COLUNISTAS
República e Banco Master - 06/02/2026
É incrível como parece ser grande o rolo envolvendo o Banco Master, cuja liquidação foi determinada pelo Banco Central. Isso porque o dono do banco, Daniel Vorcaro, mantinha relações econômicas, profissionais, pessoais e políticas com muitas das altas autoridades da República e de todos os Poderes. Ele tinha portas abertas em boa parte de Brasília, tamanha era a projeção de sua figura como banqueiro. Mas o seu banco foi fechado e há suspeitas de que ele não tenha seguido as leis quando a sua instituição financeira estava em funcionamento.
Vorcaro passou alguns poucos dias preso e agora encontra-se com uma tornozeleira eletrônica e impedido de realizar qualquer operação bancária.
Diariamente a imprensa tem noticiado a profundidade de suas relações pessoais, as estratégias que executava para aproximar-se de autoridades e assim buscar blindagem dos interesses de seu banco, a parceria ainda a ser investigada com o banco estatal de Brasília, o BRB, e toda a celeuma que ocorreu com o Banco Central. Em um depoimento que deu, Vorcaro se disse inocente, afirmou que sempre seguiu as regras e não fez gestão fraudulenta em seu banco.
Por alguns dias especulou-se que o banqueiro poderia fazer uma delação premiada. Isso, no entanto, não se confirmou. Mas a crença é a de que uma delação poderia abalar a República, tamanha a teia de relacionamentos que ele possui e os negócios e trocas que empreendeu.
Aos “donos do poder” não interessa que ele abra o bico - e isso dificilmente acontecerá. Se fosse para arriscar, eu apostaria que o escândalo do banco não vai dar em nada, e no máximo Vorcaro irá seguir com a tornozeleira.
A tornozeleira é uma forma da República dizer que está fazendo alguma coisa, quando na verdade está temerosa do que o banqueiro sabe e pode revelar.


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