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O abandono da escrita à mão - 27/02/2026

Em uma boa leitura a gente sempre encontra reflexões que lembram algo simples, mas que passam despercebidas, muitas vezes, em face do corre-corre do cotidiano, da ansiedade e das tarefas que o século XXI nos impõe. Quase não percebemos mais, somos guiados pela intensidade do milênio.
Foi lendo um artigo do Dr. J.J. Camargo, em ZH, homem de elevada prudência e sensatez, sobre essa questão do quase extinto ato de escrever à mão, que veio esta coluna. No artigo, o renomado cirurgião descreve o que perdemos por deixar de escrever à mão: o abandono da escrita manual pela digitação prejudica a memória e a coordenação.
Lembrando que há algum tempo escrevi neste espaço sobre o fim da máquina de escrever, que perdeu sua utilidade com a chegada do computador e sua digitação, nocauteando o ato de datilografar. Mandou a tradicional máquina de escrever para o museu. Tudo bem, efeitos do progresso. Só restou a saudade daqueles tempos.
Voltando ao tema desta coluna, sabe-se que alguns estudos sugerem que escrever à mão pode ter benefícios cognitivos, como melhorar a retenção de informações na memória. O entendimento é que pelo ato de escrever à mão o cérebro processa a informação de forma mais profunda, envolvendo habilidades motoras e cognitivas. Em verdade, os estudos indicam que o ato físico de escrever ativa áreas cerebrais essenciais.
Mas hoje vivemos outros tempos, sem esquecer que a tecnologia tem seus benefícios, com destaque para a facilidade de manuseio e a agilidade. O ideal, se possível, é alcançar o equilíbrio entre as duas situações. Todavia, cabe um conselho: estamos no início de uma nova era, é verdade, mas não deixe de escrever à mão com alguma frequência, sob pena de mais adiante esquecer que um dia tinha razoável caligrafia. 
Os estudos indicam, ainda, que a perda da prática manual pode provocar a atrofia de habilidades motoras delicadas. Pense nisso.
 
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INIBINDO A FOME - É engraçado como de tempos em tempos surgem modismos de efêmera duração que mexem com a população. Agora, por exemplo, a caneta emagrecedora é a bola da vez, virou febre, visto que reduz o apetite e diminui a compulsão alimentar. Essa intervenção biológica, através da caneta emagrecedora, pode ser uma solução rápida, porém, os riscos à saúde são reais. Por isso, o tratamento deve ser orientado e acompanhado por médico. Sobre o tema, a psicanalista Camila Camarata comentou que “vivemos numa sociedade de performance, no qual o corpo se tornou capital simbólico e a magreza volta a se afirmar como marcador de valor social, como já ocorreu em outros momentos”.
 
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NYLSON PAIM DE ABREU - Ex-morador desta cidade, líder estudantil destacado, hoje Desembargador aposentado do TRF, 4ª Região, não anda nada satisfeito com os integrantes do STF, conforme judiciosa manifestação junto ao jornal ZH em 18.02. Segundo ele, “O atual modelo enseja a escolha de integrantes da Suprema Corte com base no compadrismo, em que a regra do artigo 101 da CF, que exige notável saber jurídico e reputação ilibada do candidato, nem sempre é respeitada...” Parabéns ao Dr. Nylson pela brilhante e corajosa manifestação, um exemplo para um país tão agredido pela politicagem, como o nosso Brasil. No fim, o abraço da semana, que hoje vai para ele, claro, e seus familiares. É gente que lê a Folha.

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