COLUNISTAS
13/02/2026
SAÚDE PÚBLICA: QUANDO A ESPERA SE TORNA UM RISCO
A sessão ordinária da Câmara de Vereadores, realizada na segunda-feira, dia 9, foi marcada por manifestações que colocaram em evidência problemas estruturais enfrentados diariamente pela população. Um dos momentos mais sensíveis ocorreu quando o vereador Ariovaldo Carlos da Silva (PDT) levou à tribuna o caso de um morador de Lagoa Vermelha, trabalhador da construção civil, que há mais de dois anos aguarda por uma cirurgia de alta complexidade, convivendo com dores constantes e com o risco real de amputação.
O relato teve força não apenas pelo aspecto humano, mas por expor a morosidade do sistema público de saúde quando o atendimento ultrapassa a atenção básica. Ao contextualizar o caso, Ariovaldo fez questão de reconhecer o trabalho desenvolvido no âmbito municipal, destacando o atendimento e o acompanhamento prestados pela Secretaria Municipal de Saúde. O foco da crítica, no entanto, recaiu sobre a lentidão nas esferas estadual e federal, responsáveis diretas pela realização de cirurgias de maior complexidade.
A RESPONSABILIDADE DO ESTADO E DA UNIÃO
Ao aprofundar o debate, o vereador Ariovaldo Carlos da Silva trouxe à tona uma discussão recorrente, mas nem sempre enfrentada com a devida clareza: a divisão de responsabilidades e de recursos entre município, Estado e União. Segundo ele, embora os municípios concentrem a arrecadação dos impostos, recebem apenas uma pequena parcela para atender diretamente a população, enquanto as maiores fatias ficam retidas nas instâncias superiores.
Nesse contexto, a judicialização da saúde foi apresentada como um caminho inevitável diante da urgência do caso. A busca por laudos e o encaminhamento à Defensoria Pública surgem como alternativas para garantir um direito básico, evidenciando um sistema que, muitas vezes, só responde quando provocado judicialmente.
PROTEÇÃO ANIMAL E A AUSÊNCIA DE PLANTÃO VETERINÁRIO
Ainda dentro das pautas sociais, Ariovaldo Carlos da Silva ampliou o debate ao abordar a ausência de atendimento veterinário em regime de plantão no município, especialmente em finais de semana e feriados. O tema ganhou relevância após um episódio recente que resultou na morte de um animal durante deslocamento para outra cidade em busca de atendimento.
A abordagem adotada foi cautelosa e responsável. Não se tratou de acusação, mas de provocação institucional para que se estude juridicamente a viabilidade de um modelo que garanta atendimento mínimo em situações emergenciais. A discussão abriu espaço para uma reflexão mais ampla sobre políticas públicas de proteção animal e o papel do poder público frente a uma demanda cada vez mais presente na sociedade.
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: ALÉM DA PUNIÇÃO, A PREVENÇÃO
A vereadora Paula Castilhos (PT) trouxe à tribuna uma reflexão aprofundada sobre as políticas públicas voltadas às mulheres vítimas de violência. Sua manifestação destacou que ações exclusivamente punitivas são insuficientes para enfrentar um problema estrutural e complexo, que atravessa diferentes realidades sociais e econômicas.
Paula defendeu a necessidade de ampliar o diálogo entre instituições, propondo a realização de uma audiência pública envolvendo Judiciário, Ministério Público, forças de segurança, Executivo e Legislativo. A vereadora também resgatou a importância da Procuradoria da Mulher no âmbito da Câmara, destacando que o projeto já foi debatido anteriormente e pode representar um avanço significativo no acolhimento e na orientação às vítimas.
POLÍTICAS SOCIAIS E O DESAFIO DO ACOLHIMENTO REAL
Durante sua fala, Paula Castilhos chamou atenção para lacunas existentes nas políticas de acolhimento. Questões como o acesso a atendimento psicológico, a oferta de creche em tempo integral, o aluguel social e a inserção da mulher no mercado de trabalho foram tratadas com realismo, sem soluções simplistas.
A vereadora ressaltou que o rompimento do ciclo da violência exige condições concretas de autonomia e proteção, e não apenas discursos. A necessidade de revisar instrumentos já existentes na política de assistência social foi apontada como fundamental para que o município avance de forma efetiva nessa área.
INFRAESTRUTURA E CAMINHOS PARA A ARTICULAÇÃO FEDERAL
Ao tratar das dificuldades enfrentadas pelo município junto ao DNIT e ao governo federal, Paula Castilhos apresentou uma alternativa baseada na realidade política atual. Segundo ela, grande parte dos recursos federais está concentrada nas comissões permanentes da Câmara dos Deputados, que hoje têm poder decisório significativo sobre o orçamento.
A proposta de buscar recursos diretamente por meio dessas comissões aponta para uma estratégia mais pragmática, que exige articulação política e atuação conjunta, superando a dependência exclusiva dos ministérios e dos trâmites tradicionais.
SEGURANÇA URBANA E SERVIÇOS ESSENCIAIS NO DIA A DIA
Temas ligados à segurança urbana e aos serviços básicos também ganharam espaço na sessão. O vereador Viego Santos (PL) destacou situações que colocam em risco a integridade dos moradores, como árvores de grande porte localizadas próximas a residências e redes elétricas. Defendeu que o Executivo auxilie na elaboração de projetos técnicos para esses casos, considerando os custos elevados e as exigências legais impostas aos munícipes.
Outro ponto levantado por Viego Santos foi a desorganização na entrega das faturas de energia elétrica, especialmente prejudicial à população idosa. O alerta foi direto: a modernização dos serviços não pode significar exclusão nem transferência de responsabilidades ao contribuinte.
MOBILIDADE, INFRAESTRUTURA E QUALIDADE DE VIDA
O vereador Clacir Francisco Bonatto (Podemos) concentrou sua manifestação em demandas relacionadas à infraestrutura urbana e à mobilidade. Cobranças sobre a manutenção de rodovias estaduais, especialmente no trecho em direção a Ibiaçá, voltaram à pauta, com destaque para a necessidade de limpeza dos acostamentos e melhoria da segurança viária.
Clacir também abordou pedidos de melhorias em ruas estratégicas do município, defendendo que investimentos em pavimentação e organização viária refletem diretamente na fluidez do trânsito, no deslocamento das forças de segurança e na qualidade de vida da população.
ADOÇÃO RESPONSÁVEL E RESPONSABILIDADE COLETIVA
Ainda no campo social, Clacir Francisco Bonatto demonstrou preocupação com o aumento expressivo de animais soltos nas ruas de Lagoa Vermelha. A reflexão proposta passou pela conscientização da comunidade sobre a adoção responsável, reforçando que cuidar de um animal é um compromisso permanente, tema que dialoga com a discussão anterior sobre políticas públicas de proteção animal.
2026 JÁ BATE À PORTA: MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA ANTECIPADA EM LAGOA VERMELHA
Mesmo ainda no mês de fevereiro, Lagoa Vermelha já começa a sentir os efeitos do calendário eleitoral de 2026.
A presença de deputados no município tem se intensificado, sinalizando que, para muitos partidos, o próximo pleito não é tratado como algo distante, mas como uma construção que se inicia com bastante antecedência. Reuniões reservadas, encontros partidários e conversas com lideranças locais passaram a fazer parte da rotina política da cidade.
Nas últimas semanas, ficou evidente uma movimentação mais intensa de siglas como PP e PL, que promoveram reuniões internas e articulações com foco no fortalecimento de suas bases locais. Trata-se de um movimento natural dentro da lógica eleitoral, onde quem chega primeiro tende a ocupar espaço, consolidar apoios e alinhar discursos. Ainda que não haja definições formais, o gesto político da presença vale tanto quanto o anúncio oficial.
UM TABULEIRO AMPLO E DISPUTADO
É importante destacar que esse movimento não ficará restrito a apenas dois partidos. Lagoa Vermelha possui atualmente mais de dez siglas com representação, militância ativa ou histórico eleitoral relevante. Todas elas, em maior ou menor grau, deverão entrar no jogo ao longo dos próximos meses, seja por meio de reuniões internas, visitas de parlamentares ou articulações regionais.
O que se observa é um tabuleiro político ainda em aberto, com muitas conjecturas e entendimentos em construção. Coligações, apoios cruzados e estratégias regionais seguem sendo discutidos longe dos holofotes, mas já começam a ganhar forma. A antecipação dessas agendas revela um cenário competitivo e atento, onde ninguém pretende ser surpreendido quando o calendário oficial acelerar.
TROFÉU IMPRENSA 2026: ORGANIZAÇÃO ANTECIPADA E EXPECTATIVA RENOVADA
No campo social e institucional, outro tema que já começa a ganhar corpo é a realização do Troféu Imprensa 2026, promovido pela NG Revista. A organização do evento está em andamento desde já, reforçando o cuidado com cada detalhe de uma das mais tradicionais solenidades do calendário social de Lagoa Vermelha.
O evento está confirmado para o dia 11 de abril, nas dependências do Clube Comercial, espaço que historicamente abriga grandes encontros da sociedade lagoense. A proposta segue a mesma linha que consagrou o Troféu ao longo dos anos: reconhecer trajetórias, valorizar iniciativas e destacar personalidades e instituições que contribuem para o desenvolvimento do município e da região.
RECONHECIMENTO, REPRESENTATIVIDADE E CASA CHEIA
Entre os setores que serão homenageados em 2026, estará novamente a classe política de Lagoa Vermelha e região, inserida em um contexto mais amplo de reconhecimento social e institucional.
O Troféu Imprensa se diferencia justamente por essa pluralidade, ao reunir, em um mesmo evento, representantes de diferentes áreas da sociedade, sem distinções ideológicas ou partidárias.
A expectativa da organização é, como em edições anteriores, de casa cheia, com ampla participação do público, convidados e homenageados. Mais do que uma premiação, o Troféu Imprensa se consolidou como um momento de encontro, visibilidade e reflexão sobre o papel de cada setor na construção coletiva do município. E o fato de sua organização iniciar com antecedência é, também, um indicativo do peso simbólico e social que o evento mantém ao longo dos anos.
HAVAN NO RADAR REGIONAL
A Havan, uma das maiores redes de lojas de departamentos do país, com matriz em Brusque, estaria buscando indicação de terreno para a possível instalação de uma unidade na região. Houve sondagem envolvendo Lagoa Vermelha, o que gerou movimentação e expectativa no meio empresarial.
O desafio central segue sendo a localização de uma área que atenda às exigências técnicas e logísticas da rede, fator decisivo para o avanço das tratativas. Paralelamente, Vacaria também estaria no radar, ampliando o cenário de concorrência regional pela futura instalação.


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