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Mentindo com plumas e paetês - 20/02/2026

Desde que retornou ao poder, em janeiro de 2023, Lula da Silva busca reescrever a sua própria história. Ele cria narrativas, esquece tudo o que aconteceu com ele na Lava Jato, com seus crimes sendo julgados e ele condenado e preso, não menciona os esquemas de corrupção nos governos do PT que ameaçavam a democracia brasileira e muito menos o populismo e a irresponsabilidade fiscal. 
O desfile da Acadêmicos de Niterói, no domingo, televisionado para todo o país, não passa de uma nova tentativa de reescrever essa história. Uma tentativa levada a cabo por uma espécie de braço cultural do PT, que é essa escola de samba financiada, em parte, com dinheiro do governo (vejam só!) Lula. À exceção das referências à infância pobre no sertão nordestino, e à migração da família para o Sudeste, tudo parecia ser muito falso e artificial no desfile de dias atrás. A história de Lula foi contada com o objetivo de limpar a sua barra, de mostrar na TV algo que não ocorreu e, claro, omitir verdades duras que o petista e seus asseclas desejam esquecer.
Mostrou-se uma vida de triunfo, de fim da pobreza, de uma espécie de herói que transformou o país. Nada mais falso. Nada, absolutamente nada, se falou da corrupção, da prisão, das suas palestras no exterior, da sua relação com empreiteiros, do Mensalão, da Lava Jato, do Petrolão, do triplex, dos pedalinhos no sítio de Atibaia e assim por diante. A Acadêmicos de Niterói mutilou a história de vida de Lula, ou melhor, serviu como correia de transmissão para contar uma “estória” que agrada ao presidente da República, ao seu partido e aos seus seguidores mais radicais.
Mas o desfile também não esqueceu o expresidente Jair Bolsonaro. Aliás, em alguns momentos ele parecia ter como tema Bolsonaro e não Lula de tanto que se tratou do adversário. O carro alegórico, com Bolsonaro com cara de palhaço e preso, na verdade deveria conter Lula, ou os dois, para contar a realidade dos fatos. Mas a verdade não foi o forte da Acadêmicos de Niterói. A escola desejava puxar o saco de Lula, e fez isso com plumas e paetês.
Parece claro, pelo conjunto da obra, que pode ter havido campanha antecipada em favor de Lula, desequilibrando a disputa neste momento pré-eleitoral. Se este país fosse sério, alguma penalização a Lula teria, pois ele próprio já declarou que busca uma reeleição. Mas isso não vai dar em nada, será absolvido de qualquer ação no TSE. No país do Carnaval, os donos do poder podem tudo, inclusive sambar na cara da Justiça. Como diz o samba enredo, “Olê, olê, olê, olá / Lula, Lula”.

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