COLUNISTAS
A água do rio nunca passa duas vezes no mesmo lugar. Será? 14/03/2025
A economia mundial atravessa um período de incerteza e desafios. O crescimento econômico global, que era de 2,7% em 2023, desacelerou para 2,4% em 2024. Este cenário é moldado por vários fatores, incluindo taxas de juros persistentemente altas, escalada de conflitos geopolíticos, comércio internacional lento e o aumento de desastres climáticos.
Cada uma dessas questões representa um desafio significativo para o crescimento global. As perspectivas para a América Latina e o Caribe não são otimistas, com a previsão de crescimento de apenas 1,6% em 2024.
No Brasil, a expectativa é de uma desaceleração do crescimento, de 3,1% em 2023 para 1,6% em 2024. Este cenário global impacta diretamente a economia brasileira. O PIB do Brasil, que cresceu 3,4% em 2024, enfrenta uma expectativa de desaceleração em 2025 devido ao novo ciclo de alta da taxa básica de juros. A inflação, influenciada pela volatilidade da cotação do dólar, afeta diretamente o preço de insumos para a agricultura, o que encarece os alimentos no Brasil. Setores como o agronegócio, a indústria e o setor de serviços são profundamente impactados pelas crises globais.
Para equalizar o PIB, a inflação e a taxa Selic no Brasil, é fundamental entender a interação entre essas variáveis. A Selic, que é a taxa básica de juros da economia, serve como um instrumento de política monetária para controlar a inflação. A inflação, por sua vez, reflete a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços, impactando diretamente o poder de compra da população. O PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, é um indicador-chave do desempenho econômico. A relação entre a Selic e o PIB é delicada: juros muito altos podem desencorajar investimentos e consumo, freando o crescimento econômico, enquanto juros baixos demais podem superaquecer a economia, levando à inflação.
A inflação impacta a agricultura no Brasil de várias maneiras. Primeiro, ela elevando os custos de produção porque muitos dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, são importados e têm seus preços influenciados pela valorização do dólar. Com a inflação em alta, os agricultores precisam gastar mais para adquirir esses insumos, o que diminui suas margens de lucro.
aumento dos preços dos produtos agrícolas
Quando os custos de produção sobem, os agricultores tendem a repassar esse aumento para os preços finais dos produtos, o que pode resultar em preços mais altos para os consumidores. No entanto, em um mercado competitivo, nem sempre é possível repassar esses custos, o que pode reduzir a lucratividade dos produtores.
Outro aspecto importante é a incerteza econômica gerada pela inflação. A volatilidade dos preços dificulta o planejamento e a tomada de decisões dos agricultores, que enfrentam a imprevisibilidade dos custos e dos preços de venda. Isso pode levar a uma menor disposição para investir em novas tecnologias ou expandir a produção, afetando o crescimento do setor agrícola a longo prazo.
Em resumo, a inflação afeta a agricultura brasileira (assim também afeta qualquer cenário econômico em outros países e segmentos de mercado) ao aumentar os custos de produção, influenciar os preços dos produtos agrícolas e gerar incerteza econômica, dificultando o planejamento e a tomada de decisões dos agricultores.
Como já se sabe, para atingir um nível equilibrado de economia, o Brasil pode adotar uma série de métodos e políticas econômicas, onde o Banco Central deve continuar utilizando a taxa Selic como instrumento para controlar a inflação, mas de maneira que não desestimule o investimento e o consumo. Manter a taxa de juros em níveis que incentivem o crescimento econômico sustentável é essencial.
Concomitante a isso, fazer com que a reforma tributária simplifique realmente o sistema tributário brasileiro e reduza a carga tributária sobre empresas e indivíduos.
INOVAÇÃO E TECNOLOGIA
Investir em inovação e tecnologia é outra estratégia fundamental, embora não seja uma prioridade nos governos que geriram o país, uma vez que, toda a tecnologia que dispo, é trazida de fora, e os profissionais que são formados e lapidados internamente, acabam migrando para outros países devido ao sucateamento dos equipamentos e instituições que poderiam promover essa evolução.
INFRAESTRUTURA
A infraestrutura é outra área vital. Investimentos em estradas, portos e sistemas de transporte (como o fluvial, o qual o país praticamente não explora) podem reduzir os custos logísticos e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Além disso, esses investimentos criam empregos e estimulam o crescimento econômico interno.
EDUCAÇÃO
A educação e a qualificação profissional são áreas que merecem atenção especial, uma vez que claramente não hão intenção do governo em fomentar essa área. Investir na educação e na capacitação da população aumentaria a produtividade e a competitividade do Brasil, pois a partir de um sistema educacional forte, aliado a programas de capacitação, prepara a força de trabalho para os desafios do mercado global, poder-se ia despontar e melhorar preparar a mão de obra futura.
Diversificar a economia
É uma estratégia que pode reduzir a dependência de setores específicos, como o agronegócio e a mineração (em hipótese alguma desestimular os mesmos), porém, quando se fala no PIB brasileiro é perceptível a concentração nessas áreas. Há a necessidade de desenvolver indústrias de alta tecnologia, turismo e serviços aumentando a resiliência econômica e diminuindo a vulnerabilidade a choques externos.
Concluindo, o momento econômico global e seus impactos no Brasil exigem políticas econômicas equilibradas para garantir um crescimento sustentável. É crucial que os formuladores de políticas no Brasil encontrem o equilíbrio certo entre a taxa Selic, a inflação e o PIB para promover a estabilidade econômica e o bem-estar da população, pois isso é crucial para atrairmos investidores internos, do contrário, estaremos com a tecla repeat acionada, assistindo o mesmo filme, que há iniciou há décadas, e se analisarmos, nos 39 mandatos presidenciais havidos até o presente momento, desde a proclamação da República, não houve um sequer que conseguiu trazer a locomotiva aos trilhos.
Fácil? Todos sabemos que não é, ainda mais com um sistema viciado e incrustrado para não usar palavras menos qualificadas. O que se vê sim, é a mesma sopa de letrinhas sendo servida ao cidadão enquanto nos bastidores, o troca-troca, o ganha-ganha, flui de forma vertiginosa.