentes partidos - muitos deles com representação na Câmara de Vereadores de Lagoa Vermelha - aponta que o processo eleitoral de 2028 tende a sentir, de forma mais clara, uma demanda por renovação. Não apenas na relação de candidatos a vereador, mas também no sentimento da própria comunidade, que passa a observar com mais atenção o desempenho do Legislativo.
Com o encerramento do primeiro ano de legislatura e o ingresso no segundo, a Câmara passa a ser presidida pelo vereador Luiz Carlos Kramer, em um momento em que avaliações internas e externas começam a ganhar corpo. Para muitos observadores, esse é justamente o período em que se consolidam imagens, se acumulam desgastes e se formam expectativas para o próximo ciclo eleitoral. Um ponto que surge com frequência nas análises diz respeito à regra vigente que estabelece que um suplente de vereador somente pode assumir o mandato em caso de afastamento do titular por período igual ou superior a 120 dias, salvo exceções específicas, como problemas de saúde. Trata-se de um detalhe muitas vezes despercebido pelo eleitor, mas que, na prática, interfere diretamente na dinâmica partidária.
Essa regra, comum não apenas em Lagoa Vermelha, mas em boa parte do país, acaba por inibir a oxigenação dos partidos com assento no Legislativo. Muitos suplentes, que contribuíram ativamente nas campanhas e ajudaram a fortalecer as chapas, acabam não tendo qualquer oportunidade de exercer o mandato, o que gera frustração interna e dificulta a manutenção do engajamento político.
 
REFLEXOS DIRETOS
Nos bastidores, há quem avalie que esse modelo pode trazer reflexos diretos já na próxima eleição municipal, especialmente na dificuldade de alguns partidos em montar nominatas completas e competitivas. A escassez de nomes dispostos a disputar uma vaga na Casa do Povo tende a ser um desafio real, sobretudo se não houver perspectiva de participação efetiva no processo legislativo. 
Diante desse cenário, cresce a percepção de que partidos que vislumbram espaço no Executivo municipal possam, eventualmente, buscar compensações por meio de cargos de confiança, como forma de manter ativos aqueles candidatos que não lograram êxito nas urnas. Trata-se de uma prática conhecida, inserida na cultura da política brasileira, e que também se manifesta no contexto local.
É uma análise ainda prematura, sem dúvida. Mas que encontra respaldo na experiência política, na leitura dos bastidores e na própria realidade institucional de Lagoa Vermelha. Os ajustes virão - como sempre vêm - e, mais uma vez, o caminho até 2028 começa a ser desenhado bem antes do que muitos imaginam.

Outras colunas deste Autor