COLUNISTAS

20/02/2026

ELEIÇÕES 2026: BASTIDORES, CONJECTURAS 
E O PESO DAS LIDERANÇAS REGIONAIS
As eleições gerais de 2026, marcadas para outubro, ainda parecem distantes no calendário oficial, mas já movimentam intensamente os bastidores políticos. Em cada região do Rio Grande do Sul, as conversas seguem ritmos próprios, respeitando particularidades locais, lideranças tradicionais e a força das estruturas partidárias. Na região nordeste do Estado - onde Lagoa Vermelha se insere com protagonismo - o ambiente é de expectativa, conjecturas e análises recorrentes, especialmente entre aqueles que acompanham a política de perto.
Durante o feriado de Carnaval, uma dessas conversas chamou atenção de forma recorrente: o futuro do Partido Liberal (PL) em Lagoa Vermelha e sua influência direta no pleito de 2026.
 
O PL DE LAGOA VERMELHA
E SUAS FORÇAS INTERNAS
Hoje presidido no município por Alvício José Teles, o PL lagoense reúne nomes de peso e trajetória consolidada. Entre eles, lideranças como Carlos Magno Dondé de Oliveira, Ivan José Galvani Barreto, além dos vereadores Viego Santos, Cleon Piva e Márcio Marques (Maninho), que conferem ao partido uma bancada sólida e visibilidade política permanente.
O PL, aliás, saiu fortalecido da última eleição municipal, quando elegeu três vereadores e, posteriormente, ampliou sua presença na Administração Municipal, ocupando secretarias estratégicas no governo liderado pelo Progressistas e pelo Podemos. Esse espaço institucional reforça a musculatura política do partido e amplia seu poder de articulação regional.
 
IVAN BARRETO E O PESO 
DAS DECISÕES INTERNAS
Um ponto que segue chamando atenção nos bastidores envolve o ex-presidente do PL e atual secretário municipal do Desenvolvimento Social, Ivan Barreto. Mesmo sem figurar como candidato, sua influência política segue sendo um fator determinante nas articulações locais.
É importante registrar uma constatação, e não apenas uma leitura de bastidor: Ivan Barreto mantém proximidade política direta com Rodrigo Lorenzoni e Onyx Lorenzoni, ambos atualmente filiados ao Progressistas (PP), após deixarem recentemente o PL. Essa relação política é conhecida e assumida nos meios partidários.
Mais do que isso, Ivan Barreto tornou-se fonte da coluna ao confirmar que estará com as candidaturas de Rodrigo Lorenzoni e Onyx Lorenzoni no pleito de 2026, independentemente da troca de legenda. Trata-se de um movimento que evidencia que, na prática política, alianças pessoais e ideológicas muitas vezes se sobrepõem às estruturas formais dos partidos. Esse alinhamento reforça o peso de Ivan Barreto como articulador político em Lagoa Vermelha, com capacidade de transitar entre siglas e influenciar decisões, inclusive junto à bancada de vereadores e às lideranças locais do PL e do PP.
Tudo isso ocorre em um cenário ainda em construção, no qual negociações seguem em andamento em nível estadual e nacional. As recentes mudanças partidárias apenas ampliam a complexidade do jogo e exigem leitura atenta dos movimentos que já estão postos no tabuleiro político.
 
A DIREITA, O PP E O JOGO DE FORÇAS EM 2026
No campo ideológico, a direita lagoense enxerga no PL uma de suas principais alternativas eleitorais para 2026. No entanto, não é a única. O Progressistas, que atualmente comanda o Executivo municipal, sob liderança do prefeito Eloir Morona, também deverá exercer papel relevante no processo, articulando apoios tanto para deputado estadual quanto federal. Além disso, outros partidos tendem a compor esse tabuleiro. O Podemos, por exemplo, já se movimenta com a pré-candidatura do lagoense Ronaldo Santini a deputado estadual, ampliando o leque de opções ao eleitorado local.
 
UMA CONSTATAÇÃO POLÍTICA
O fato concreto é que, ao observar o cenário com lupa, percebe-se uma particularidade clara: a influência de Ivan Barreto dentro do PL vai muito além de cargos formais. Para muitos, ele segue sendo um dos principais articuladores e referências do partido em Lagoa Vermelha - influência que se fez sentir na eleição municipal passada e que tende a se repetir agora, na construção das alianças e apoios para 2026.
Com uma bancada forte na Câmara, presença estratégica no Executivo e lideranças experientes, o PL lagoense entra no próximo pleito como ator relevante. Resta acompanhar como essas peças se moverão nos próximos meses, em um jogo que promete ser intenso nos bastidores e decisivo nas urnas.
 
O DESEMPENHO DE PAPARICO 
BACCHI EM LAGOA VERMELHA
Ainda dentro da análise do PL, é inevitável observar a votação do deputado estadual Ederildo Paparico Bacchi (PL) em Lagoa Vermelha. No pleito de 2022, ele somou 381 votos no município. Hoje, além de deputado, integra a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, o que amplia sua visibilidade política.
Ex-prefeito de São João da Urtiga, Paparico Bacchi iniciou sua trajetória no PDT e se elegeu deputado pelo PL. Com o fortalecimento do partido em Lagoa Vermelha - três vereadores eleitos e presença na Administração Municipal - surge a expectativa sobre um possível crescimento de sua votação em 2026.
Até o momento, no entanto, não há manifestação formal do PL local, de suas lideranças ou da bancada de vereadores sobre apoio oficial à sua reeleição, dado relevante na leitura do cenário político.
 
O PT, O ESPAÇO NO LEGISLATIVO E 
UMA POSSÍVEL CANDIDATURA LOCAL
Outro ponto que merece atenção envolve o Partido dos Trabalhadores (PT). Após longo período, o partido voltou a ocupar espaço na Câmara de Vereadores com Paula Castilhos, retomando visibilidade institucional.
Some-se a isso a expressiva votação obtida por Alaor Scariot na eleição municipal de 2024, o que recolocou o PT em evidência no cenário político lagoense. Esse conjunto de fatores levanta uma hipótese cada vez mais comentada: a possibilidade de o partido lançar candidatura própria a deputado estadual ou quem sabe a deputado federal.
Caso isso se confirme, dois nomes despontam naturalmente: Alaor Scariot, atual presidente do partido, e a própria vereadora Paula Castilhos.
 
OS NÚMEROS DE 2022 E O PESO DA LEGENDA
Os dados do pleito de 2022 ajudam a sustentar essa discussão. Para deputado estadual, o PT ficou na quarta colocação em Lagoa Vermelha, com Claudiomiro Fracasso, que somou 767 votos. Já Helenir Aguiar Schurer, também do partido, obteve 115 votos.
O destaque, porém, foi a votação de legenda. O PT liderou com 261 votos, número expressivo. Na sequência apareceram o PSD, com 91 votos, o PL, com 87 votos, e o PP, com 86 votos. Esses números demonstram que o partido possui base eleitoral consolidada no município.
 
OS TUCANOS DO PSDB: EXPECTATIVAS, 
DESAFIOS E A REALIDADE LOCAL
Seguindo a análise dos partidos que observam com atenção o pleito de 2026, é inevitável olhar para o PSDB em Lagoa Vermelha. No último pleito para deputado federal, o partido contou com a candidatura do lagoense Pedro Macari, que obteve 865 votos, ficando na terceira posição entre os mais votados no município - um desempenho relevante dentro de um cenário partidário fragilizado.
Pedro Macari tem se caracterizado, ao longo dos últimos pleitos, como um nome sempre à disposição do partido, seja para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal. Questionado por esta coluna sobre a possibilidade de voltar a concorrer em 2026, Macari não descarta a hipótese. Ele avalia que o PSDB ainda possui musculatura política em nível estadual, inclusive com condições de disputar o Palácio Piratini, e ressalta que, em Lagoa Vermelha, ocupa atualmente a vice-presidência do partido.
 
UM PARTIDO SEM 
REPRESENTAÇÃO NO LEGISLATIVO
Apesar do bom desempenho individual de Macari, a realidade partidária do PSDB em Lagoa Vermelha é desafiadora. O partido não possui representação na Câmara de Vereadores, fato que evidencia a necessidade de uma reestruturação interna. O enfraquecimento da sigla junto ao eleitorado local é público e notório. Os números do último pleito confirmam essa leitura. Tirando a votação expressiva de Pedro Macari para deputado federal, o PSDB teve desempenho bastante tímido. O segundo candidato mais votado pelo partido foi Daniel Duarte, que somou apenas oito votos no município. Um resultado que acende sinal de alerta.
 
VOTAÇÃO DE LEGENDA E 
DESEMPENHO ESTADUAL
Na votação de legenda para deputado federal, o PSDB ficou apenas na sétima colocação, com 16 votos, número bastante modesto quando comparado a outras siglas. Esse desempenho reforça a percepção de que o partido carece não apenas de ajustes pontuais, mas de uma reformulação mais ampla, possivelmente envolvendo presidência, diretório municipal e estratégia política. 
Quando se observa a disputa para deputado estadual em 2022, o cenário não é diferente. Pelo PSDB, José Francisco Soares Speroto ficou na 19ª posição, com 82 votos, enquanto Neri Andrade Pereira Júnior (o Carteiro) ocupou a 18ª colocação, com 83 votos. Votações consideradas muito baixas para um partido que já teve protagonismo histórico no município.
 
UM OLHAR PARA 2026
Diante desse contexto, cresce a expectativa sobre qual será o caminho adotado pelos tucanos em Lagoa Vermelha para 2026. Haverá investimento em reestruturação? O partido voltará a lançar candidatura própria? Apostará novamente em nomes locais ou seguirá como coadjuvante no processo eleitoral?
Vale lembrar que, no pleito municipal de 2024, o PSDB optou por apoiar a candidatura de Getulio Cerioli, do PDT, ao Executivo municipal, demonstrando uma estratégia de alianças diante da sua fragilidade eleitoral local. O cenário segue indefinido. O PSDB ainda possui quadros, história e nomes conhecidos, mas precisará de organização, reposicionamento e discurso renovado para voltar a ocupar espaço relevante no debate político lagoense.
 
PARTIDOS SEM REPRESENTAÇÃO: 
INCÓGNITAS E DESAFIOS EM LAGOA VERMELHA
Outro ponto que inevitavelmente entra no radar das análises para 2026 diz respeito a partidos que, hoje, não possuem representação na Câmara de Vereadores de Lagoa Vermelha e tampouco contavam ou contam com base eleitoral sólida no município. É o caso de siglas como Republicanos, PSB, PC do B, MDB, PSD e União Brasil.
A pergunta que surge nos bastidores é direta: qual será o papel desses partidos em Lagoa Vermelha no pleito de 2026? Lançarão candidaturas próprias? Atuarão apenas como apoiadores? Buscarão reconstrução local ou permanecerão orbitando alianças majoritárias?
Sem vereadores, sem estrutura partidária visível e com pouca mobilização orgânica, essas siglas entram no próximo pleito com desafios evidentes. A tendência histórica mostra que, nessas condições, muitos partidos optam por alianças pragmáticas, emprestando tempo de televisão, estrutura formal e apoio pontual a candidaturas de outras legendas.

Outras colunas deste Autor