COLUNISTAS

19/06/2026

HOSPITAL SÃO PAULO: INVESTIGAÇÕES, VISITAS TÉCNICASE NOVA GESTÃO MARCAM MOMENTO DECISIVO
A situação do Hospital São Paulo e dos serviços prestados pela Fundação Araucária continua ocupando espaço central nos debates políticos e comunitários em Lagoa Vermelha. Nas últimas semanas, vereadores, lideranças partidárias, Ministério Público e representantes da área da saúde passaram a discutir o futuro da instituição, que é referência para diversos municípios da região.
 
POSIÇÃO DO PODEMOS
A coluna recebeu nesta semana a visita do presidente do Podemos de Lagoa Vermelha, Rafael Borges, que apresentou o entendimento da sigla sobre os encaminhamentos considerados mais adequados para apurar questionamentos relacionados ao hospital.
    Segundo Rafael, o partido entende que a investigação sobre eventuais irregularidades deve ser conduzida pelo Ministério Público, órgão que possui atribuições legais e estrutura técnica para analisar a aplicação dos recursos públicos destinados à saúde.
  O dirigente partidário defende que sejam avaliadas todas as verbas oriundas do município, do Estado e da União que chegam à Fundação Araucária e ao Hospital São Paulo.
Na avaliação de Rafael Borges, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposta inicialmente por vereadores do PDT e do PT e que também contou com apoio do vereador do Podemos, corre o risco de se transformar em um ambiente de disputa política, desviando o foco da apuração técnica dos fatos.
 
MINISTÉRIO PÚBLICO JÁ INICIOU APURAÇÃO
Enquanto a instalação da CPI segue indefinida na Câmara de Vereadores, o Ministério Público já deu andamento aos procedimentos relacionados ao caso.
Conforme divulgado anteriormente, foi instaurado inquérito para apurar os serviços médicos prestados pela instituição. A Procuradoria de Fundações do Ministério Público, em Porto Alegre, também recebeu cópia da documentação encaminhada pelo Legislativo, por ser responsável pela fiscalização da utilização de recursos públicos em entidades dessa natureza.
O requerimento encaminhado pela Câmara busca esclarecer questionamentos apresentados pela comunidade e garantir transparência na utilização das verbas públicas e na prestação dos serviços de saúde oferecidos à população.
 
VISITA A SÃO JOSÉ DO OURO
Paralelamente às discussões envolvendo o Hospital São Paulo, vereadores de Lagoa Vermelha buscaram ampliar o conhecimento sobre a realidade hospitalar da região.
No dia 9 de junho, os vereadores Charise Bresolin, Cleon Piva e Geni Merib participaram de uma reunião no Hospital São José, em São José do Ouro, instituição também mantida pela Fundação Araucária.
Participaram do encontro a diretora administrativa Josiele Carlotto, o presidente do Conselho Administrativo da Fundação Araucária, Antônio Carlos Mazutti, e a enfermeira responsável técnica Marielli Sgarbi. O objetivo da visita foi conhecer a estrutura, o funcionamento e a realidade administrativa da instituição, além de esclarecer dúvidas relacionadas à gestão da fundação.
 
RAIO-X DO HOSPITAL SÃO JOSÉ
Durante a reunião foram apresentados diversos dados sobre o funcionamento da unidade. O Hospital São José conta atualmente com 56 leitos, sendo 40 destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e 16 para atendimentos particulares e por convênios. Aproximadamente 60% dos atendimentos realizados são destinados a pacientes do SUS.
Os representantes da instituição informaram ainda que o hospital não realiza cirurgias hospitalares, mantendo apenas o Ambulatório de Varizes como procedimento cirúrgico específico.
A unidade possui equipamento próprio de raio-X, enquanto exames como ultrassonografia, tomografia, endoscopia e serviços laboratoriais são terceirizados.
Também foram abordados temas como estrutura assistencial, quadro de profissionais, aplicação de emendas parlamentares, contratos e produção hospitalar vinculada ao SUS.
 
A QUESTÃO DOS RECURSOS
Em entrevista ao portal da NG Revista, a vereadora Charise Bresolin afirmou que uma das principais dúvidas da comitiva era verificar se recursos vinculados ao Hospital São Paulo estariam sendo utilizados no Hospital São José. Segundo a parlamentar, a resposta recebida durante a reunião foi de que isso não ocorre.
"Fomos até São José do Ouro justamente para conhecer a realidade do hospital e esclarecer dúvidas. Recebemos a informação de que os recursos possuem destinações específicas e que não há utilização de verbas do Hospital São Paulo para investimentos no Hospital São José", afirmou.
 
COMUNIDADE COMO PARCEIRA
Outro aspecto destacado por Charise foi a participação da comunidade na manutenção e no fortalecimento da instituição. Conforme relatado pela vereadora, diversas melhorias e investimentos realizados no Hospital São José contam com apoio direto de entidades locais, entre elas Rotary Club e Lions Clube, por meio de campanhas e ações comunitárias.
 
CRÍTICAS À OPOSIÇÃO
Durante a entrevista, a parlamentar também fez críticas à condução do debate envolvendo a situação do Hospital São Paulo por parte de vereadores de oposição. Segundo Charise, é necessário que haja fiscalização, mas sem gerar insegurança ou conclusões precipitadas junto à população.
"É importante que haja fiscalização, mas também responsabilidade. Não podemos criar um cenário de caos sem que os fatos sejam devidamente apurados. Muitas vezes, vemos a comunidade e as entidades promovendo ações para auxiliar os hospitais, enquanto algumas pessoas apenas fazem críticas", declarou.
A vereadora defendeu que todas as informações sejam analisadas de forma transparente e que os procedimentos em andamento permitam o esclarecimento das dúvidas existentes. "A verdade deve aparecer. É isso que a população espera e é isso que nós também queremos", concluiu.
 
DIFICULDADES FINANCEIRAS
Outro tema abordado durante a reunião foi a situação financeira dos hospitais administrados pela Fundação Araucária. Conforme relatado pelos representantes da instituição, o Hospital São Paulo enfrentaria atualmente um déficit mensal próximo de R$ 400 mil. O Hospital São José também convive com dificuldades financeiras, embora em proporções menores.
Sobre a possibilidade de instalação de uma CPI, os representantes da instituição informaram que não são contrários à investigação, entendendo que qualquer processo de apuração pode contribuir para o esclarecimento dos fatos e para a transparência das informações.
 
NOVA GESTÃO A PARTIR DE JULHO
Em meio às discussões sobre a situação financeira e administrativa do Hospital São Paulo, uma mudança importante está prevista para os próximos dias. O contador Sérgio Antônio Lunardi foi escolhido para assumir a direção-geral da instituição a partir de 1º de julho de 2026. A definição integra o processo de reorganização da gestão hospitalar construído em conjunto por prefeitos da região, representantes sindicais e a Fundação Araucária.
Lunardi possui experiência na área da saúde, acumulando mais de uma década de atuação na gestão hospitalar regional. Entre suas atividades profissionais, esteve à frente da administração do Hospital Cristo Redentor, em Marau. A expectativa é de que a nova direção participe diretamente do processo de recuperação e reorganização do Hospital São Paulo, em um momento considerado decisivo para o futuro da entidade. Atualmente, a gestão da instituição é conduzida pelo superintendente Ademir Perineto, com suporte do gerente administrativo Fábio Mezzomo. A transição deverá ocorrer até o final deste mês, quando Sérgio Lunardi assumirá oficialmente o comando administrativo da casa de saúde.
 
UM ASSUNTO QUE AINDA TERÁ NOVOS CAPÍTULOS
O cenário que se desenha é de intensificação das discussões e das ações de fiscalização. Ministério Público, Poder Legislativo, gestores da saúde e lideranças regionais acompanham atentamente os desdobramentos que envolvem a Fundação Araucária e o Hospital São Paulo.
Mais do que debates políticos, a comunidade espera respostas concretas, transparência na aplicação dos recursos públicos e segurança quanto à continuidade dos serviços prestados à população.
As investigações em andamento, os levantamentos técnicos realizados pelos vereadores e a chegada de uma nova gestão deverão contribuir para esclarecer dúvidas e apontar caminhos para o fortalecimento da instituição.
O Hospital São Paulo é patrimônio da comunidade regional. Seu futuro interessa não apenas aos agentes políticos, mas principalmente às milhares de pessoas que dependem diariamente dos serviços de saúde oferecidos pela instituição. Os próximos meses serão decisivos para definir os rumos dessa história.
 
ELEIÇÕES 2026: CONTAGEM REGRESSIVA PARA O INÍCIO DA CAMPANHA
Embora muitos eleitores ainda estejam concentrados nos assuntos do dia a dia dos municípios, o calendário eleitoral de 2026 já começa a acelerar nos bastidores da política brasileira. Nos próximos dias, partidos e lideranças deverão intensificar reuniões, articulações e definições visando a disputa marcada para o dia 4 de outubro, quando os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.
Um dos momentos mais importantes do processo eleitoral será o período das convenções partidárias, previsto entre 20 de julho e 5 de agosto. É durante essa etapa que os partidos oficializam seus candidatos e definem estratégias para a disputa eleitoral.
Após as convenções e o registro das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, terá início oficialmente a campanha eleitoral. Pela legislação vigente, a propaganda eleitoral poderá começar em 16 de agosto, marcando o início da corrida em busca do voto do eleitor. A partir daí, os candidatos terão pouco mais de um mês e meio para apresentar propostas e percorrer os municípios gaúchos e brasileiros.
Na prática, trata-se de uma campanha relativamente curta, com cerca de 45 dias até a realização do primeiro turno, exigindo planejamento, presença regional e forte mobilização das estruturas partidárias.
Na região Nordeste do Rio Grande do Sul, alguns nomes já trabalham visando a renovação de seus mandatos. Entre eles estão os deputados estaduais Ronaldo Santini, do Podemos, e Paparico Bacchi, do PL, que deverão buscar a reeleição para a Assembleia Legislativa gaúcha.
Além deles, dezenas de outros candidatos a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente deverão passar por Lagoa Vermelha e municípios vizinhos nos próximos meses. Aliás, esse movimento já começou. Lideranças partidárias locais vêm recebendo visitas frequentes de pré-candidatos e representantes políticos que buscam fortalecer alianças e consolidar apoios para a disputa que se aproxima.
Como ocorre tradicionalmente em anos eleitorais, a tendência é que o ritmo dessas agendas aumente significativamente a partir de julho, transformando os municípios da região em importantes palcos de debates, encontros partidários e articulações políticas. Afinal, cada voto contará em uma eleição que promete movimentar intensamente o cenário político gaúcho e nacional.

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